
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Fórum Social Mundial 2009 - Balanço I
Mais de 130 mil quiseram um outro mundo
Em seis dias participaram em mais de três mil actividades. Acabou a "confusão alegre"




Em seis dias participaram em mais de três mil actividades. Acabou a "confusão alegre"
Os números impressionam pela dimensão: o Fórum Social Mundial (FSM) que, este domingo, terminou em Belém do Pará, Brasil, reuniu 133 mil participantes de 142 países, incluindo 1900 indígenas de 120 nações, para um total de 3210 actividades inscritas – apesar de nem todas se terem realizado. Outro número curioso: participaram ainda três mil crianças e adolescentes, num espaço especialmente preparado para o efeito.
A organização do evento envolveu também mais 17500 pessoas no trabalho voluntário de apoio, expositores, artistas, jornalistas e outras sete mil na segurança, incluindo a Força Nacional de Polícia.
Estes dados foram apresentados por Cândido Grzybowski, do comité organizador do FSM, numa conferência de imprensa final, onde este fundador do fórum, explicou aos jornalistas o facto de não existir uma declaração final: "Não queremos fazer velha política, cada um tem de assumir a sua responsabilidade, a partir do lugar onde está".
Para Grzybowski, o futuro passa por aqui, e não por Davos: "Tem que se olhar para aqui para se ver mais o futuro, não para o velório do Fórum Económico Mundial" (FEM) [de Davos]. Afinal, insistiu o responsável, "conseguiu-se desde o FSM de 2002 mudar a agenda do FEM": primeiro, a pobreza, depois a violência, agora a questão palestiniana.
As actividades finais concentraram-se este domingo na Universidade Federal Rural da Amazónia (UFRA), onde pela manhã se realizaram 16 das 22 assembleias de temas específicos (as outras seis tiveram lugar na Universidade Federal do Pará – Ufpa) e, à tarde, a grande "assembleia das assembleias", onde se fez a síntese das reuniões da manhã. Acabado o fórum, foi a debandada. A chuva apareceu antes, certinha, pela tarde.
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 02-02-2009
" Fórum não tem mais tanta importância"
Belém, Domingo, 01/02/2009
Fonte Informativa (notícia abaixo): ORM - Brasil
A organização do evento envolveu também mais 17500 pessoas no trabalho voluntário de apoio, expositores, artistas, jornalistas e outras sete mil na segurança, incluindo a Força Nacional de Polícia.
Estes dados foram apresentados por Cândido Grzybowski, do comité organizador do FSM, numa conferência de imprensa final, onde este fundador do fórum, explicou aos jornalistas o facto de não existir uma declaração final: "Não queremos fazer velha política, cada um tem de assumir a sua responsabilidade, a partir do lugar onde está".
Para Grzybowski, o futuro passa por aqui, e não por Davos: "Tem que se olhar para aqui para se ver mais o futuro, não para o velório do Fórum Económico Mundial" (FEM) [de Davos]. Afinal, insistiu o responsável, "conseguiu-se desde o FSM de 2002 mudar a agenda do FEM": primeiro, a pobreza, depois a violência, agora a questão palestiniana.
As actividades finais concentraram-se este domingo na Universidade Federal Rural da Amazónia (UFRA), onde pela manhã se realizaram 16 das 22 assembleias de temas específicos (as outras seis tiveram lugar na Universidade Federal do Pará – Ufpa) e, à tarde, a grande "assembleia das assembleias", onde se fez a síntese das reuniões da manhã. Acabado o fórum, foi a debandada. A chuva apareceu antes, certinha, pela tarde.
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 02-02-2009
" Fórum não tem mais tanta importância"
Belém, Domingo, 01/02/2009
Fonte Informativa (notícia abaixo): ORM - Brasil

Edição de 01/02/2009
Opinião - É o que diz geógrafo norte-americano sobre os efeitos concretos do evento
Só mesmo um nome tão importante no ativismo social como o geógrafo David Harvey para atestar que o Fórum Social Mundial (FSM) já não tem mais a mesma importância de antes. Se a famosa máxima de Socrátes 'mais sábio é aquele que sabe que não sabe' for mesmo verdadeira, ela não se aplicaria a ninguém melhor do que a ele. Em uma mesa de discussão sobre a reforma urbana e em entrevista a O LIBERAL, Harvey respondeu muitos 'não sei', sem vergonha e sem culpa, e criticou a forma como tentamos importar modelos de luta e mobilização.
O senhor idoso, de 80 anos, com cara de bom avô, passou despercebido durante a semana pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde caminhava, no sol escaldante de 13 horas, atrás de um almoço. Os representantes de movimentos sociais e de sem-teto aclamavam suas palavras anti-capitalistas e poucos deles sabiam a importância de Harvey para os estudos sobre mudanças na construção econômica e social contemporânea.
A pouca movimentação de imprensa que estava no local, talvez por desconhecimento, desviou todas as atenções da tenda quando o famoso téologo Leonardo Boff passeava nas redondezas. Harvey foi um grande 'ilustre desconhecido', que os participantes do Fórum Social Mundial não quiseram ou não souberam aproveitar. Ignorância sobre uma biografia extensa, que não pode ser resumida facilmente, até por que David Harvey tem importâncias distintas em cada um dos continentes.
Professor aposentado da Universidade de New York, ele é referência no campo dos estudos urbanos. Direito à moradia e espaço territorial são dois de seus grandes temas de estudo, mas o autor de livros como 'A produção capitalista do espaço' e 'Condição pós-moderna' é estudado no Pará, por exemplo, nos cursos de Comunicação Social.
OPINIÃO
'Acho que quando o fórum começou ele era muito mais importante em muitas áreas, mas agora, com o tempo, ficou mais disperso. Realmente, os fóruns locais são mais importantes que esse. Deixam os interesses mais próximos, com maior discussão', sentencia o geógrafo acerca do evento no qual palestrou. Harvey foi convidado para vir a Belém pela organização não-governamental (ONG) internacional Action-Aid, que luta em favor dos direitos humanos e contra a pobreza.
Para Harvey, esta edição do Fórum Social tem duas importantes contribuições: 'aproximar os grupos que vivem na Amazônia' e 'apresentar mais ainda a Amazônia para o mundo'. 'A importância desse Fórum é muito mais nacional, para facilitar a comunicação dos povos que vivem aqui e estão distantes e ainda ensinar sobre a Amazônia, sobre as pessoas que a defendem. Aprendi aqui sobre eventos como o assassinato do Chico Mendes, a luta que ele tinha', declara.
'Minha resposta é: eu não sei!'. Foi assim que Harvey respondeu quando questionado sobre qual seria o futuro de povos tradicionais em meio às mudanças econômicas e social e a tentativa de homogeneização cultural. 'Compreender esse futuro é muito difícil. De um lado eles querem alguns benefícios da globalização, bom atendimento de saúde, educação de qualidade, mas não querem ser integrados ao sistema. É uma posição contraditória. Simpatizo muito com as diferenças culturais, mas serão vocês quem precisam responder, como resolver esse problema', afirma.
IMPORTAÇÃO
Harvey critica a excessiva exposição da imagem de político democrático e inovador criada sobre Barack Obama e diz que é necessário aprender com o que é criado dentro do próprio País e não esperar modelos de como fazer vindo de fora. 'Vocês são democráticos, têm leis que jamais existiriam nos Estados Unidos. Têm leis que garantem o direito à cidade, as exigências que ela deve cumprir. Essas leis existem aqui', destaca o pesquisador, completando, com um sorriso, que 'o problema é que sabemos que elas não são cumpridas'.
O geógrafo elogia o modelo de luta pela reforma urbana no País, feita por entidades como o Movimento Nacional de Luta pela Moradia. 'Vocês são muito mais organizados, mais articulados. Conseguem uma abordagem integrada, com transporte, moradia, saúde. Eu é que vou importar o modelo do Brasil para os Estados Unidos', ironiza. Sobre a crise, David Harvey diz que mais do que qualquer expectativa, tem uma grande esperança. 'O projeto neoliberal foi um sucesso, com sua formação centrada no individualismo. Agora, espero que a crise possa recriar novas formas de solidariedade'.
