Faço minhas as palavras da DG Lucinda Fonseca, contribuindo com os poemas abaixo de Matilde Rosa Araújo, bem como um testemunho vivo das IV Jornadas Aquilinianas, às quais tive o privilégio de assistir no mês de Outubro p.p., como associada do CEAR.
Também aqui a temática: "AS CRIANÇAS ."
A 07 de Fevereiro no Hotel Porta do Sol em Caminha, o Lions Clube Vila Praia Âncora deu o apoio logístico ao 1.º Simpósio Lionístico da Criança.
Uma organização da Governadoria do Distrito 115 Centro-Norte de Lions Clubes, através da sua Assessoria da Criança sob responsabilidade da CL Maria Isabel Pinheiro de Abreu.
Este Simpósio contou também com a participação da Assessoria da Surdez a cargo da CL Conceição Lages e da Assessoria da Visão a cargo do CL Rui Sampaio.
O Simpósio decorreu brilhantemente abarcando o tema: "Crianças Excluídas - Lions e Leos: Oportunidade e Compromisso".
"Leos e suas actividades com crianças" a cargo da CLeo Marina Salema;
"A Criança e a deficiência" a cargo dos Dr. Amorim Rosa de Figueiredo e Dr. Jorge Manuel Rodrigues Pereira;
"Crianças - Metodologias para o apoio à inclusão social" a cargo da Dra. Jacinta do Céu Ramos Vander Keller.
Finalizou com um período de debate e intercâmbio de ideias, aberto à comunidade e à comunicação social.
Todos de Parabéns… mais uma vez!
CL Maria Teresa Correia
(Viseu)
"Todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso"
Antoine de Saint-Exupéry
" ERA UMA VEZ!... HISTÓRIAS DE ESCREVER E DE CONTAR - dedicadas à Literatura Infantil."
"Os direitos da criança"
"Os direitos da criança"
10 Poemas carregados de ternura
"... e vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria. E os outros. Descobrir o seu mundo..."
Matilde Rosa Araújo
OS DIREITOS DAS CRIANÇAS
1
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...
2
....A ser para o homem a
Razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz,
Pois só é livre, feliz
Quem pode deixar crescer
Um corpo são,
Quem pode deixar descobrir
Livremente
O coração
E o pensamento.
Este nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva...
3
....E a criança nasce
E deve ter um nome
Que seja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida.
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger.
Chamemos-lhe Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhe antes Mundo...
4
....E nesse Mundo ela vai crescer:
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz...
5
....Mas há crianças que nascem diferentes
E tudo devemos fazer para que isto não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.
6
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor – a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos serão sua família.
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.
7
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade.
Isto chama-se educar:
Saber isto é aprender a ensinar.
8
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar...
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indiferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes...
9
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negoceie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos,
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem...
10
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo,
Ela é sempre a mão da própria vida
Que se nos estende,
Nos segura
E nos diz:
Sê digno de viver!
Olha em frente!
"Todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso"
Antoine de Saint-Exupéry
Meus AmigosDepois do Simpósio da Criança que os meus queridos Assessores, Isabel, Sãozinha e Rui, tão bem organizaram, aqui vai o que um HOMEM pode fazer e como ele faz a diferença de todos os outros…
Sejamos nós diferentes, no dia a dia e ajudemos aquelas crianças que nos aparecem pela frente e… precisam de nós!
Obrigada Assessores, obrigada Amial, obrigada Lions e Leos do Norte e do Sul que nos apoiaram e estiveram lá!
Este Homem não será Lion, mas é um HOMEM solidário e que sabe SERVIR!
…
Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela... (não há regra sem excepções)
Uma imagem de John Gebhardt no Iraque.
Esta é uma dura história de guerra, porém toca-nos o coração...
A esposa de John GebHARDT, Mindy, diz que toda a família desta criança foi executada. Os executantes pretendiam também executá-la e ainda a atingiram na cabeça...mas não conseguiram mata-la. Ela foi tratada no Hospital de John, está a recuperar, mas ainda chora e geme muito. As enfermeiras dizem que John é o único que consegue acalma-la. Assim, John passou as últimas 4 noites segurando-a ao colo na cadeira, enquanto os 2 dormiam. A menina tem vindo a recuperar gradualmente.
Eles tornaram-se verdadeiras "estrelas" da guerra. John representa o que o mundo ocidental gostaria de fazer.
