segunda-feira, 30 de março de 2009

Descobertas 56 novas espécies animais e vegetais

Foto: Reuters
Esta aranha, uma das 50 descobertas, consegue dar saltos de 15 centímetros

26.03.2009
PÚBLICO

Cinquenta e seis espécies animais e vegetais foram descobertas durante uma expedição científica de dois meses nas florestas virgens da Papua Nova Guiné. São aranhas, sapos e plantas sobre os quais nunca tinha sido feito qualquer registo, anunciou ontem a Conservation International, que organizou a expedição.
Cientistas britânicos e canadianos deslocaram-se às ilhas do Pacífico para, em conjunto com cientistas locais, explorarem territórios tropicais virgens que possuem uma vasta riqueza de fauna e flora. Cinquenta aranhas, três sapos, duas plantas e um lagarto até agora desconhecidos foram o resultado da investigação, feita no ano de 2008.“Quando se encontra algo novo tão grandioso e espectacular, é uma prova de que há muito mais por aí que desconhecemos”, afirmou o cientista que liderou a expedição, Steve Richards, citado pelo diário espanhol "El Mundo".Aranhas que podem dar saltos de 15 centímetros, sapos com um coaxar muito alto e lagartos que têm os dedos tortos são alguns exemplos do que foi encontrado nas ilhas da Papua Nova Guiné.Além disso, cerca de 600 espécies foram também alvo de estudo, com o intuito de aumentar a documentação científica existente sobre elas. A maior parte das florestas da Papua permanecem intactas graças ao cuidado das tribos locais. São tribos que dependem da vida selvagem para caçar e colher fruta e vegetais. “É o profundo conhecimento que possuem da área em que habitam que os leva a preservar a vida selvagem e o meio ambiente”, afimou à AFP Bruce Beehler, da Conservation International. O papel destas florestas no que diz respeito ao abrandamento das alterações climáticas é fundamental, uma vez que absorvem enormes quantidades de dióxido de carbono.Desde 1990 foram realizadas pela Conservation International mais de 60 expedições pelo mundo que levaram à descoberta de cerca de 700 espécies provavelmente novas para a ciência. Neste momento estão planeadas mais três expedições já a partir do mês de Abril.

Programa de reflorestação quer pôr consumidores a plantar árvores em quatro áreas protegidas

Foto: PÚBLICO
Anabela Trindade lembrou a importância dos serviços ambientais prestados pela biodiversidade
27.03.2009
Helena Geraldes

Nos últimos sete anos, a Água Serra da Estrela promoveu a plantação de mais de 897 mil árvores nas áreas protegidas do país. Este ano quer chegar à meta de um milhão. Para isso vai lançar um desafio nacional para, a 4 de Abril, pôr os consumidores a plantar as árvores que faltam nos Parques Naturais de Sintra-Cascais, Litoral Norte, Arzila e Ria Formosa.
O programa partiu, em 2002, daquilo que era um hábito dos colaboradores da unidade de engarrafamento, inserida no Parque Natural da Serra da Estrela. Depois alargou-se a outras áreas protegidas com a ajuda do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). Este ano a plantação das restantes árvores será feita pela mão de quem compra a garrafa de água. “Sentimos necessidade de envolver ainda mais os consumidores que são chamados a passar um dia diferente e em família numa das quatro áreas protegidas possíveis”, explicou ao PÚBLICO Ana Filipa Domingos, gestora da marca Água da Serra da Estrela.O desafio “Venha plantar uma árvore connosco” foi lançado em 30 hipermercados em Lisboa, Porto, Coimbra e Portimão, nos dias 20, 21, 27 e 28 de Março. A 4 de Abril, equipas do ICNB estarão nos quatro parques naturais a orientar os cidadãos, indicando quais as árvores e os locais mais adequados, em função da época do ano.Segundo explicou a responsável, tem sido o ICNB a entidade que assegura a correcta plantação das 897.487 árvores que, desde 2002, os consumidores daquela água doaram às serras portuguesas. “É o ICNB que decide onde as vai plantar, em função das necessidades de cada parque natural”. A condição é que 50 por cento sejam plantadas na Serra da Estrela.Anabela Trindade, vice-presidente do ICNB salientou a importância desta iniciativa para “sensibilizar os consumidores para um bem público”, chamando a atenção para a “importância dos serviços ambientais prestados pela biodiversidade”, como a qualidade da água. “Conservar a natureza deve ser uma responsabilidade partilhada e não uma tarefa exclusiva do ICNB”, comentou.Depois de atingir um milhão de árvores plantas, a Água Serra da Estrela ainda não adiantou o que irá fazer mas Ana Filipa Domingos garantiu que o programa de reflorestação é para continuar.