Muito barulho e pouca inspiração são as marcas que vão permanecer
CARLOS MENDES
Muito barulho. Pouco resultado. Mais transpiração e pouca inspiração. As vozes do Fórum Social Mundial (FSM), preocupadas com seus problemas específicos - aliás, os mesmos problemas de todas as tribos do planeta -, provavelmente continuarão roucas, porque não serão ouvidas pelos governantes. Como expressão ideológica, os slogans e discursos de esquerda, ouvidos nas conferências, tendas e acampamentos, soam como aquelas músicas que tocam insistentemente no rádio até que ninguém mais aguenta ouvi-las. Os globalizados contra a globalização. É o rabo mordendo o cachorro.
No outro Fórum simultâneo, o de Davos, na Suíça, os donos do mundo homenagearam a crise global, cortando caviar e salmão da pauta de debates. Um deboche típico de quem vive em mundo diferente da maioria dos mortais. Em Davos é assim: os ricos se divertem à sua maneira, decidindo como os pobres irão pagar o pato da recessão. Barack Obama, que não foi a Davos, mergulhado até o pescoço na crise, deu o toque de indignação com meia dúzia de banqueiros que, indiferentes à quebradeira, embolsaram bônus de US$ 18 bilhões.
Ninguém chiou por aqui. Bem feito para os americanos, diriam alguns participantes do FSM. Em Belém, eles queriam somente demarcar terreno e, mais uma vez, botar a boca no mundo contra as injustiças praticadas pelos cínicos que cortam o caviar da ostentação, mas alimentam banqueiros vorazes com juros imorais em suas políticas econômicas. A utopia de um mundo melhor possível precisa continuar. Porque sem ela a vida não tem sentido.
O problema é que, debaixo da linha do Equador, mais duro que suportar o discurso repetitivo e messiânico de presidentes como Lula, Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo, sempre batendo em capitalistas e banqueiros aos quais proporcionam vida mansa, é ver que no FSM as velhas teclas de outros fóruns foram reavivadas. As propostas são sempre as mesmas. Não mudam sequer uma vírgula.
PIQUENIQUE
O cientista social e mestre em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub), Paulo Roberto de Almeida, foi direto na mosca ao escrever sobre os objetivos do FSM. Irônico, ele diz em artigo: 'Os participantes podem congratular-se por serem os mais globalizados do planeta, porque desfrutam, provavelmente, de 100% de inclusão digital por meio da internet (sem considerar celulares e outros gadgets do mundo moderno), ou seja, fazem uma utilização plena das possibilidades abertas pela atual sociedade da informação'.
E mais: 'Todo o processo de informação preliminar sobre o FSM, de convocação e de mobilização preventivas, assim como o registro simultâneo e instantaneamente disseminado de suas ruidosas reuniões, colocadas (escusado dizer) sob o signo da antiglobalização, todo ele terá sido assegurado e efetivamente realizado 100% online, isto é, sob o signo do mundo virtual, que é praticamente um sinônimo da globalização'.
Para Almeida, os alegres participantes do piquenique anual da antiglobalização estão combatendo os próprios mecanismos que possibilitaram, viabilizaram e permitiram 'todas essas facilidades de informação, de comunicação e de interação recíproca'. E pergunta: 'Não é contraditório? Aliás, não parece completamente estapafúrdia essa revolta irracional contra os seus meios de expressão? Eu - como não pretendo usufruir de minha cota permitida
de ilogismo e de irracionalidade - respondo imediatamente que sim'. Faz sentido."
Opinião - É o que diz geógrafo norte-americano sobre os efeitos concretos do evento
Só mesmo um nome tão importante no ativismo social como o geógrafo David Harvey para atestar que o Fórum Social Mundial (FSM) já não tem mais a mesma importância de antes. Se a famosa máxima de Socrátes 'mais sábio é aquele que sabe que não sabe' for mesmo verdadeira, ela não se aplicaria a ninguém melhor do que a ele. Em uma mesa de discussão sobre a reforma urbana e em entrevista a O LIBERAL, Harvey respondeu muitos 'não sei', sem vergonha e sem culpa, e criticou a forma como tentamos importar modelos de luta e mobilização.
O senhor idoso, de 80 anos, com cara de bom avô, passou despercebido durante a semana pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde caminhava, no sol escaldante de 13 horas, atrás de um almoço. Os representantes de movimentos sociais e de sem-teto aclamavam suas palavras anti-capitalistas e poucos deles sabiam a importância de Harvey para os estudos sobre mudanças na construção econômica e social contemporânea.
A pouca movimentação de imprensa que estava no local, talvez por desconhecimento, desviou todas as atenções da tenda quando o famoso téologo Leonardo Boff passeava nas redondezas. Harvey foi um grande 'ilustre desconhecido', que os participantes do Fórum Social Mundial não quiseram ou não souberam aproveitar. Ignorância sobre uma biografia extensa, que não pode ser resumida facilmente, até por que David Harvey tem importâncias distintas em cada um dos continentes.
Professor aposentado da Universidade de New York, ele é referência no campo dos estudos urbanos. Direito à moradia e espaço territorial são dois de seus grandes temas de estudo, mas o autor de livros como 'A produção capitalista do espaço' e 'Condição pós-moderna' é estudado no Pará, por exemplo, nos cursos de Comunicação Social.
OPINIÃO
'Acho que quando o fórum começou ele era muito mais importante em muitas áreas, mas agora, com o tempo, ficou mais disperso. Realmente, os fóruns locais são mais importantes que esse. Deixam os interesses mais próximos, com maior discussão', sentencia o geógrafo acerca do evento no qual palestrou. Harvey foi convidado para vir a Belém pela organização não-governamental (ONG) internacional Action-Aid, que luta em favor dos direitos humanos e contra a pobreza.
Para Harvey, esta edição do Fórum Social tem duas importantes contribuições: 'aproximar os grupos que vivem na Amazônia' e 'apresentar mais ainda a Amazônia para o mundo'. 'A importância desse Fórum é muito mais nacional, para facilitar a comunicação dos povos que vivem aqui e estão distantes e ainda ensinar sobre a Amazônia, sobre as pessoas que a defendem. Aprendi aqui sobre eventos como o assassinato do Chico Mendes, a luta que ele tinha', declara.
'Minha resposta é: eu não sei!'. Foi assim que Harvey respondeu quando questionado sobre qual seria o futuro de povos tradicionais em meio às mudanças econômicas e social e a tentativa de homogeneização cultural. 'Compreender esse futuro é muito difícil. De um lado eles querem alguns benefícios da globalização, bom atendimento de saúde, educação de qualidade, mas não querem ser integrados ao sistema. É uma posição contraditória. Simpatizo muito com as diferenças culturais, mas serão vocês quem precisam responder, como resolver esse problema', afirma.
IMPORTAÇÃO
Harvey critica a excessiva exposição da imagem de político democrático e inovador criada sobre Barack Obama e diz que é necessário aprender com o que é criado dentro do próprio País e não esperar modelos de como fazer vindo de fora. 'Vocês são democráticos, têm leis que jamais existiriam nos Estados Unidos. Têm leis que garantem o direito à cidade, as exigências que ela deve cumprir. Essas leis existem aqui', destaca o pesquisador, completando, com um sorriso, que 'o problema é que sabemos que elas não são cumpridas'.
O geógrafo elogia o modelo de luta pela reforma urbana no País, feita por entidades como o Movimento Nacional de Luta pela Moradia. 'Vocês são muito mais organizados, mais articulados. Conseguem uma abordagem integrada, com transporte, moradia, saúde. Eu é que vou importar o modelo do Brasil para os Estados Unidos', ironiza. Sobre a crise, David Harvey diz que mais do que qualquer expectativa, tem uma grande esperança. 'O projeto neoliberal foi um sucesso, com sua formação centrada no individualismo. Agora, espero que a crise possa recriar novas formas de solidariedade'.
