Viseu, 8 de Março de 2009
Por existirem mulheres como a Marilú que fazem da vida uma imensa roda solidária, é que acontecem noites como esta.
Obrigada Marilú, por teres partilhado comigo a tua amizade, a tua casa, a tua imensa alegria, a tua família e a tua cidade. É graças a ti, que tenho a honra de estar aqui esta noite, a partilhar com as mulheres da tua cidade, esta data com tanto significado.
Estou a sentir-me em casa. E essa sensação não tem preço. Isto significa que já não estou entre desconhecidas. Esta é a razão porque, em primeira mão, esta noite, vou dar a conhecer um novo trabalho que, começou nas minhas noites de inverno na ilha e ganhou asas monitorizadas quando nele incluí a minha querida amiga, Dr.ª Aida Baptista, que trouxe comigo esta noite, e o pintor açoriano Manuel Martins que infelizmente não pode estar connosco mas que o meu coração exibe nas palavras e nos versos. O Manuel está a acompanhar os últimos momentos de vida da esposa que se encontra internada, em fase terminal, com um cancro que criou metástases por todo o corpo que se abandona agora à paz dos seus últimos momentos.
Os direitos deste livro pertencem ao Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa contra o Cancro que apoia as mulheres açorianas que, vitimas desta doença enfrentam as maiores dificuldades para suportarem os tratamentos de quimio e radioterapia que não podem ser feitos nas pequenas ilhas. Infelizmente são muitas, as que abandonam semanalmente a família, para fazerem os seus tratamentos, em regime ambulatório, instaladas em pensões nem sempre confortáveis, num momento em que tanta falta faz o apoio daqueles que amamos. Foi a pensar nessas mulheres, e em todas as que são vítimas dessa maleita silenciosa que tanta vida tem destruído, que nem hesitamos em fazer desta, a nossa causa.
Vamos estar em Lisboa, na Fundação PRO DIGNITATE, na próxima teça feira, para apresentar publicamente este trabalho. Estando pelo meio, como estava, a cidade de Viseu, o Dia Internacional da Mulher e os relacionamentos que aqui tenho como únicos, não podia deixar de estar presente e de mostrar em primeiríssima mão, a obra que reverte a favor de mulheres e que por elas foi escrita.
Cada livro vendido pretende renovar uma esperança, acalentar com um abraço, dar uma nova energia. E, como é no dar que se recebe, estamos aqui a propor uma parceria solidária: compre dois e ofereça um. Acredite que está a dar muito amor, embrulhado em cornucópias cor-de-rosa, poemas de amor e pinturas sensuais. Todos estes ingredientes, apimentados por palavras de amor e de liberdade de, e para, mulheres.
A Marilú, para além de uma amiga com quem sempre podemos contar, é também uma activista do Lions Clube Viriato de Viseu e personalidade empenhada em tudo o que seja acção de solidariedade. Não admira, portanto, que tivesse ficado de coração aberto a que esta noite se apresentasse aqui o livro “Entre margens de afectos” que perde hoje o anonimato na vossa presença.
Mas, porque a vida é breve, e há que vivê-la em toda a sua plenitude, atrevi-me a trazer ao nosso encontro, um pouco dos Açores, algumas notas da sinfonia do nosso mar, para acariciar as palavras escritas, e deixar aqui um pouco da magia do nosso verde, muito do colorido das nossas flores e também algum do nevoeiro da nossa messiânica insularidade. É difícil transportar tanta coisa, mas a provocação que deixo a todas é que se atrevam a dobrar o Cabo do Bojador que o mesmo é dizer:
- Vão às ilhas!
Sentada na praia, à espera, está sempre a minha alma de mulher das ilhas que resiste a todas as tempestades para poder mostrar, prazenteira, em cada verão, o verde único da paisagem da ilha e levar as amigas a verdadeiros retiros de silêncio e reencontro que fazem a diferença no meio de um Mundo carregado de contradições, ansioso por se reencontrar.
Ao som da chamarrita açoriana e enquanto se saboreia o Licor de Maracujá do Ezequiel, as ilhas desfilam aqui em Viseu, na sala do magnífico Hotel “Príncipe Perfeito” que nos acolhe esta noite com a qualidade que já lhe conheço.
Nesta noite de solidariedade, as palavras sobram. Mas deixo-vos ficar uma pedrinha da praia das Flores onde costumo mergulhar para recarregar baterias. As pedrinhas foram apanhadas por mim na baixa-mar desta semana, para trazerem a força telúrica de um cais de partida de muitas, mas muitas emoções.
Bem-hajam todas nesta misteriosa noite de suculentas intimidades e enorme solidariedade.
Vossa amiga
Gabriela Silva