Estados Unidos e Portugal lançam observatório climático móvel na ilha Graciosa

Foto: PÚBLICO
O laboratório será instalado no aeródromo da ilha Graciosa

27.03.2009
PÚBLICO
Os Estados Unidos e Portugal assinaram esta manhã um acordo para instalar na ilha Graciosa, nos Açores, um observatório climático móvel que, a partir de Maio e durante 20 meses, vai medir algumas propriedades das nuvens de baixa altitude. O objectivo é ajudar a melhorar os modelos climáticos actuais.
O observatório móvel, ou Atmospheric Radiation Measurement (ARM) Mobile Facility, é responsabilidade da Unidade de investigação climática do Departamento de Energia norte-americano (DOE), que tem vários instrumentos para recolher dados espalhados pelo mundo. A ilha Graciosa passa, assim, a integrar uma rede de cinco locais móveis de medição.Este laboratório será instalado no aeródromo da ilha Graciosa, escolhido por ser a zona mais plana do arquipélago, e vai estudar o sistema estratiforme de nuvens de baixa altitude sobre os oceanos subtropicais, ainda pouco estudados nos modelos climáticos, explica o portal do governo açoriano.O acordo foi assinado esta manhã por José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, e por David Ballard, da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, em Ponta Delgada. A iniciativa, no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, formaliza a colaboração científica entre o DOE e a Universidade dos Açores.Estas medições deverão ajudar a compreender melhor os processos microscópicos que ocorrem nas nuvens e serão utilizadas para testar e melhorar os modelos climáticos actuais, explica um comunicado do DOE. Os investigadores esperam ficar a saber mais sobre a forma como as nuvens interferem com o aumento da temperatura dos oceanos à superfície, gases com efeito de estufa e propriedades dos aerossóis. Para conseguirem fazer previsões mais rigorosas do clima do futuro, os cientistas precisam de compreender melhor os elementos dinâmicos que controlam o ciclo de vida deste tipo de nuvens.“A comunidade científica precisa de mais dados sobre estes tipos de nuvens para que os modelos informáticos continuem a melhorar as simulações do clima do futuro”, comentou Anna Palmisano, do Departamento de Investigação Ambiental e Biológica do DOE. “Os instrumentos sofisticados do laboratório, combinados com a duração do projecto, vão oferecer uma oportunidade sem paralelo para preencher esta lacuna”.

Notícias

Uma Aventura na Amazónia (in Editorial Caminho)
n.º 52 Colecção Uma Aventura Vai realizar-se em Manaus um congresso médico e a agência de viagens onde trabalha a mãe das gémeas é que está a organizar o evento. Por isso, a Teresa, a Luísa e o Pedro vão poder acompanhar as respectivas mães à Amazónia! Será que o Chico e o João desta vez ficam em casa? Ou vão poder desfrutar todos juntos do esplendor da maior (e mais fantástica!) floresta do mundo? Uma aventura grandiosíssima no lugar mágico do encontro das águas, com botos, sucuris, pirarucús e uacaris à mistura! Informação sobre as autoras Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946, no seio de uma enorme família onde as crianças ocupavam o primeiro lugar. Iniciou a actividade docente como professora de História de Portugal em 1969, em Moçambique. A par de uma intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em 1982. Isabel Alçada nasceu em Lisboa a 29 de Maio de 1950, sendo a mais velha de três irmãs. Em 1976 optou por seguir carreira como professora de Português e História. A par de uma intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em 1982. Arlindo Fagundes frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e formou-se como realizador de cinema no Conservatoire Libre du Cinéma Français, em Paris. Ainda estudante, iniciou-se profissionalmente nas Artes Gráficas e no Design Gráfico. A estas actividades viriam a juntar-se mais tarde a Cerâmica e a Escultura
In Editorial Caminho
25-03-2009