Muito barulho e pouca inspiração são as marcas que vão permanecer
CARLOS MENDES
Muito barulho. Pouco resultado. Mais transpiração e pouca inspiração. As vozes do Fórum Social Mundial (FSM), preocupadas com seus problemas específicos - aliás, os mesmos problemas de todas as tribos do planeta -, provavelmente continuarão roucas, porque não serão ouvidas pelos governantes. Como expressão ideológica, os slogans e discursos de esquerda, ouvidos nas conferências, tendas e acampamentos, soam como aquelas músicas que tocam insistentemente no rádio até que ninguém mais aguenta ouvi-las. Os globalizados contra a globalização. É o rabo mordendo o cachorro.
No outro Fórum simultâneo, o de Davos, na Suíça, os donos do mundo homenagearam a crise global, cortando caviar e salmão da pauta de debates. Um deboche típico de quem vive em mundo diferente da maioria dos mortais. Em Davos é assim: os ricos se divertem à sua maneira, decidindo como os pobres irão pagar o pato da recessão. Barack Obama, que não foi a Davos, mergulhado até o pescoço na crise, deu o toque de indignação com meia dúzia de banqueiros que, indiferentes à quebradeira, embolsaram bônus de US$ 18 bilhões.
Ninguém chiou por aqui. Bem feito para os americanos, diriam alguns participantes do FSM. Em Belém, eles queriam somente demarcar terreno e, mais uma vez, botar a boca no mundo contra as injustiças praticadas pelos cínicos que cortam o caviar da ostentação, mas alimentam banqueiros vorazes com juros imorais em suas políticas econômicas. A utopia de um mundo melhor possível precisa continuar. Porque sem ela a vida não tem sentido.
O problema é que, debaixo da linha do Equador, mais duro que suportar o discurso repetitivo e messiânico de presidentes como Lula, Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo, sempre batendo em capitalistas e banqueiros aos quais proporcionam vida mansa, é ver que no FSM as velhas teclas de outros fóruns foram reavivadas. As propostas são sempre as mesmas. Não mudam sequer uma vírgula.
PIQUENIQUE
O cientista social e mestre em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub), Paulo Roberto de Almeida, foi direto na mosca ao escrever sobre os objetivos do FSM. Irônico, ele diz em artigo: 'Os participantes podem congratular-se por serem os mais globalizados do planeta, porque desfrutam, provavelmente, de 100% de inclusão digital por meio da internet (sem considerar celulares e outros gadgets do mundo moderno), ou seja, fazem uma utilização plena das possibilidades abertas pela atual sociedade da informação'.
E mais: 'Todo o processo de informação preliminar sobre o FSM, de convocação e de mobilização preventivas, assim como o registro simultâneo e instantaneamente disseminado de suas ruidosas reuniões, colocadas (escusado dizer) sob o signo da antiglobalização, todo ele terá sido assegurado e efetivamente realizado 100% online, isto é, sob o signo do mundo virtual, que é praticamente um sinônimo da globalização'.
Para Almeida, os alegres participantes do piquenique anual da antiglobalização estão combatendo os próprios mecanismos que possibilitaram, viabilizaram e permitiram 'todas essas facilidades de informação, de comunicação e de interação recíproca'. E pergunta: 'Não é contraditório? Aliás, não parece completamente estapafúrdia essa revolta irracional contra os seus meios de expressão? Eu - como não pretendo usufruir de minha cota permitida
de ilogismo e de irracionalidade - respondo imediatamente que sim'. Faz sentido."




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Fórum Social Mundial 2009: Povos sem Estado pedem criação de agenda democrática internacional
Povos sem Estado pedem criação de agenda democrática internacional 01/02/2009 - 9h44m
Palestinos, bascos e outros representantes de povos e nações sem Estado defenderam, no Fórum Social Mundial, em Belém, a criação de uma agenda democrática social com objectivo de acabar com os conflitos armados envolvendo os territórios onde vivem. Eles estiveram reunidos ao longo de toda programação do FSM para debater alternativas capazes de reverter o actual cenário de guerras e confrontos, como os protagonistas Israel e o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza.
Yousef Habash, que faz parte do Comité pela Saúde na Palestina, disse que a criação da agenda poderá garantir a paz aos povos sem Estado. Habash criticou o apoio dado por governos internacionais a Israel, porque, na sua avaliação, isso contribui para a luta armada na região Palestina. 'Israel tem muitos líderes criminosos que devem ser levados à Justiça. Em 2005, Israel bombardeou Gaza com apoio de outros países. Não é Israel contra Gaza, mas contra parte da humanidade. Os israelenses estão matando não só nossos soldados, mas crianças e mulheres de Gaza', disse Habash.
As discussões realizadas no FSM pelos representantes de povos sem Estado tiveram como foco central a defesa do direito a autodeterminação dos povos. Na opinião do presidente do Centro Tamil pelos Direitos Humanos, Kiruba, a luta dos povos não reconhecidos (nações sem Estado) é fundamentalmente por se tratar de uma questão política e cultural.
' O direito democrático dessas pessoas, com capacidade de decidir o que querem, não está sendo respeitado. Um modelo político justo tem que permitir o direito de escolher, seja por meio de referendo, constituições ou mesmo de luta populares. Esses povos só terão sua própria identidade se tiverem suas tradições e costumes preservados ', comentou.
Kiruba disse que essas populações devem ter apoio internacional. ' Os processos de emancipação desses povos precisam da solidariedade internacional, sem injustiças e sem opressão ', declarou. 'A opressão de direitos colectivos e o não reconhecimento de povos e nações sem Estado contribuem para desencadear grandes lutas ', enfatizou Mohammed Fidati, membro da Frente Polisário (Saara Ocidental). ' Já os os processos de luta vitoriosos vão contribuir para a futura cultura de paz no mundo '.
Para Fidati, a agenda democrática deve conter uma estratégia de emancipação dos povos sem estado. Ele também criticou o trabalho da ONU. ' Precisamos de um verdadeiro instrumento de justiça e legalidade para sermos verdadeiramente nações e povos unidos no planeta '.
Índios discutem inserção através do ciberespaço 01/02/2009 - 9h25m
'Sou índia online, web jornalista, ciber activista e pesquisadora', diz a índia Aracé na roda de diálogo que ocorreu na tarde de sexta-feira (30) no Campus da UFPA. Intitulada ' Índios no ciberespaço: a experiência inovadora com meio alternativo de comunicação ', a actividade foi coordenada pelo sociólogo da UFPA, Alexandre Dias; pela antropóloga da UFRJ, Eneida Assis; e pelos índios Alex Pankararu e Ivana Potyra Té.
Por meio do GESAC, programa do Governo Federal coordenado pelo Ministério das Comunicações, a conexão de banda larga chega às comunidades via satélite e permite a interacção entre elas usando o portal ' Índios Online', que desde 2005 vem sendo a experiência dos índios com a Internet. O portal foi caracterizado como um movimento social indígena onde os nativos das comunidades indígenas podem denunciar, pesquisar, mostrar suas dificuldades, adquirir conhecimentos, lutar por seus direitos, além de prestar serviços para a comunidade contribuindo assim para o desenvolvimento da mesma.
O site funciona como uma rede interligada por algumas tribos brasileiras que representam os povos indígenas, já que, segundo Aracé, a imprensa tradicional geralmente distorce a verdadeira realidade dos índios. ' Só o índio pode falar de si mesmo, só ele sabe o que se passa em sua comunidade ', diz a índia. Uma das opções do ' índios online ' é o chat, uma sala de bate papo onde os índios cadastrados podem trocar experiências e, como a ferramenta é mais utilizada por jovens, ela os aproxima da realidade indígena, os faz sentir curiosidade sobre sua origem, além de valorizar sua própria cultura e tradições.
Os índios se cadastram no site, criam login e senha para depois estarem aptos a postar textos a respeito da sua realidade. Não há limite mínimo nem máximo de idade para os índios terem seus textos, arquivos de áudio, fotos e vídeos publicados no site e como não há edição nem selecção dos materiais, as regras sobre o conteúdo que pode ser divulgado depende de cada etnia participante (Pankararu, Xucuru Cariri, Cariri Xocó, Tumbalalá, Kiriri, Tupunambá e Pataxó-Hahãhãe) que estão distribuídas em 20 municípios e seis estados do Brasil.
Os índios acessam a Internet de suas próprias aldeias nas ocas virtuais ou centros digitais. O portal também oferece fóruns temáticos, uma área para o estudo (e-learning) e ferramentas para envio de e-mail's, apropriando-se assim de tecnologias para se unirem e juntos buscarem um futuro melhor para sua etnia.
