quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

XXIII ANIVERSÁRIO DO LIONS CLUBE DE PONTE DE LIMA - A Evocação do Companheiro João Maria Carvalho

16 JAN 2010

O OBJECTIVO IMPLICA ESFORÇO

Estimados Lions,

Entendo que a nossa presença no lionismo exige de nós uma postura muito mais frontal perante as adversidades e angústias do mundo de hoje. Assistimos com sofrimento às imagens de sofrimento dos outros: a comunicação social (muitas vezes de forma sádica) bombardeia-nos, de forma repetida para os menos atentos, com imagens de guerras, torturas, saques, roubos, homicídios, genocídios, intempéries, desastres …

E é ver a felicidade daqueles que encontram aí o assunto de eleição para vender as suas propostas: se é gripe A., faz-se grande plano, com todo o despudor e insensibilidade, da agulha que penetra fundo no braço da criança que chora; se é acidente, a melhor é a imagem mais cruel e sangrenta; se acontece o sismo, temos assunto para meses e meses, anunciando-se o que se vai e não vai fazer, muitas vezes com a intenção da simples promoção pessoal …

Este pretende ser um momento de reflexão pessoal voltado para o sofrimento que avassala o mundo, capaz de nos demover de intenções, por vezes mórbidas, de olhar para a desgraça alheia com a distância necessária para nada fazer.

Reparei, na Lion, nas primeiras palavras do texto referente ao Programa Alerta, do Lions Internacional, que diziam o seguinte: “Os Lions são pessoas gentis e generosas que querem ajudar”.

O Alla Arriba por um bom ano lionística da Claudette Albino, Governadora do Distrito 115CN, que infelizmente nos deixou, tem agora motivos sobejos para uma ainda melhor concretização.

Deixo o repto, aos Lions, para que continuem, mais e melhor, a fazer parte desta família humanitária, capazes de cumprir as suas intenções e, dispensando as grandes teorias, lançar mãos à obra.

É que nós, pelo que vejo, ainda temos condições económicas – e outras - para ajudar os que nada têm e outros que, como na recente catástrofe do Haiti, com menos ficaram, se eles mesmos conseguiram ficar.

Porque não nos mobilizamos agora? Logo não vale a pena!...

João Maria Carvalho, Lion

XXIII ANIVERSÁRIO DO LIONS CLUBE DE PONTE DE LIMA - Nota de Imprensa

Reuniram-se no último Sábado, num restaurante da Correlhã, 16 Clubes de Lions do Centro Norte de Portugal, para festejarem o XXIII Aniversário do Clube anfitrião de Ponte de Lima.

Estiveram neste evento, além das duas dezenas e meia de sócios de Ponte de Lima, mais de quatro dezenas de sócios de Clubes Lions sediados em diversas localidades, como as próximas de Barcelos, Braga, Viana do Castelo, Ancora, Esposende, Guimarães, Porto, Senhora da Hora, Boavista-Porto, mas também as mais distantes como

Espinho, Ílhavo, Aveiro, Oliveira de Azeméis, Bairrada, Águeda e Figueira da Foz, que vieram de reconhecer a dedicação do Clube de Ponte de Lima ao Movimento Lions e o trabalho que vem fazendo em prol da comunidade ao longo destes 23 anos de serviço.

Depois de calorosa recepção aos visitantes e da saudação às bandeiras, o CL Agostinho Barros leu o Código de Ética dos Lions e o CL João Maria Carvalho fez a Invocação Lionistica. O CL Artur Lopes por incumbência do companheiro presidente do Clube Sérgio Gonçalves, orientou a sessão.

Honrados com a visita de tão grande número de companheiros Lions, em que se incluíam o Governador Lions do Centro Norte, Gaspar Albino, do Clube de Sa

nta Joana Princesa de Aveiro e a Presidente do Conselho Nacional, Teresa Gama Brandão, do Clube de Guimarães, os Lions de Ponte de Lima esmeraram-se em receber tendo organizado um franco convívio, com jantar típico que incluiu música tradicional do folclore limiano, pelo grupo musical do Rancho da Correlhã.