«Leite Derramado» é o novo livro de Chico Buarque (in Publico.pt)
O cantor, compositor e escritor brasileiro Chico Buarque lança, a 28 de Março, no Brasil, o seu novo livro "Leite Derramado". A informação sobre a obra foi divulgada no site da editora do livro, Companhia das Letras.
Sem adiantar nenhum resumo do livro, que tem aproximadamente 200 páginas, a editora revelou apenas que o romance conta a história de uma família e tem como cenário o Rio de Janeiro.
O último livro lançado por Chico Buarque, “Budapeste” (2003), está a ser adaptado para o cinema. O filme é dirigido por Walter Carvalho e co-prodizido no Brasil (Nexus), na Hungria (Eurofilm) e em Portugal, através da produtora Stopline Films, de Leonel Vieira, contando com a participação dos actores portugueses Ivo Canelas e Nicolau Breyner. A estreia está prevista para
22 de Maio.
In Publico.pt
04-03-2009


Literatura: Descoberto romance inacabado do escritor David Foster Wallace (in Jornal de Notícias)
Um romance inacabado do escritor norte-americano David Foster Wallace, que se sucidiou em Setembro aos 46 anos, foi encontrado entre os seus documentos pessoais, informou a revista The New Yorker.
A revista, que irá publicar este mês um excerto do romance inédito, dá conta de que o documento foi encontrado pela mulher de David Foster Wallace dois meses depois de o escritor se ter suicidado, em Claremont, na Califórnia.
Intitulado "The pale king", o romance tem cerca de duzentas páginas e deverá ser publicado em 2010 juntamente com as notas e os rascunhos deixados pelo autor.
David Foster Wallace estaria a trabalhar desde 1997 neste terceiro romance, cuja história se centra em funcionários completamente entediados por trabalharem num escritório de cobrança de impostos.
O escritor norte-americano David Foster Wallace, nascido em 1962, deixou publicados vários contos e dois romances, "The Broom of the System" (1987) e "Infinite Jest" (1996), obra de mil páginas que parodia o consumismo da sociedade americana.
In Jornal de Notícias
02-03-2009

UM POUCO DE SILÊNCIO

Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam connosco nem nos interessam.
Não há perdão nem amnistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser actualizado, produtivo e bem informado. É indispensável circular, ser bem-relacionado. Quem não corre com a manada, praticamente nem existe, se não tomar cuidado, põem-no numa jaula: um animal estranho.
Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou por trilhos determinadas – como hamsters que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo ameaça quem apanha um susto de cada vez que examina a sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não «se arranjou» ninguém – como se a amizade ou o amor se «arranjasse» numa loja.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Pensamos logo em depressão: quem sabe terapia e antidepressivos? Uma criança que não brinca ou salta ou participa de actividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incómodas e mal--resolvidas, ou se observa outro ângulo de nós mesmos. Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho e o bar, a praia ou o campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo para além desse que paga contas, faz amor, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais os seus desejos e medos, os seus projectos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos a casa e ligamos a televisão antes de largarmos a carteira ou a pasta. Não é para assistirmos a um programa: é pela distracção.
O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de vermos quem – ou o que – somos, adiamos o confronto com a nossa alma sem máscaras.
Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos – em nós e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém me pôs a mão no ombro de criança e disse:
— Fica quietinha um momento só, escuta a chuva a chegar.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, dêem-me isso: um pouco de silêncio bom, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
Lya Luft
Pensar é trangredir
Lisboa, Presença, 2005
Texto adaptado