Fórum discute racismo e intolerância religiosa 01/02/2009 - 9h0m
A diversidade afro-brasileira esteve na pauta do Fórum Social Mundial nesta sexta-feira (30) na palestra ' Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra ', proposta pela Associação dos Filhos e Amigos de Ilê Axé em parceria com o Grupo de Estudos Afro-amazónicos da UFPA (Geam). A actividade contou com a participação de professores convidados e sacerdotes do Candomblé. Segundo um dos palestrastes, professor Renato Soares, militante do Movimento Negro, o racismo é muito subtil e só se cristaliza nas disputas de poder. ' Negro não é grupo minoritário. É minoria apenas nos espaços de tomada de decisão ', diz. Ele falou ainda sobre a discriminação que atinge todas as pessoas e persiste principalmente no campo religioso no que diz respeito às religiões de matriz africana, estigmatizadas secularmente.
De acordo com o professor, as religiões afro são um meio de preservação da cultura negra, de resistência desde os primeiros anos do Brasil, ' o Candomblé foi diabolizado pelo europeu que o estigmatizou como feitiçaria. Feitiço é uma palavra europeia que não existe no Candomblé ', afirma o palestraste. Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra veio discutir e desmistificar concepções erradas em relação à cultura afro, extremamente rica e acolhedora. 'No Candomblé o mal e o bem não existem, são relativos. Não é uma religião dogmática, cada um tem sua própria verdade', enfatiza Renato.
O professor revela que muito do imaginário comum que se tem a respeito do Candomblé deve-se a cultura ocidental que não admite o diferente. ' Durante muito tempo o povo negro foi aniquilado, sentenciado à morte. Inclusive os padrões de beleza europeus construídos aqui contribuíram para a rejeição do povo negro ', conta Renato. Nesse sentido, o militante explica que o conflito, muitas vezes, é necessário para que se estabeleça harmonia e o primeiro passo para a resolução das questões externas é a aceitação interna. ' Se você não tiver consciência de quem é, será seu maior inimigo ', ratifica. Renato finalizou propondo o respeito entre as religiões e a tolerância entre os diferentes pensamentos. ' Segundo conceito, intolerância é a vontade de assegurar aquilo o que sou pela negação do outro como humano ', fala. Ele explica que quando não toleramos, consequentemente discriminamos e reduzimos a condição humana do outro. 'O respeito e a tolerância só podem existir a partir de uma relação de autoridade ', conclui.
Fonte Informativa (notícias acima): ORM - Brasil
Palestinos, bascos e outros representantes de povos e nações sem Estado defenderam, no Fórum Social Mundial, em Belém, a criação de uma agenda democrática social com objectivo de acabar com os conflitos armados envolvendo os territórios onde vivem. Eles estiveram reunidos ao longo de toda programação do FSM para debater alternativas capazes de reverter o actual cenário de guerras e confrontos, como os protagonistas Israel e o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza.
Yousef Habash, que faz parte do Comité pela Saúde na Palestina, disse que a criação da agenda poderá garantir a paz aos povos sem Estado. Habash criticou o apoio dado por governos internacionais a Israel, porque, na sua avaliação, isso contribui para a luta armada na região Palestina. 'Israel tem muitos líderes criminosos que devem ser levados à Justiça. Em 2005, Israel bombardeou Gaza com apoio de outros países. Não é Israel contra Gaza, mas contra parte da humanidade. Os israelenses estão matando não só nossos soldados, mas crianças e mulheres de Gaza', disse Habash.
As discussões realizadas no FSM pelos representantes de povos sem Estado tiveram como foco central a defesa do direito a autodeterminação dos povos. Na opinião do presidente do Centro Tamil pelos Direitos Humanos, Kiruba, a luta dos povos não reconhecidos (nações sem Estado) é fundamentalmente por se tratar de uma questão política e cultural.
' O direito democrático dessas pessoas, com capacidade de decidir o que querem, não está sendo respeitado. Um modelo político justo tem que permitir o direito de escolher, seja por meio de referendo, constituições ou mesmo de luta populares. Esses povos só terão sua própria identidade se tiverem suas tradições e costumes preservados ', comentou.
Kiruba disse que essas populações devem ter apoio internacional. ' Os processos de emancipação desses povos precisam da solidariedade internacional, sem injustiças e sem opressão ', declarou. 'A opressão de direitos colectivos e o não reconhecimento de povos e nações sem Estado contribuem para desencadear grandes lutas ', enfatizou Mohammed Fidati, membro da Frente Polisário (Saara Ocidental). ' Já os os processos de luta vitoriosos vão contribuir para a futura cultura de paz no mundo '.
Para Fidati, a agenda democrática deve conter uma estratégia de emancipação dos povos sem estado. Ele também criticou o trabalho da ONU. ' Precisamos de um verdadeiro instrumento de justiça e legalidade para sermos verdadeiramente nações e povos unidos no planeta '.
Índios discutem inserção através do ciberespaço 01/02/2009 - 9h25m
'Sou índia online, web jornalista, ciber activista e pesquisadora', diz a índia Aracé na roda de diálogo que ocorreu na tarde de sexta-feira (30) no Campus da UFPA. Intitulada ' Índios no ciberespaço: a experiência inovadora com meio alternativo de comunicação ', a actividade foi coordenada pelo sociólogo da UFPA, Alexandre Dias; pela antropóloga da UFRJ, Eneida Assis; e pelos índios Alex Pankararu e Ivana Potyra Té.
Por meio do GESAC, programa do Governo Federal coordenado pelo Ministério das Comunicações, a conexão de banda larga chega às comunidades via satélite e permite a interacção entre elas usando o portal ' Índios Online', que desde 2005 vem sendo a experiência dos índios com a Internet. O portal foi caracterizado como um movimento social indígena onde os nativos das comunidades indígenas podem denunciar, pesquisar, mostrar suas dificuldades, adquirir conhecimentos, lutar por seus direitos, além de prestar serviços para a comunidade contribuindo assim para o desenvolvimento da mesma.
O site funciona como uma rede interligada por algumas tribos brasileiras que representam os povos indígenas, já que, segundo Aracé, a imprensa tradicional geralmente distorce a verdadeira realidade dos índios. ' Só o índio pode falar de si mesmo, só ele sabe o que se passa em sua comunidade ', diz a índia. Uma das opções do ' índios online ' é o chat, uma sala de bate papo onde os índios cadastrados podem trocar experiências e, como a ferramenta é mais utilizada por jovens, ela os aproxima da realidade indígena, os faz sentir curiosidade sobre sua origem, além de valorizar sua própria cultura e tradições.
Os índios se cadastram no site, criam login e senha para depois estarem aptos a postar textos a respeito da sua realidade. Não há limite mínimo nem máximo de idade para os índios terem seus textos, arquivos de áudio, fotos e vídeos publicados no site e como não há edição nem selecção dos materiais, as regras sobre o conteúdo que pode ser divulgado depende de cada etnia participante (Pankararu, Xucuru Cariri, Cariri Xocó, Tumbalalá, Kiriri, Tupunambá e Pataxó-Hahãhãe) que estão distribuídas em 20 municípios e seis estados do Brasil.
Os índios acessam a Internet de suas próprias aldeias nas ocas virtuais ou centros digitais. O portal também oferece fóruns temáticos, uma área para o estudo (e-learning) e ferramentas para envio de e-mail's, apropriando-se assim de tecnologias para se unirem e juntos buscarem um futuro melhor para sua etnia.
Fórum discute racismo e intolerância religiosa 01/02/2009 - 9h0m
A diversidade afro-brasileira esteve na pauta do Fórum Social Mundial nesta sexta-feira (30) na palestra ' Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra ', proposta pela Associação dos Filhos e Amigos de Ilê Axé em parceria com o Grupo de Estudos Afro-amazónicos da UFPA (Geam). A actividade contou com a participação de professores convidados e sacerdotes do Candomblé. Segundo um dos palestrastes, professor Renato Soares, militante do Movimento Negro, o racismo é muito subtil e só se cristaliza nas disputas de poder. ' Negro não é grupo minoritário. É minoria apenas nos espaços de tomada de decisão ', diz. Ele falou ainda sobre a discriminação que atinge todas as pessoas e persiste principalmente no campo religioso no que diz respeito às religiões de matriz africana, estigmatizadas secularmente.