Durante o jantar comemorativo os Lions presentes procedera

m, em acto de solidariedade que lhes é peculiar, a uma colecta monetária para apoio às vítimas do sismo do Haiti, que a companheira Presidente do Conselho Nacional fará juntar ao apoio do Movimento aquele povo mártir da América Central.

No reconhecimento do serviço e nos parabéns ao Clube aniversariante usaram da palavra o CL Manuel Amial do Clube padrinho de Vila Praia de Ancora e o companheiro presidente do Rotary de Ponte de Lima, José Manuel Vieira.

O CL Vítor Mendes, ilustre Presidente da Câmara Municipal uso

u seguidamente da palavra para reconhecer o trabalho desenvolvido, quer pelo Lions Clube, quer pelo Rotary Clube e desafiar as direcções e os clubes a promoverem parcerias em projectos de apoio social.

Quando era próximo da mudança de data a CL Teresa Brandão e o CL Gaspar Albino dirigiram-se aos dos sócios do Clube de Ponte de Lima enaltecendo o trabalho e a dedicação dado ao lionismo e também manifestado a sua amizade e admiração.

No final o Presidente do Lions de Ponte de Lima deu por enc

errada a sessão agradecendo as visitas e o carinho manifestado ao Clube e desejando bom regresso, e todos ficaram cientes que é gratificante dedicar tempo e serviço ao Movimento Lion participando em acções de solidariedade e de apoio ao Próximo.

Os membros da mesa

A Evocação pelo Comp. João Maria Carvalho

O Presidente do Lions Clube de Ponte de Lima Sérgio Gonçalves e o CL Artur Lopes

Animação musical por elementos do Rancho Folclórico da Correlhã


O momento dos parabéns - Companheiras Teresa Gama Brandão e Isabel Mendes


A intervenção da CL Teresa Gama Brandão


A intervenção do Presidente do Município de Ponte de Lima e Companheiro Vitor Mendes


Governador do DM 115 CN Gaspar Albino e o Presidente do Lions Clube de Ponte de Lima Sérgio Gonçalves


Governador do DM 115 CN Gaspar Albino e o Presidente do Lions Clube de Ponte de Lima Sérgio Gonçalves

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

XVII ENCONTRO LIONÍSTICO NORTE DE PORTUGAL – GALIZA

Estimados Amigos e Companheiros:

É com muita satisfação que venho comunicar que o meu Clube - O Lions Clube de Vila Praia de Âncora - vai ser o anfitrião do XVII ENCONTRO LIONÍSTICO NORTE DE PORTUGAL – GALIZA (ex-Encontro Luso-Galaico), a realizar no concelho de Caminha, em Vila Praia de Âncora, no próximo dia 20 de Fevereiro de 2010 (sábado), a partir das 15H00. O Encontro está aberto à participação de todos os Companheiros que nele pretendam participar, pelo que agradeço a sua divulgação por todos os companheiros dos vossos Clubes. O respectivo programa que abaixo se releva teve em conta uma necessária contenção de custos e de tempo tão importante nos dias de hoje. A participação no Encontro, é de inscrição gratuita e obrigatória, para facilitar toda a logística, devendo a respectiva ficha de inscrição, que se anexa, ser recebida pelo Clube organizador até 31.01.2010. Pretende-se que o Encontro seja uma jornada de trabalho e reflexão, leve mas profícua, sobre o tema “Solidariedade – Os Lions como Construtores de Pontes Solidárias” e também uma jornada de convívio, fortalecendo os laços que unem especialmente os Companheiros da Galiza e do Norte de Portugal. O Encontro encerrará com o Jantar da Amizade e também comemorativo do 30.º Aniversário do Clube anfitrião. O Presidente do Clube de Vila Praia de Âncora, CL Alberto Magalhães, reitera todo o seu empenhamento para que este Encontro seja um espaço lionístico importante para o nosso Movimento e para reforçar o Serviço que os Lions vem prestando às suas Comunidades, convida todos os companheiros a participar e fica a aguardar ansiosamente as suas inscrições. Com um grande abraço de amizade.