A Voz da Terra

Um rei que vivia solitário, certo dia, lembrou-se de mandar construir um palácio que fosse uma grande maravilha. E para que essa construção ficasse de facto grandiosa, pensou que só poderia erguê-la sobre uma alta coluna cujo alicerce infinitamente forte pudesse, em verdade, sustê-la. Chamando o seu íntimo ajudante, deu-lhe esta ordem:
— Desejo que mandes alguns homens a todas as florestas e bosques do universo a fim de encontrarem a árvore mais ampla e mais alta que houver debaixo do sol. Não te surpreendas, vai.
E trinta rachadores de madeira partiram à procura da árvore gigantesca. Semanas depois, regressaram:
— Encontramos a árvore, mas é impossível transportá-la.
— Levem cavalos para a trazer! – exclamou o rei.
— Não poderiam com ela.
— Algumas centenas de bois?
— Não poderiam com ela.
— Todos os meus elefantes?
— Também não será bastante.
— Pois seja como for; dentro de um prazo de oito dias, quero a árvore aqui! – disse, por fim, com azedume.
E os trinta leais servidores, de cabeça baixa, e em silêncio, partiram para a floresta. Porém uma outra árvore surgiu ainda mais bela. Era uma árvore venerada por todos os habitantes desse pequeno lugar e arredores, porque viviam na ilusão – ou na certeza! – de que um deus nela habitava e que a essa presença divina é que a árvore devia a sua exuberante formosura e o seu aspecto tão alto, tão forte, maravilhoso! Entretanto, o rei ordenou que a derrubassem porque só ela poderia ser a coluna do seu desejado palácio. Descantes e danças, abraços e beijos, à roda do velho tronco, misturavam-se na voz de alguém que a cantar dizia:
Deus, oculto e generoso,
Procura outra morada,
Que esta árvore frondosa,
À ordem de El-rei senhor,
Vai, por nós, ser derrubada.
A folhagem estremeceu; as ramarias mais altas inclinaram-se, chorosas, e um vago lamento se ouviu:
— Se o vosso rei teimar nesse propósito, todas estas árvores de fruto e todas estas plantações que crescem à minha volta ficarão também destruídas. Digam, pois, ao vosso rei, que esse desejo é cruel. Contudo, se ele teimar, humildemente me entrego...
Nessa noite, enquanto o soberano dormia, o Deus da árvore venerada apareceu-lhe e ao ouvido assim falou tristemente:
— Sei eu que mandaste derrubar a árvore maior e mais alta da floresta. Venho pedir-te que não pratiques esse monstruoso crime.
— Mas onde vou eu encontrar a coluna para o palácio que quero mandar construir?
— Raciocina, Rei sabedor: durante quatro mil anos recebi a adoração de todos os habitantes destas povoações vizinhas e, em troca, só benefícios saíram das minhas mãos. As aves adormecem, cantam e vivem nos meus ramos. Espalho sombra e bem-estar ao caminhante fatigado pelas ardências solares. Estão comigo a paz e o bem.
— É verdade quanto dizes, ó alma dessa árvore formosa. Mas mantenho o que desejo.
— Está bem; não devo contrariar-te. Só uma coisa ainda te peço. Manda-a cortar por três vezes. Primeiro, a cabeça coroada de folhagem verde; depois, o tronco com os seus braços abertos ao amor e ao infortúnio; e, por fim, as raízes que são tantas e tão profundas que hão-de abalar a terra inteira.
— O que me pedes surpreende-me pela originalidade. Até hoje ninguém me pediu que lhe tirasse a vida por três vezes! Porque não queres suportar a morte num golpe certeiro?
— Eu te respondo, rei inteligente: à volta de mim cresce e vive a minha família. Variadíssimas árvores prosperam à minha sombra generosa. Se eu tombar de um arranco, o meu corpo pesado e enorme, vai, certamente, mutilar essas vidas florescentes; mas, se cair por três vezes e em três bocados, será mais suave o desastre, por elas e não por mim!
No dia seguinte a ordem do rei era esta:
— Não quero que derrubem essa árvore! Nela mora um espírito de tanta beleza moral que é necessário respeitar e ouvir. As árvores são sagradas. Para edificar a minha casa outra coluna se arranjará; talvez de bronze ou de prata, ou, talvez, unicamente deste infeliz coração que bate aqui no meu peito.