De acordo com o professor, as religiões afro são um meio de preservação da cultura negra, de resistência desde os primeiros anos do Brasil, ' o Candomblé foi diabolizado pelo europeu que o estigmatizou como feitiçaria. Feitiço é uma palavra europeia que não existe no Candomblé ', afirma o palestraste. Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra veio discutir e desmistificar concepções erradas em relação à cultura afro, extremamente rica e acolhedora. 'No Candomblé o mal e o bem não existem, são relativos. Não é uma religião dogmática, cada um tem sua própria verdade', enfatiza Renato.
O professor revela que muito do imaginário comum que se tem a respeito do Candomblé deve-se a cultura ocidental que não admite o diferente. ' Durante muito tempo o povo negro foi aniquilado, sentenciado à morte. Inclusive os padrões de beleza europeus construídos aqui contribuíram para a rejeição do povo negro ', conta Renato. Nesse sentido, o militante explica que o conflito, muitas vezes, é necessário para que se estabeleça harmonia e o primeiro passo para a resolução das questões externas é a aceitação interna. ' Se você não tiver consciência de quem é, será seu maior inimigo ', ratifica. Renato finalizou propondo o respeito entre as religiões e a tolerância entre os diferentes pensamentos. ' Segundo conceito, intolerância é a vontade de assegurar aquilo o que sou pela negação do outro como humano ', fala. Ele explica que quando não toleramos, consequentemente discriminamos e reduzimos a condição humana do outro. 'O respeito e a tolerância só podem existir a partir de uma relação de autoridade ', conclui.
Fonte Informativa (notícias acima): ORM - Brasil

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Fórum Social Mundial 2009: Índios denunciam mortes
Índios denunciam mortes
Em 10 ou 20 anos, cinco tribos indígenas podem estar dizimadas. Os seus caciques improvisaram ontem um protesto invadindo o centro de imprensa
Quinze por cento das crianças das tribos Marubo, Mayorma, Matis, Kanamary e Kulina, no estado do Pará estão infectadas com hepatite B e esta percentagem sobe para 85 por cento, no caso de adultos dos 13 aos 40 anos. Na passada quinta-feira, Edilson Kanamary morreu de hepatite delta. Em 2008, houve seis mortes por este tipo de hepatite, mas também por sarampo e malária, numa população de 3700 indivíduos das cinco etnias. E os caciques, chefes das aldeias, temem que dentro de 10 ou 20 anos as suas famílias possam estar dizimadas.
Por tudo isto, um grupo de índios, com trajes tradicionais e setas empunhadas, invadiu ontem o centro de imprensa do Fórum Social Mundial (FSM), promovendo ali uma conferência de imprensa improvisada, para denunciar estas mortes no vale amazónico de Javari, nas fronteiras do Brasil, Colômbia e Peru.
Para estes representantes, a Funasa – Fundação Nacional de Saúde, uma instituição do Ministério da Saúde brasileiro para promover e proteger "a saúde dos povos indígenas" não faz nada. Estão sem receber medicamentos e arcas frigoríficas para os manterem. "A Funasa não está a tratar, tem de ter posto de saúde, médico, dentista, me preocupa muito", disse um cacique marubo.
Mais de um milhar passou pelo stand da Consolata
Já se começa a fazer o balanço. O movimento no fórum diminuiu talvez por causa da chuva ou porque se aproxima o fim. Embora cansados, os jovens não desarmam
A um dia do encerramento do Fórum Social Mundial 2009, já se nota uma diminuição do número de participantes a circular pelos espaços do fórum. As avenidas não estão tão repletas, até porque a chuva foi caindo de mansinho durante o penúltimo dia. Por outro lado, os movimentos e organizações intensificaram as suas manifestações.O stand da Consolata suscitou muito interesse e foram mais de um milhar de pessoas a pedir literatura e a conversar com missionários e missionárias sobre as actividades que desenvolvem nas missões, designadamente sobre os projectos apresentados no fórum: o projecto da água em Mokululu, no Quénia, a luta dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol, de Roraima, Brasil, o Centro de Cultura Makua, em Moçambique, e o projecto da tribo Nasa, na Colômbia.No campus da Universidade Federal Agrária, é visível o dinamismo dos jovens, apesar do cansaço. São às centenas as tendas montadas no meio da relva encharcada de água e lama. Por todo o lado há cordas, esticadas entre duas árvores, carregadas de roupa ensopada de água. A 1 de Fevereiro termina o fórum. Estão preparados os últimos debates e comunicações. No final esperam-se as conclusões. E a festa chega ao fim. Valeu a pena, não obstante alguma desorganização e o incómodo do calor e da chuva.
«A prática é mais transformadora que a teoria»
Boaventura de Sousa Santos é um português que arrasta pequenas multidões no Fórum. Para defender que é preciso "actuar hoje, amanhã pode ser tarde"
"Há uma necessidade de urgência de actuar hoje, porque amanhã pode ser tarde demais", alertou ontem o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, numa das suas intervenções no Fórum Social Mundial, em Belém do Pará.
Perante umas três centenas de pessoas, muitas em pé e fora da tenda onde decorria o debate sobre "Diversidades e mudanças civilizacionais – a utopia do século XXI?", Sousa Santos defendeu a necessidade de combater "o nosso inimigo interno, a cabeça". Segundo o sociólogo, "a prática é mais transformadora que a teoria, a teoria tem de ir atrás", uma sugestão que motivou fortes aplausos, de uma assistência rendida desde o primeiro minuto.
Boaventura de Sousa Santos entende que "as utopias constroem-se no concreto" e que os movimentos progressistas devem adoptar "as línguas que não sejam colonialistas". Mas para concretizar estas utopias, o caminho tem de ser mais realista. "Antes tínhamos um instrumento, a revolução. Esse modelo falhou, fez mudanças rápidas, mas não fez a mudança civilizacional." E o Fórum tem de tornar mais visíveis as suas propostas, para que o mundo as conheça, defendeu.
Em 10 ou 20 anos, cinco tribos indígenas podem estar dizimadas. Os seus caciques improvisaram ontem um protesto invadindo o centro de imprensa
Quinze por cento das crianças das tribos Marubo, Mayorma, Matis, Kanamary e Kulina, no estado do Pará estão infectadas com hepatite B e esta percentagem sobe para 85 por cento, no caso de adultos dos 13 aos 40 anos. Na passada quinta-feira, Edilson Kanamary morreu de hepatite delta. Em 2008, houve seis mortes por este tipo de hepatite, mas também por sarampo e malária, numa população de 3700 indivíduos das cinco etnias. E os caciques, chefes das aldeias, temem que dentro de 10 ou 20 anos as suas famílias possam estar dizimadas.
Por tudo isto, um grupo de índios, com trajes tradicionais e setas empunhadas, invadiu ontem o centro de imprensa do Fórum Social Mundial (FSM), promovendo ali uma conferência de imprensa improvisada, para denunciar estas mortes no vale amazónico de Javari, nas fronteiras do Brasil, Colômbia e Peru.
Para estes representantes, a Funasa – Fundação Nacional de Saúde, uma instituição do Ministério da Saúde brasileiro para promover e proteger "a saúde dos povos indígenas" não faz nada. Estão sem receber medicamentos e arcas frigoríficas para os manterem. "A Funasa não está a tratar, tem de ter posto de saúde, médico, dentista, me preocupa muito", disse um cacique marubo.
