terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

I Simpósio Lionístico para Crianças - IV Jornadas Aquilinianas

Amigos, Parabéns!
Faço minhas as palavras da DG Lucinda Fonseca, contribuindo com os poemas abaixo de Matilde Rosa Araújo, bem como um testemunho vivo das IV Jornadas Aquilinianas, às quais tive o privilégio de assistir no mês de Outubro p.p., como associada do CEAR.
Também aqui a temática: "AS CRIANÇAS ."
A 07 de Fevereiro no Hotel Porta do Sol em Caminha, o Lions Clube Vila Praia Âncora deu o apoio logístico ao 1.º Simpósio Lionístico da Criança.
Uma organização da Governadoria do Distrito 115 Centro-Norte de Lions Clubes, através da sua Assessoria da Criança sob responsabilidade da CL Maria Isabel Pinheiro de Abreu.
Este Simpósio contou também com a participação da Assessoria da Surdez a cargo da CL Conceição Lages e da Assessoria da Visão a cargo do CL Rui Sampaio.
O Simpósio decorreu brilhantemente abarcando o tema: "Crianças Excluídas - Lions e Leos: Oportunidade e Compromisso".
Os painéis:
"Lions e Leos - Uma oportunidade para apoiar crianças excluídas" a cargo da CC. Maria Avelina Angeiras;
"Leos e suas actividades com crianças" a cargo da CLeo Marina Salema;
"A Criança e a deficiência" a cargo dos Dr. Amorim Rosa de Figueiredo e Dr. Jorge Manuel Rodrigues Pereira;
"Crianças - Metodologias para o apoio à inclusão social" a cargo da Dra. Jacinta do Céu Ramos Vander Keller.
Finalizou com um período de debate e intercâmbio de ideias, aberto à comunidade e à comunicação social.
Todos de Parabéns… mais uma vez!
Abraço Lionístico
CL Maria Teresa Correia
(Viseu)

"Todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso"
Antoine de Saint-Exupéry

" ERA UMA VEZ!... HISTÓRIAS DE ESCREVER E DE CONTAR - dedicadas à Literatura Infantil."

"Os direitos da criança"
Texto: Matilde Rosa Araújo
Ilustração e design do livro: Raquel Leitão
Editora: Arca das Letras


"Os direitos da criança"

10 Poemas carregados de ternura

"... e vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria. E os outros. Descobrir o seu mundo..."

Matilde Rosa Araújo


OS DIREITOS DAS CRIANÇAS


1
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...

2
....A ser para o homem a
Razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz,
Pois só é livre, feliz
Quem pode deixar crescer
Um corpo são,
Quem pode deixar descobrir
Livremente
O coração
E o pensamento.
Este nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva...

3
....E a criança nasce
E deve ter um nome
Que seja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida.
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger.
Chamemos-lhe Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhe antes Mundo...


4
....E nesse Mundo ela vai crescer:
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz...

5
....Mas há crianças que nascem diferentes
E tudo devemos fazer para que isto não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.

6
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor – a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos serão sua família.
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.

7
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade.
Isto chama-se educar:
Saber isto é aprender a ensinar.

8
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar...
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indiferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes...

9
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negoceie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos,
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem...


10
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo,
Ela é sempre a mão da própria vida
Que se nos estende,
Nos segura
E nos diz:
Sê digno de viver!
Olha em frente!


"Todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso"
Antoine de Saint-Exupéry

Meus Amigos

Depois do Simpósio da Criança que os meus queridos Assessores, Isabel, Sãozinha e Rui, tão bem organizaram, aqui vai o que um HOMEM pode fazer e como ele faz a diferença de todos os outros…
Sejamos nós diferentes, no dia a dia e ajudemos aquelas crianças que nos aparecem pela frente e… precisam de nós!

Obrigada Assessores, obrigada Amial, obrigada Lions e Leos do Norte e do Sul que nos apoiaram e estiveram lá!
Este Homem não será Lion, mas é um HOMEM solidário e que sabe SERVIR!


Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela... (não há regra sem excepções)

Uma imagem de John Gebhardt no Iraque.
Esta é uma dura história de guerra, porém toca-nos o coração...
A esposa de John GebHARDT, Mindy, diz que toda a família desta criança foi executada. Os executantes pretendiam também executá-la e ainda a atingiram na cabeça...mas não conseguiram mata-la. Ela foi tratada no Hospital de John, está a recuperar, mas ainda chora e geme muito. As enfermeiras dizem que John é o único que consegue acalma-la. Assim, John passou as últimas 4 noites segurando-a ao colo na cadeira, enquanto os 2 dormiam. A menina tem vindo a recuperar gradualmente.
Eles tornaram-se verdadeiras "estrelas" da guerra. John representa o que o mundo ocidental gostaria de fazer.
Isto, meus amigos, vale a pena partilhar com o Mundo inteiro. Vamos a isso !
Vocês nunca vêem notícias destas na TV ou nos Media em geral.
Se vos tocou, dêem a conhecer. Todos precisamos de ver que (também) existem estas realidades em que pessoas como John marcam a diferença, mesmo que seja só com uma pequena menina como esta.
Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela...