CL Manuel Amial

Secretário do Lions Clube de Vila Praia de Âncora

PORTUGAL




XXIV Jantar de Aniversário do Lions Clube da Boavista

Caro(a)s Companheiro(a)s e Amigo(a)s,

É com grato prazer que vos enviamos o convite para participarem no nosso XXIV Jantar de Aniversário a realizar no próximo dia 30 Janeiro, pelas 20h30 horas, na Sala Porto do Centro de Congressos do Hotel Porto Palácio (Av. da Boavista), para festejarmos mais ano de vida! Será mais um alegre reencontro dos sócios e dos amigos para celebrar a Vida e a Amizade, a entrada de novos sócios, bem como para comemorarmos com todos os que nos vão honrar com a sua presença, o Servir sem se Servir, a Solidariedade e o Companheirismo. Muito empenhados em vos proporcionar uma noite inesquecível, com a colaboração de excelentes Músicos e de algumas surpresas recheadas de emoção, ficamos a aguardar com expectativa as vossas inscrições neste evento, através do preenchimento da ficha de inscrição que também anexamos, ou se preferirem via telefone para os contactos da Direcção. Para quem desejar ficar hospedado no Porto, informamos que temos preços privilegiados de alojamento no Hotel Porto Palácio e em mais 2 unidades hoteleiras próximas. Gratos pela atenção dispensada, despedimo-nos com as nossas melhores saudações Lionísticas e aproveitamos esta oportunidade para mais uma vez vos desejar um Ano Novo Fantástico!

Francisco Cruz
Presidente AL 2009/2010Lions Clube da Boavista
Secretaria: Rua Santos Pousada 441 – 1º Sala 102 4000-486 PORTO
Direcção: CL Presidente Francisco Cruz
CL Secretária Anabela Caldevilla
CL Tesoureiro Manuel Mota

Contactos: 966289908 – 918701625 – 917531885
E-mail: lionsboavista@hotmail.com – Tel: 225193840

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

XXIII Aniversário do L. C. de Ponte de Lima

Caro Companheiro

Desejando-lhe um óptimo 2010, assim como a todos os sócios, familiares e amigos do seu Clube, vimos comunicar-lhe que o jantar comemorativo do XXIII Aniversário do nosso clube se realizará no próximo dia 16 de Janeiro, pelas 20 Horas, no Restaurante “Sonho do Capitão”, sito à margem da E.N.203, na freguesia da Correlhã, deste concelho.
Assim, esperámos que os companheiros do vosso Clube nos honrem com a sua participação, certos de sabermos receber e patrocinar um momento de são convívio lionístico.
Conforme é normativo informámos que o custo do jantar é de XXV €.
PONTE DE LIMA, 31 DE DEZEMBRO DE 2009

O Presidente da Direcção

CL Sérgio Gonçalves (presidente) 964397260
CL Agostinho Barros (sec.) 965065602 - CL José Barreiros (tes.)963204897

CEIA DE NATAL - A evocação do Companheiro Leonardo Gonçalves

Estamos chegados ao Natal e o Mundo vai-se parando para o Celebrar.

Que seria do Mundo desorientado sem estes dias de Poesia e Ternura, sem esta terapêutica anual para o egoísmo; sem este regresso à Simplicidade, à Partilha com os mais carenciados, à Humildade do Presépio, à Paz que foi anunciada pelos anjos aos Pastores e, a Paz prometida a todos os Homens de boa vontade?

Que o Natal e o Novo Ano sejam vividos na Alegria e Felicidade e que sejamos capazes de implantar no nosso meio, a Civilização do Amor e da Paz, tão carenciado no Mundo actual.