Mais de um milhar passou pelo stand da Consolata
Já se começa a fazer o balanço. O movimento no fórum diminuiu talvez por causa da chuva ou porque se aproxima o fim. Embora cansados, os jovens não desarmam
A um dia do encerramento do Fórum Social Mundial 2009, já se nota uma diminuição do número de participantes a circular pelos espaços do fórum. As avenidas não estão tão repletas, até porque a chuva foi caindo de mansinho durante o penúltimo dia. Por outro lado, os movimentos e organizações intensificaram as suas manifestações.O stand da Consolata suscitou muito interesse e foram mais de um milhar de pessoas a pedir literatura e a conversar com missionários e missionárias sobre as actividades que desenvolvem nas missões, designadamente sobre os projectos apresentados no fórum: o projecto da água em Mokululu, no Quénia, a luta dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol, de Roraima, Brasil, o Centro de Cultura Makua, em Moçambique, e o projecto da tribo Nasa, na Colômbia.No campus da Universidade Federal Agrária, é visível o dinamismo dos jovens, apesar do cansaço. São às centenas as tendas montadas no meio da relva encharcada de água e lama. Por todo o lado há cordas, esticadas entre duas árvores, carregadas de roupa ensopada de água. A 1 de Fevereiro termina o fórum. Estão preparados os últimos debates e comunicações. No final esperam-se as conclusões. E a festa chega ao fim. Valeu a pena, não obstante alguma desorganização e o incómodo do calor e da chuva.
«A prática é mais transformadora que a teoria»
Boaventura de Sousa Santos é um português que arrasta pequenas multidões no Fórum. Para defender que é preciso "actuar hoje, amanhã pode ser tarde"
"Há uma necessidade de urgência de actuar hoje, porque amanhã pode ser tarde demais", alertou ontem o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, numa das suas intervenções no Fórum Social Mundial, em Belém do Pará.
Perante umas três centenas de pessoas, muitas em pé e fora da tenda onde decorria o debate sobre "Diversidades e mudanças civilizacionais – a utopia do século XXI?", Sousa Santos defendeu a necessidade de combater "o nosso inimigo interno, a cabeça". Segundo o sociólogo, "a prática é mais transformadora que a teoria, a teoria tem de ir atrás", uma sugestão que motivou fortes aplausos, de uma assistência rendida desde o primeiro minuto.
Boaventura de Sousa Santos entende que "as utopias constroem-se no concreto" e que os movimentos progressistas devem adoptar "as línguas que não sejam colonialistas". Mas para concretizar estas utopias, o caminho tem de ser mais realista. "Antes tínhamos um instrumento, a revolução. Esse modelo falhou, fez mudanças rápidas, mas não fez a mudança civilizacional." E o Fórum tem de tornar mais visíveis as suas propostas, para que o mundo as conheça, defendeu.
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 31-01-2009



Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)
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Fórum Social Mundial 2009: O continente mais cristão é aquele que menos partilha o pão
O continente mais cristão é aquele que menos partilha o pão
João Paulo II foi citado numa noite em que a palavra socialismo rimou com eficiência e contra o imperialismo. Cinco presidentes latino-americanos estiveram no Fórum
A América Latina vive um "paradoxo", para o Presidente equatoriano Rafael Correa: "Ser o continente mais cristão e ter a maior exploração [de trabalhadores] no mundo." E ilustrou: "Jesus Cristo partilhou o pão, mas este continente não partilha o pão."
A noite de quinta-feira (já madrugada de sexta-feira em Portugal) era de festa, muita festa, um comício travestido de conferência. No Hangar – Centro de Convenções de Belém, no Pará, os participantes do Fórum Social Mundial acolheram em euforia cinco presidentes latino-americanos: Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, e o anfitrião Lula da Silva.
A palavra socialismo foi das mais ouvidas na noite e rimou com justiça e "muito mais eficiência", como disse o mesmo Correa. Que explicou então as suas ideias com as palavras de João Paulo II: "O trabalho humano tem de estar acima da economia", como defendeu o Papa polaco. "A economia tem de ser centrada no trabalho humano e não o trabalho humano centrado na economia", sublinhou.
Já Lula da Silva acabaria por recordar o teólogo Leonardo Boff, para dizer que "está provado que Deus escreve crise por linhas tortas. Agora, a crise é deles, não é nossa", é dos países ricos, disse o Presidente brasileiro. "Durante 20 anos venderam-nos a ideia que o Estado não prestava, o deus-mercado resolvia tudo. Agora ele quebrou." Mas Lula entende que esta crise "é também uma oportunidade para mudar a política". Há 100 mil participantes do Fórum que entendem o mesmo.
Semelhanças entre África e Américas
A América Latina vive um "paradoxo", para o Presidente equatoriano Rafael Correa: "Ser o continente mais cristão e ter a maior exploração [de trabalhadores] no mundo." E ilustrou: "Jesus Cristo partilhou o pão, mas este continente não partilha o pão."
A noite de quinta-feira (já madrugada de sexta-feira em Portugal) era de festa, muita festa, um comício travestido de conferência. No Hangar – Centro de Convenções de Belém, no Pará, os participantes do Fórum Social Mundial acolheram em euforia cinco presidentes latino-americanos: Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, e o anfitrião Lula da Silva.
A palavra socialismo foi das mais ouvidas na noite e rimou com justiça e "muito mais eficiência", como disse o mesmo Correa. Que explicou então as suas ideias com as palavras de João Paulo II: "O trabalho humano tem de estar acima da economia", como defendeu o Papa polaco. "A economia tem de ser centrada no trabalho humano e não o trabalho humano centrado na economia", sublinhou.
Já Lula da Silva acabaria por recordar o teólogo Leonardo Boff, para dizer que "está provado que Deus escreve crise por linhas tortas. Agora, a crise é deles, não é nossa", é dos países ricos, disse o Presidente brasileiro. "Durante 20 anos venderam-nos a ideia que o Estado não prestava, o deus-mercado resolvia tudo. Agora ele quebrou." Mas Lula entende que esta crise "é também uma oportunidade para mudar a política". Há 100 mil participantes do Fórum que entendem o mesmo.
Semelhanças entre África e AméricasMissionários da Consolata levam "retratos da sabedoria" de povos da Colômbia, Brasil e Moçambique ao fórum, "como garantia de sobrevivência do planeta e da humanidade"
"Ainda não encontrei nada neste fórum que não esteja enunciado neste livro, «Biosofia e Bioesfera Xirima»", Afirmou José Frizzi a mais de meia centena de participantes no painel que os Missionários da Consolata promoveram no fórum. Há 38 anos em Maúa, Niassa, Moçambique o missionário apresentou diversos volumes sobre costumes, cultura e religião do povo makua.
José Frizzi sublinhou a importância do conhecimento da língua e interrogou: "Com quem está a dialogar quem transmite a cultura numa língua estrangeira?". Para acrescentar: "É necessário transmiti-la na língua materna". O missionário criou o Centro de Cultura Makua, começando pelo estudo aprofundado da língua xirima. "Sente-se a necessidade de democratizar a palavra", em vista de "um futuro eco e eticamente mais consistente".
Os dois termos escolhidos para título da obra que apresentou: "biosofia e biosesfera", sublinham "o valor cardeal da vida na etnia makua", uma das poucas tribos em que predomina o maternalismo. O mito central da cultura makua ensina que "tudo vem do útero materno de Deus", explicou o missionário.
Em seguida o missionário mostrou como o makua aponta "critérios de diálogo cultural, para valorizar a alteridade". E explicou com o exemplo do camaleão, como paradigma da alteridade. Este animal tem uma simbologia diferente da nossa na cultura makua. E explicou: "O camaleão sai de casa lenta e cautamente para a descoberta do outro". Em seguida "vira os olhos em todas as direcções para conhecer o mundo. Precisa de espaço".
Pouco a pouco o camaleão "muda de cor e assume a cor do ambiente que o rodeia". E explica: "Adapta-se ao ambiente, mas garante a sua identidade". E continuou a apresentar a lição que a cultura consegue colher da maneira de estar deste pequeno animal. A terminar reproduziu algumas perguntas que a cultura makua faz, tendo sempre a água como resposta. "A verdadeira riqueza de Deus é a água".
O painel debateu ainda a cultura e vida dos povos da Raposa Serra do Sol, de Roraima, Brasil, assim como o povo Nasa da Colômbia. Tratou-se de um painel muito concorrido, numa sala da Universidade Federal, e que suscitou muito interesse na assembleia, composta por ouvintes de várias idades e proveniências.