Os Contos de António Botto
Marginália Editora, s/d

Como saber usar o silêncio

O valor do silêncio
No meio de tanto ruído, só temos este antídoto eficaz

Tudo em nosso redor são sons estridentes de um ruído que, por vezes, se torna ensurdecedor. Diariamente somos bombardeados das mais diversas formas, através da rádio, televisão e outros meios audiovisuais, para além daqueles que não têm som, mas penetram no nosso interior. Por exemplo: a imprensa escrita não tem som, mas faz eco quando os assuntos que trata raiam a falta de valores que campeia na nossa sociedade.O silêncio tem duas facetas distintas, sobretudo quanto à sua utilização. A positiva, que marca a nossa interioridade e procura de reflexão num determinado espaço ou tempo; e a negativa, quando passa pela omissão em algo que deveríamos defender, delimitando a nossa posição enquanto seres humanos, cristãos ou simples cidadãos. Vamos abordar o aspecto da cidadania. Muitos de nós refugiamo-nos na nossa concha e deixamos que os outros façam aquilo que devíamos fazer. É um silêncio negativo e pouco conforme à nossa condição de cristãos.A participação na vida activa de instituições, sobretudo naquelas que se dedicam ao bem comum, deveria ser uma preocupação de todos nós. É preciso conhecer as pessoas e as coisas para sermos capazes de as compreender e ajudar.Mas há outro aspecto que repugna a muitos cidadãos e que é uma forma de silêncio muito grave. A omissão enquanto participantes de uma sociedade livre com direitos, liberdades e garantias. Em Portugal, todo o indivíduo tem esse gozo, mas é necessário que o saiba utilizar em seu benefício e de todos aqueles que fazem parte deste país.Estamos em ano de eleições. Seremos chamados ás urnas para as Europeias, Legislativas e Autárquicas, embora as datas ainda não estejam marcadas. Grande parte das pessoas não gostam de política, nem se interessam por ela, mas a verdade é que a nossa vida é decidida pelas instituições e seus dirigentes políticos.Numa sociedade democrática, as decisões são tomadas pelos cidadãos, mas através dos seus representantes nas instituições do País. Ou seja, nós quando vamos votar “passamos” uma procuração aos partidos políticos para eles exercerem a governação em representação de cada um de nós.A maior parte das pessoas estão desiludidas com a actuação dos políticos e infelizmente têm razão para tal. Contudo, isso não nos dá o direito da omissão. Se não agem como deviam, mesmo assim, temos o dever de votar naquele(s) que nos merecer(em) alguma credibilidade. Caso contrário, teremos que aceitar as consequências de sermos governados por partidos políticos que não respeitam e muito menos, protegem o cidadão. Neste sentido, somos responsáveis por nós e pelos outros.A política devia ser uma disciplina escolar, integrada ou não, noutra que é a cidadania e que também não é administrada no ensino. Certamente, se tal acontecesse, cada um de nós estaria mais consciente deste valor. Em democracia, a única arma do cidadão é o voto. Sabemos que para os políticos não interessa que o povo seja culto e conhecedor dos seus direitos. Mas isso não impedirá que cada um de nós aprenda a exercê-los devidamente. A grande vantagem do voto é o silêncio, ou seja, podemos votar em quem entendermos, sem que os outros conheçam as nossas opções. Usemos bem esta faculdade e não nos arrependeremos.

Eduardo Santos
FÁTIMA MISSIONÁRIA
14-03-2009