O Natal é a certeza para todas as Famílias e para cada um de nós que é possível sairmos desta crise pois, o Natal, Reúne, Relaciona e Aproxima-nos uns dos outros.

Por Essa razão, nos encontramos aqui, mantendo a Tradição da CEIA DO NATAL DOS LIONS!

Ponte de Lima, 14 de Dezembro de 2009
CL Leonardo Gonçalves

A saudação às bandeiras
CL Francisco Abreu Lima, CL Vitor Mendes, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima e CL José Lima
A leitura do Código de Ética
Catarina Leones (filha do CL José Leones)

A Evocação

CL Leonardo Gonçalves

As palavras do Presidende do L. C. de Ponte de Lima

CL Sérgio Gonçalves

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Precisamos de uma catástrofe no mundo rico"

Recentemente esteve em Portugal Jonathon Porritt, uma personalidade que não será exagero descrever como uma das vozes mais importantes entre os chamados 'gurus verdes' britânicos. Há três décadas que vem exercendo uma influência transversal, primeiro como director dos Friends of the Earth, e mais tarde, entre 2000 e 2009, como "chairman" da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável no Reino Unido. Os confrontos que nesta última qualidade teve com membros do próprio governo que o nomeara demonstram bem a sua independência. Actualmente as polémicas têm mais a ver com a sua ligação ao Optimum Population Trust, uma organização que defende a limitação de nascimentos. Quanto ao Forum for The Future, outro grupo do qual é fundador e líder, procura associar empresas e comunidades segundo princípios de justiça e sustentabilidade.

Clique para ler mais sobre aCIMEIRA DE COPENHAGA

Conferencista num colóquio organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, Porritt desenvolveu as ideias do seu mais conhecido livro, "Capitalism: As If the World Matters". A sua visão é de uma nova economia, com uma definição de bem-estar que seja compatível com crescimento lento, e não bloqueie as principais virtudes do capitalismo -- em especial o espírito de inovação permanente.

Manifestando entusiasmo pelo "new green deal", Porritt citou o exemplo das "smart grids", que nos EUA começaram a funcionar apenas seis meses após tomada a decisão ("Incrível!", diz). E acha que Copenhaga produzirá forçosamente algum acordo. Não será o acordo ideal, mas será melhor do que nada.



Na sua intervenção, disse que precisávamos de uma catástrofe para fazer mudar qualquer coisa. Suponho que não se tratou de estratégia retórica.

Não. Infelizmente, falei em sentido literal. Encontramo-nos presos numa situação em que as pessoas precisam de negar o que está a acontecer. É demasiado desconfortável o que está a acontecer, e a mudança que se pede à sociedade é demasiado grande. A única maneira de sacudir essa negação é um choque tão profundo e tão doloroso no sistema que não teremos outra escolha senão fazer essas mudanças.

Quando diz choque, não se está a referir a algo como aparece em "The Day After", ou outros filmes do género.
Achei interessante que, quando aconteceu o furacão Katrina, associado como estava às alterações climáticas, houve um grande efeito na América. Mas não durou muito tempo. Claro que estamos a ver estes fenómenos por todo o mundo. A Austrália é o país a observar aqui. Atravessa a maior seca em dez anos. A sua principal área agrícola está a perder produtividade. Os cursos de água estão cinco por cento abaixo do seu nível normal. Tiveram os piores fogos florestais da sua história. As pessoas na Austrália não estão em negação. Podem ver o que acontece, e sabem que têm de mudar. Quando se sofrem choques desse género, nasce um sentido de compromisso.

'Precisamos de uma catástrofe no mundo rico'

Acha que o desaparecimento de uma nação inteira, por exemplo uma daquelas nações-ilhas do Pacífico, teria efeito no resto do mundo?
Teria por certo um efeito simbólico. E seria uma enorme traição à nossa responsabilidade para com todas as nações hoje em dia. Quanto a afirmar que seria o tipo de choque ao sistema de que falávamos antes, não sei. As pessoas tornaram-se muito complacentes em relação ao sofrimento dos pequenos estados-ilha. Lamento dizer, mas acho que os choques têm de ser no mundo rico, não no mundo pobre.