O meu abraço a todos

DG Lucinda Fonseca
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Matilde Rosa Araújo

Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa em 1921. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letra da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico Profissional em Lisboa e noutras cidades do País, assim como professora do primeiro Curso de Literatura para a Infância, que teve lugar na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Como professora do Ensino Técnico Profissional, efectivou na cidade do Porto. Autora de livros de contos e poesia para o mundo adulto e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças, tem-se dedicado, ao longo da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos. São de sua autoria alguns volumes sobre a importância da infância na criação literária para adultos e sobre a importância da Literatura Infanto-Juvenil na formação da criança e na educação do sentimento poético como raiz pedagógica de valia. Recebeu os seguintes prémios no domínio de Literatura para a Infância: Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian ex-aequo com Ricardo Alberty, em 1980; Prémio atribuído pela primeira vez, para o melhor livro estrangeiro (novela O Palhaço Verde), pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991; Prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, pelo livro de poemas Fadas Verdes, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996.
Obras: O Livro da Tila – poemas para crianças, 10ª edição, Livros Horizonte, 1986; O Palhaço Verde – novela infantil, 5ª edição, Livros Horizonte, 1984 (ilustrações de Maria Keil); História de um Rapaz – conto infantil, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Maria Keil); O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Maria Keil); O Sol e o Menino dos pés Frios – contos, 7ª edição, Livros Horizonte, 1986; O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 2ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Manuela Bacelar); Os Quatro Irmãos – 2ª edição, Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Ana Leão); História de uma Flor – conto infantil, 1ª edição, Faoj; O Sol Livro – textos para o ensino, 1ª edição, Livros Horizonte, 1976; Os Direitos da Criança Livros Horizonte – 1ª edição, Unicef, 1977; O Gato Dourado – contos infantis, 3ª edição, Livros Horizonte, 1985 (ilustrações de Maria Keil); As Botas de Meu Pai – contos infantis, 2ª edição, Livros Horizonte, 1981 (ilustrações de Maria Keil); Camões, Poeta Mancebo e Pobre – divulgação, 1ª edição, Prelo Editora, 1978; Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, Plátano Editora, 1978 (ilustrações de Cristina Malaquias); Joana-Ana – conto infantil, Livros Horizonte, 1981 (ilustrações de Maria Keil); A Escola do Rio Verde – 2ª edição, Livros Horizonte, 198l (ilustrações de Romeu Costa); O Cavaleiro Sem Espada – Livros Horizonte, 1979 (ilustrações de Maria Keil); A Velha do Bosque – Livros Horizonte, 1993 (ilustrações de Ana Leão); A Guitarra da Boneca – Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Evelina Coelho); As Crianças, Todas as Crianças – Anmloe1a – Livros Horizonte, 1976; A Infância Lembrada – Antologia – Livros Horizonte, 1986; A Estrada Fascinante – Livros Horizonte, 1988; Mistérios – Livros Horizonte, 1988 (ilustrações de Alice Jorge); Rosalina Foi à Feira – Livraria Arnado, 1994 (ilustrações de Fernando Saraiva); O Chão e a Estrela – Editora Verbo, 1997 (ilustrações de Paulo Monteiro); As Fadas Verdes – Livraria Civilização, 1994 (ilustrações de Manuela Bacelar); "A Fonte do Real", in Soares, Luísa Ducla (org.), A Antologia Diferente – De que São Feitos os Sonhos, Porto, Areal, (1986), pp. 30-32; Voz Nua, Lisboa, Horizonte, 1986; "A menina do pinhal", in AAVV, Histórias e Canções em Quatro Estações – Primavera. Lisboa. Lisboa Editora. 1988, pp. 9-24; O Passarinho de Maio, Lisboa. Horizonte, 1990; Problemas, Lisboa, Veja, 1993; O Chão e a Estrela, Lisboa, Verbo, 1994; A Estrada Fascinante, Lisboa, Horizonte, 1988 (ensaio).

1 comentário:

CL Maria Teresa Correia (Viseu-PT) disse...

ERA UMA VEZ!...
HISTÓRIAS DE ESCREVER E DE CONTAR.

Era uma vez!...

Eram estas as palavras mágicas que serviam aos avós e aos contadores de histórias para abrir o mundo mágico de fadas e doendes, das princesas e reis de fantasia, de Ali Babá e dos quarenta ladrões, dos soldadinhos de chumbo vestidos de azul e de carmim, dos animais que em tempo antigo falavam com os homens, de meninas verdadeiras que vendiam fósforos nas esquinas de uma rua, de meninos que corriam mundo fora voando sobre as asas de um cisne.

O Centro de Estudos Aquilino Ribeiro celebra, nas jornadas que promove em memória do patrono, o fecundo génio de contador de histórias para a infância, as páginas de ouro de seus livros sem idade. Associa, na homenagem, outros nomes – Matilde Rosa Araújo – ambos inventores de uma nova forma de contar, de uma forma nova de sonhar, de uma forma nova de educar.

Era uma vez!... Porque sempre será assim…



Matilde Rosa Araújo "mãe" da Literatura Infantil

Ri-se quando lhe falamos na sua classificação como "mãe" da Literatura Infantil, ao lado de Aquilino Ribeiro, o "pai", com o seu Romance da Raposa.

- Está bem, aceito, mas só porque fico ao lado de Aquilino, um bom companheiro.

Entrevista feita por Leonor Figueiredo,
publicada no Jornal de Notícias
de 20 de Janeiro de 2006.