Isto, meus amigos, vale a pena partilhar com o Mundo inteiro. Vamos a isso !
Vocês nunca vêem notícias destas na TV ou nos Media em geral.
Se vos tocou, dêem a conhecer. Todos precisamos de ver que (também) existem estas realidades em que pessoas como John marcam a diferença, mesmo que seja só com uma pequena menina como esta.
Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a nossa vela...
O meu abraço a todos
DG Lucinda Fonseca

Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa em 1921. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letra da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico Profissional em Lisboa e noutras cidades do País, assim como professora do primeiro Curso de Literatura para a Infância, que teve lugar na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Como professora do Ensino Técnico Profissional, efectivou na cidade do Porto. Autora de livros de contos e poesia para o mundo adulto e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças, tem-se dedicado, ao longo da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos. São de sua autoria alguns volumes sobre a importância da infância na criação literária para adultos e sobre a importância da Literatura Infanto-Juvenil na formação da criança e na educação do sentimento poético como raiz pedagógica de valia. Recebeu os seguintes prémios no domínio de Literatura para a Infância: Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian ex-aequo com Ricardo Alberty, em 1980; Prémio atribuído pela primeira vez, para o melhor livro estrangeiro (novela O Palhaço Verde), pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991; Prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, pelo livro de poemas Fadas Verdes, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996.
Obras: O Livro da Tila – poemas para crianças, 10ª edição, Livros Horizonte, 1986; O Palhaço Verde – novela infantil, 5ª edição, Livros Horizonte, 1984 (ilustrações de Maria Keil); História de um Rapaz – conto infantil, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Maria Keil); O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Maria Keil); O Sol e o Menino dos pés Frios – contos, 7ª edição, Livros Horizonte, 1986; O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 2ª edição, Livros Horizonte, 1986 (ilustrações de Manuela Bacelar); Os Quatro Irmãos – 2ª edição, Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Ana Leão); História de uma Flor – conto infantil, 1ª edição, Faoj; O Sol Livro – textos para o ensino, 1ª edição, Livros Horizonte, 1976; Os Direitos da Criança Livros Horizonte – 1ª edição, Unicef, 1977; O Gato Dourado – contos infantis, 3ª edição, Livros Horizonte, 1985 (ilustrações de Maria Keil); As Botas de Meu Pai – contos infantis, 2ª edição, Livros Horizonte, 1981 (ilustrações de Maria Keil); Camões, Poeta Mancebo e Pobre – divulgação, 1ª edição, Prelo Editora, 1978; Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, Plátano Editora, 1978 (ilustrações de Cristina Malaquias); Joana-Ana – conto infantil, Livros Horizonte, 1981 (ilustrações de Maria Keil); A Escola do Rio Verde – 2ª edição, Livros Horizonte, 198l (ilustrações de Romeu Costa); O Cavaleiro Sem Espada – Livros Horizonte, 1979 (ilustrações de Maria Keil); A Velha do Bosque – Livros Horizonte, 1993 (ilustrações de Ana Leão); A Guitarra da Boneca – Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Evelina Coelho); As Crianças, Todas as Crianças – Anmloe1a – Livros Horizonte, 1976; A Infância Lembrada – Antologia – Livros Horizonte, 1986; A Estrada Fascinante – Livros Horizonte, 1988; Mistérios – Livros Horizonte, 1988 (ilustrações de Alice Jorge); Rosalina Foi à Feira – Livraria Arnado, 1994 (ilustrações de Fernando Saraiva); O Chão e a Estrela – Editora Verbo, 1997 (ilustrações de Paulo Monteiro); As Fadas Verdes – Livraria Civilização, 1994 (ilustrações de Manuela Bacelar); "A Fonte do Real", in Soares, Luísa Ducla (org.), A Antologia Diferente – De que São Feitos os Sonhos, Porto, Areal, (1986), pp. 30-32; Voz Nua, Lisboa, Horizonte, 1986; "A menina do pinhal", in AAVV, Histórias e Canções em Quatro Estações – Primavera. Lisboa. Lisboa Editora. 1988, pp. 9-24; O Passarinho de Maio, Lisboa. Horizonte, 1990; Problemas, Lisboa, Veja, 1993; O Chão e a Estrela, Lisboa, Verbo, 1994; A Estrada Fascinante, Lisboa, Horizonte, 1988 (ensaio).