Chavez foi vedeta entre presidentesSindicalistas convidam quatro presidentes para o fórum
Teceram louvores ao socialismo contra o imperialismo Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, Evo Morales, da Bolívia, e Hugo Chavez, da Venezuela. A presença dos quatro presidentes latino-americanos no fórum de Belém, pela primeira vez, foi um espectáculo de música e cor. Aliás o próprio discurso de cada um foi nessa linha, em que Hugo Chavez é mestre.
O fórum é um evento vedado aos políticos como tal, mas onde podem estar presentes como qualquer outro cidadão. Convidados pelo movimento sindical brasileiro, os quatro presidentes aproveitaram bem a circunstância que lhes foi oferecida, para desenvolver o seu pensamento sobre a integração popular no caminho da América Latina.
No uso da palavra todos os presidentes se apoderaram, de algum modo, dos temas e lutas próprios do fórum social, como a luta contra a escravidão, neocolonialismo, contra a pobreza, a luta das mulheres latino-americanas. De certo modo verifica-se uma luta pela apropriação de temas que são património dos nove fóruns já realizados.
Aliás, o governo brasileiro está a aproveitar o fórum para transmitir aos participantes uma imagem positiva do seu trabalho, procurando justificar causas que são polémicas e Contestadas pró diversos grupos. Não faltam cartazes bem elucidativos desta política.
No final do dia, 29 de Janeiro, o presidente Lula juntou à sua volta os outros quatro presidentes, num encontro com o público, para mais uma vez apregoar a solidariedade internacional dos povos latino-americanos.
Teceram louvores ao socialismo contra o imperialismo Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, Evo Morales, da Bolívia, e Hugo Chavez, da Venezuela. A presença dos quatro presidentes latino-americanos no fórum de Belém, pela primeira vez, foi um espectáculo de música e cor. Aliás o próprio discurso de cada um foi nessa linha, em que Hugo Chavez é mestre.
O fórum é um evento vedado aos políticos como tal, mas onde podem estar presentes como qualquer outro cidadão. Convidados pelo movimento sindical brasileiro, os quatro presidentes aproveitaram bem a circunstância que lhes foi oferecida, para desenvolver o seu pensamento sobre a integração popular no caminho da América Latina.
No uso da palavra todos os presidentes se apoderaram, de algum modo, dos temas e lutas próprios do fórum social, como a luta contra a escravidão, neocolonialismo, contra a pobreza, a luta das mulheres latino-americanas. De certo modo verifica-se uma luta pela apropriação de temas que são património dos nove fóruns já realizados.
Aliás, o governo brasileiro está a aproveitar o fórum para transmitir aos participantes uma imagem positiva do seu trabalho, procurando justificar causas que são polémicas e Contestadas pró diversos grupos. Não faltam cartazes bem elucidativos desta política.
No final do dia, 29 de Janeiro, o presidente Lula juntou à sua volta os outros quatro presidentes, num encontro com o público, para mais uma vez apregoar a solidariedade internacional dos povos latino-americanos.
Outra economia é possívelTrês pavilhões e vários standes na margem esquerda do rio que atravessa o recinto do fórum albergam dezenas de lojas de comércio équo, sob a designação de economia solidária
Francisco Cardoso, de 73 anos, com a Beatriz estão à frente do stande de uma associação da ilha de São Mateus e Cafezal, no Pará, junto da ilha de Marajó. Os associados fabricam objectos de barro, que têm "as sementes de árvores deixadas pela maré. "A Amazónia está em grande sofrimento", explica Francisco. "Os barcos estão a destruir, com a força das ondas, árvores e terreno, sobretudo a argila".A associação Agro-Extrativista Natureza e Arte foi fundada há três anos, para promover a inclusão social. Está voltada para as pessoas idosas e, sobretudo, para adolescentes. "São jovens que se encontram pelas esquinas e damos-lhe ocupação", explica Francisco, reeleito coordenador da associação. "Assim evitamos que vão para a criminalidade".A associação não tem fins lucrativos. Fazem peças de barro a partir de "sementes de jupati, pikiá, maniuera, pitaica e andiroba". O trabalho não é pago. Em cada cinco peças que confeccionam, os artistas levam três para vender. As outras duas ficam para a associação, que as coloca no mercado e no museu Emílio Guedes. A associação conta 240 famílias associadas, que pagam uma jóia mensal de três reais.
Consolata apresenta actividades no fórum
Francisco Cardoso, de 73 anos, com a Beatriz estão à frente do stande de uma associação da ilha de São Mateus e Cafezal, no Pará, junto da ilha de Marajó. Os associados fabricam objectos de barro, que têm "as sementes de árvores deixadas pela maré. "A Amazónia está em grande sofrimento", explica Francisco. "Os barcos estão a destruir, com a força das ondas, árvores e terreno, sobretudo a argila".A associação Agro-Extrativista Natureza e Arte foi fundada há três anos, para promover a inclusão social. Está voltada para as pessoas idosas e, sobretudo, para adolescentes. "São jovens que se encontram pelas esquinas e damos-lhe ocupação", explica Francisco, reeleito coordenador da associação. "Assim evitamos que vão para a criminalidade".A associação não tem fins lucrativos. Fazem peças de barro a partir de "sementes de jupati, pikiá, maniuera, pitaica e andiroba". O trabalho não é pago. Em cada cinco peças que confeccionam, os artistas levam três para vender. As outras duas ficam para a associação, que as coloca no mercado e no museu Emílio Guedes. A associação conta 240 famílias associadas, que pagam uma jóia mensal de três reais.
Consolata apresenta actividades no fórumMais de cem mil participantes percorrem os espaços das Universidades Federal e Agrária de Belém. São milhares de stands com as mais variadas propostas de causas e lutas
Na área 17, na Universidade Federal da Amazónia, um punhado de missionários e missionárias da Consolata aborda os passantes, responde a interpelações e distribui desdobráveis e cdês. O projecto da água, no Quénia, e a escola de artes, em Moçambique são as actividades que "maior interesse despertam", explica António Fernandes, missionário da Consolata, o promotor da participação no fórum. São seis dezenas entre missionários, missionárias e leigos.António Fernandes, conselheiro da Consolata para as Américas, explica que esta participação pretende "dar a conhecer o trabalho dos missionários e missionárias com os diversos povos". As visitas ao stand têm sido muitas, com um bom acolhimento. Os missionários estão a "mostrar um caminho de interacção com os povos". São projectos interessantes e solidários. "Ainda há pouco estive com três ou quatro professores que ficaram encantados e desejam levar os projectos às suas escolas".Além disso os missionários pretendem "dar a conhecer o Instituto e os povos com quem trabalham". Assim a 30 de Janeiro terão uma mesa-redonda para apresentar as experiências desta interação". Para isso estarão presentes missionários que estiverem no desenvolvimento dos projectos, tanto de África como da Colômbia.Seis dezenas de missionários, missionárias e leigos da Consolata que participam nas actividades do fórum. É uma boa oportunidade para "tomar consciência de que o Reino de Deus se constrói com muitas outras experiências de vários âmbitos, de fora e de dentro da Igreja", explica António Fernandes. "Aprender com essas experiências e, quem sabe, apropriar-se de algumas delas no âmbito religioso, ecológico e social". Por outro lado o conselheiro geral da Consolata espera que os participantes "levam essa experiência para os seus grupos de trabalho". Sonha que, um dia, a proporção dos participantes se possa inverter: "um missionário acompanhado de quatro ou cinco leigos com quem trabalhamos".