Quão prováveis são esses choques no futuro próximo?
Não há dúvida de que algumas das mudanças induzidas pelo clima, em especial extremos de clima, inundações, secas, temperaturas muito altas, fogos florestais, estão a aumentar de ano para ano. A indústria seguradora fez a análise disso num relatório em que mostra como esses eventos estão a aumentar.

De qualquer modo, sempre tivemos fogos, secas, inundações... Acha que isso chega?
São os extremos que vão provocar o choque. A minha impressão é qie estamos muito próximos desse momento. Fogos florestais no sul da Europa, por exemplo, são mais sérios actualmente do que estávamos habituados.

Portanto, paradoxalmente, dada a iminência da catástrofe, acha que podemos estar optimistas?

Acho que sim, porque eventualmente daremos a volta à situação. Usaremos uma combinação de tecnologia, boa economia - baseada no bem-estar em vez do crescimento - e um inquérito mais profundo sobre a natureza da Humanidade para mudar as coisas.

Tem dito que os políticos, nesta matéria, já perderam quarenta e cinco anos. Quer desenvolver?
Começámos a examinar os dados sobre destruição e alterações climáticas nos anos 60. Isso levou à Cimeira da Terra em 1992. Desde então sabemos exactamente o que está a acontecer ao planeta. Podemos ver o dano por nós mesmos. Mas não mudámos a natureza das nossas economias. Continuamos neste ciclo em que olhamos para o crescimento gerado pelo consumo como o veículo para melhorar o padrão material de vida das pessoas. Não podemos fazer isso para nove biliões de pessoas. O planeta entrará sistematicamente em colapso com esse nível de agressão económica. As pessoas têm de aprender a viver nos limites ambientais de que todos dependemos.

Quando fala em público sobre essa nova economia, já alguém o acusou de desejar implantar uma forma de socialismo disfarçado?
Já. (risos). Na América, por exemplo, muita gente associa o desenvolvimento sustentável não apenas ao socialismo, mas ao comunismo. Mas eu não vejo as coisas dessa forma. Vejo, sim, um modo muito mais sofisticado, justo e equitativo de criar riqueza. Se se achar que uma paixão pela justiça social nos torna socialistas, eu admito.

Vêem em si um europeu, logo um socialista.
Bem, algumas pessoas na América pensam de facto que qualquer europeu é por definição um socialista. Não me preocupa muito. Sinceramente, acho que esses rótulos cada vez significam menos.

Quem é que lá representa posições semelhantes às suas?
Há uma pessoa chamada Lester Brown, que dirige um influente 'think tank' há muito tempo. Há empreendedores muito bons, por exemplo Paul Hawkins, que tem escrito imenso sobre os vários modos de criar riqueza. Há arquitectos que têm escrito sobre o design para um mundo diferente. Há muita gente, mas têm talvez menos peso no sistema político.

'Precisamos de uma catástrofe no mundo rico'

Os media podiam ser um recurso para criar uma cultura sustentável. Mas vemos que eles próprios se encontram em crise. Os seus proprietários são cada vez menos, e têm inúmeros interesses na economia eles próprios. O jornalismo encontra-se em crise como profissão. Como vê o papel dos média?
Tenho sentimentos mistos. Em muitos aspectos, os media têm sido úteis a gerar uma consciência pública. O tipo de jornalismo que temos na Europa e na América desempenhou um papel importante a mostrar como estes problemas são. Mas há duas questões. Uma, os media continuam a pensar que a ciência não se encontra estabelecida, continuam a procurar equilíbrio ("balance"), aqui uma voz a dizer que as alterações climáticas existem, ali outra a dizer o oposto... Ainda acham que precisam sempre de uma voz dissidente.