Cinco quilómetros de marcha e muita chuva
Cinco quilómetros de marcha e muita chuva
A marcha de abertura do Fórum Social Mundial de 2009 paralisou o trânsito no centro histórico de Belém. A chuva torrencial, que se abateu sobre a cidade, mais pareceu uma bênção do que um estorvo
Nuvens negras toldavam o céu. "Vai chover, amigo?", perguntei ao guarda da casa onde moro estes dias, em Icoarací, antes de entrar para o autocarro que me haveria de conduzir ao cais do porto, junto ao mercado Ver-o-Peso. O indivíduo levanta o braço e olha para o relógio: "Lá para as quatro", responde num tom seguro. Os manifestantes dirigem-se aos milhares com as suas bandeiras e faixas, que dão um tom colorido e alegre à cidade. O trânsito torna-se cada vez mais difícil à medida que nos vamos aproximando do local onde terá início, às 16 horas, a marcha em direcção à Praça do Operário, em frente do Centro Rodoviário. O céu ameaça abrir-se. As colunas de som alternam cânticos com slogans. A longa coluna humana começa a mover-se e a chuva começa a cair torrencialmente durante cerca de uma hora.Bandeiras e faixas coloridas desfilam pelas ruas da cidade, mostrando lutas vivas do povo: de organizações e grupos que estarão presentes no fórum com os mais diversos meios para dar a conhecer as suas causas. Distribuem-se folhetos onde se explicam as razões e objectivos de tantas lutas e sacrifícios. Em vez de fazer esmorecer o entusiasmo, a chuva parece fazer aumentar o entusiasmo e a alegria. De vez em quando os organizadores da marcha cortam o cortejo para deixar passar o trânsito que entretanto se tornou caótico. Nas ruas que conduzem ao percurso da marcha acumula-se a polícia que de uma maneira discreta e distante, mas atenta, segue o desenrolar dos acontecimentos.Passadas cerca de duas horas, a manifestação está na Praça do Operário e começa o espectáculo. Os numerosos povos índios, do Brasil e dos países vizinhos sobem ao palco para exibirem as suas danças e fazerem as suas revindicações: "Hoje é dia de alegria, mas todos os dias são dias dos índios", clama o apresentador. O tempo torna-se curto e os grupos passam apenas a dizer o seu nome e donde são. Pouco a pouco cai a noite e os manifestantes começam a abandonar o local. Começou o Fórum Social Mundial 2009, em Belém, no Pará, Brasil.
A chuva desabou na cidade mas não esmoreceu a festa
Na abertura do evento, a festa fez-se numa "grande caminhada" pelas ruas da capital paraense. Mas ninguém arredou pé
O céu desabou sobre Belém do Pará na abertura do Fórum Social Mundial, quando os quase 100 mil participantes desfilaram pelas ruas do Cais do Porto à Praça do Operário, onde os povos indígenas dirigiram a festa final. Sob uma bandeira enorme contra o trabalho escravo, muitos ajudaram a subir o pano para abrigar todos os que procuravam proteger-se da água que caía aos magotes. Ali debaixo nascia uma confraternização informal. Outros, muitos outros, optaram por seguir caminho com a festa a acontecer à chuva – dança, cantigas, palavras de ordem, cartazes que iam da pequena reivindicação de um bairro ou de uma cidade até à quase utopia da "aldeia da paz". Partidos políticos, comissões locais, sindicatos, movimentos internacionais, organizações religiosas, representantes de povos indígenas, grupos de animação cultural ou manifestantes isolados com pedidos particulares, velhos e novos, a polícia à margem, todos cabiam no desfile, todos cabem no Fórum.Esta quarta-feira arrancam os debates e as sessões temáticas nos dois espaços nobres do Fórum – a Universidade Federal e a Universidade Rural. Mas, como se orgulham as autoridades, todo o Pará "é território do Fórum Social Mundial". A chuva há-de voltar, à tarde.
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 28-01-2009
Nuvens negras toldavam o céu. "Vai chover, amigo?", perguntei ao guarda da casa onde moro estes dias, em Icoarací, antes de entrar para o autocarro que me haveria de conduzir ao cais do porto, junto ao mercado Ver-o-Peso. O indivíduo levanta o braço e olha para o relógio: "Lá para as quatro", responde num tom seguro. Os manifestantes dirigem-se aos milhares com as suas bandeiras e faixas, que dão um tom colorido e alegre à cidade. O trânsito torna-se cada vez mais difícil à medida que nos vamos aproximando do local onde terá início, às 16 horas, a marcha em direcção à Praça do Operário, em frente do Centro Rodoviário. O céu ameaça abrir-se. As colunas de som alternam cânticos com slogans. A longa coluna humana começa a mover-se e a chuva começa a cair torrencialmente durante cerca de uma hora.Bandeiras e faixas coloridas desfilam pelas ruas da cidade, mostrando lutas vivas do povo: de organizações e grupos que estarão presentes no fórum com os mais diversos meios para dar a conhecer as suas causas. Distribuem-se folhetos onde se explicam as razões e objectivos de tantas lutas e sacrifícios. Em vez de fazer esmorecer o entusiasmo, a chuva parece fazer aumentar o entusiasmo e a alegria. De vez em quando os organizadores da marcha cortam o cortejo para deixar passar o trânsito que entretanto se tornou caótico. Nas ruas que conduzem ao percurso da marcha acumula-se a polícia que de uma maneira discreta e distante, mas atenta, segue o desenrolar dos acontecimentos.Passadas cerca de duas horas, a manifestação está na Praça do Operário e começa o espectáculo. Os numerosos povos índios, do Brasil e dos países vizinhos sobem ao palco para exibirem as suas danças e fazerem as suas revindicações: "Hoje é dia de alegria, mas todos os dias são dias dos índios", clama o apresentador. O tempo torna-se curto e os grupos passam apenas a dizer o seu nome e donde são. Pouco a pouco cai a noite e os manifestantes começam a abandonar o local. Começou o Fórum Social Mundial 2009, em Belém, no Pará, Brasil.
A chuva desabou na cidade mas não esmoreceu a festaNa abertura do evento, a festa fez-se numa "grande caminhada" pelas ruas da capital paraense. Mas ninguém arredou pé
O céu desabou sobre Belém do Pará na abertura do Fórum Social Mundial, quando os quase 100 mil participantes desfilaram pelas ruas do Cais do Porto à Praça do Operário, onde os povos indígenas dirigiram a festa final. Sob uma bandeira enorme contra o trabalho escravo, muitos ajudaram a subir o pano para abrigar todos os que procuravam proteger-se da água que caía aos magotes. Ali debaixo nascia uma confraternização informal. Outros, muitos outros, optaram por seguir caminho com a festa a acontecer à chuva – dança, cantigas, palavras de ordem, cartazes que iam da pequena reivindicação de um bairro ou de uma cidade até à quase utopia da "aldeia da paz". Partidos políticos, comissões locais, sindicatos, movimentos internacionais, organizações religiosas, representantes de povos indígenas, grupos de animação cultural ou manifestantes isolados com pedidos particulares, velhos e novos, a polícia à margem, todos cabiam no desfile, todos cabem no Fórum.Esta quarta-feira arrancam os debates e as sessões temáticas nos dois espaços nobres do Fórum – a Universidade Federal e a Universidade Rural. Mas, como se orgulham as autoridades, todo o Pará "é território do Fórum Social Mundial". A chuva há-de voltar, à tarde.
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 28-01-2009
Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)
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Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)
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Fórum Social Mundial 2009: Seis dias por um outro mundo

Hoje é a grande caminhada em Belém, a abertura do evento que diz que "um outro mundo é possível"
Arranca esta terça-feira o Fórum Social Mundial (FSM) na capital do Estado brasileiro do Pará. Belém apresenta-se como o "território do FSM" e como tal é hoje palco da abertura com uma grande caminhada que arranca do Cais do Porto, local vivo da cidade, até à Praça do Operário. Serão 100 mil participantes convidados a participarem com "suas cores e símbolos", marcando a chegada do FSM de terras de África à Amazónia.
Cada dia é tempo de celebrar diferentes motivos: a 28, primeiro dia para as mais de 2400 actividades previstas, a Pan-Amazónia é debatida sob os 11 objectivos a que se propõe o FSM – e entre estes um conjunto deles que entroncam na actual crise mundial, como o "acesso universal e sustentável dos bens comuns da humanidade e da natureza" ou o "cancelamento da dívida externa dos países mais desfavorecidos".
No final, domingo, 1 de Fevereiro, é o dia das alianças. No fundo, traduzir as convergências possíveis entre os milhares de participantes e organizações sociais presentes. Num primeiro momento, diferentes assembleias sectoriais entre "redes com temas e lutas afins" definirão "propostas concretas sobre as campanhas, manifestações ou qualquer outra actividade". Depois, num segundo momento, tem lugar um grande evento, a "assembleia das assembleias", para apresentar os resultados finais. Porque, acreditam os promotores e participantes deste FSM, "outro mundo é possível".
Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 27-01-2009
NOTA: Amanhã, 01 de Fevereiro é dia das alianças
Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)
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