A segunda questão tem a ver como os media funcionam na economia actual. Trata-se de empresas grandes, no coração da sociedade capitalista. Os seus interesses directos estão envolvidos na economia como ela existe. Isso é um problema estrutural.

A transição para um modelo sustentável poderá ser feita culturalmente. Implicará uma falta de democracia, com um modelo como o chinês, ou teremos uma quantidade de problemas sociais?
Acho que os problemas sociais serão muito difíceis de resolver. Vamos ter de mudar para uma economia de crescimento lento, pelo menos no mundo rico, pois o mundo pobre precisa de crescimento mais acelerado. Isso levanta vários problemas. Um, como é que pagamos esta gigantesca massa de dívida (uma das razões porque temos uma economia de crescimento rápido é para pagar a dívida)? Outra, como é que financiamos as pensões, etc. E outra, como é que mantemos o compromisso com o pleno emprego, ou tanto emprego como possível. Podemos ter uma economia de baixo crescimento e o nível de inovação que temos hoje em dia? Inovação é o dínamo de uma sociedade capitalista. Podemos mantê-la numa economia de baixo crescimento?

O sistema económico hoje em dia baseia-se na concorrência permanente, entre empresas e entre países. Como é que isso joga com essa perspectiva de uma economia de crescimento lento?
Os governos podem flexionar todos os instrumentos de que dispõem. Há três anos, antes da recessão económica, a China achou que o seu nível de crescimento, a nove e meio por cento, era muito elevado. Estava a gerar uma quantidade excessiva de problemas ecológicos e sociais. Portanto foi decidido apontar antes para um nível de sete e meio por cento. Acreditam?

Já há trabalhos de economistas a estudar esses modelos de nova economia de crescimento lento?
Há muito poucos modelos macroeconómicos alternativos. O único realmente sofisticado foi escrito por um economista chamado Peter Viktor, que fez projeçção económica para o governo canadiano a fim de mostrar como um modelo económico de baixo crescimento pode mesmo assim gerar empregos e segurança, garantir investimentos, etc.

Um dos temas de que falámos ontem, levantado por Lipovetsky quando falou da viciação em consumo, foi a necessidade de encontrar novas formas de vida -- e de felicidade.
Acho que essa é a abordagem correcta. Setenta por cento do produto interno bruto americano vem do consumo. Setenta por cento. Temos de nos afastar disso, se queremos encontrar soluções sustentáveis. Não se pode mudar nada sem mudar as aspirações das pessoas. Na América, cinquenta e cinco por cento das pessoas falam do consumo como a sua actividade recreativa preferida. Acredita? Temos de criar alternativas igualmente aspiracional. E acho que muito disso terá a ver com a abordagem comunitária à regeneração, melhoria do equilíbrio entre trabalho e vida, melhorar oportunidades, passar tempo a fazer as coisas que realmente queremos fazer, em lugar de fazer todas as coisas loucas que é preciso para ganhar o dinheiro para fazer o que queremos. Acho que tudo isso é perfeitamente possível, mas de momento não temos nenhum discurso político convincente sobre porque é que o bem-estar - não falo da felicidade, termo um pouco suspeito - podia tornar-se o veículo de crescente coesão social, crescente segurança comunitária, crescente prosperidade de diferentes tipos, não apenas monetária. Deixámo-nos armadilhar pelo discurso do crescimento económico como o fornecedor de tudo o que a humanidade deseja.

Qual foi o impacto daquele relatório "Prosperity without Growth"?
Teve um grande impacto. Curiosamente, foi o mais descarregado de todos os documentários que a comissão para o desenvolvimento sustentável produziu. Tem sido muito usado por académicos, por funcionários públicos. É uma mensagem difícil de fazer passar, porque as pessoas não gostam de desafiar o crescimento. Mas as companhias começam agora a pensar como podem prosperar numa economia de baixo crescimento. Como se mantém a competitividade mesmo sem manter o crescimento.