Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ambiente. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia Mundial do Ambiente - POR AMOR AO PLANETA!!!

POR AMOR AO PLANETA!!!

É por Amor ao Planeta...
... esta "sementeira de palavras"...
Estéreis ou não, o tempo o dirá!
Acredito na germinação das sementes.

Abraço da amiga
CL Maria Teresa Correia

Toda a verdade inédita começa como heresia e acaba como ortodoxia
Thomas Huxely


edição 1299 do JORNAL DE LEIRIA
de 04 de Junho de 2009

" Amanhã, dia 5 de Junho, comemora-se mais um Dia Mundial do Ambiente. Instituído pela Organização das Nações Unidas, tem como objectivo recordar às populações que os recursos naturais à disposição são limitados e que existe a necessidade de salvaguardar a sobrevivência das futuras gerações.

Temos como biocombustíveis, energias renováveis, reciclagem e desenvolvimento sustentável entraram há muito no vocabulário dos cidadãos e ganham cada vez mais peso nas decisões da classe política. Assim o JORNAL DE LEIRIA decidiu dar o seu contributo para o esclarecimento de algumas questões. Aqui recomendamos experiências ambientais bem sucedidas, como o Projecto Eco-Escolas. Mostramos como pode poupar se aproveitar todos os recursos naturais que tem à disposição, que destino dar a "veículos em fim de vida" e, sobretudo, relembrarmos a necessidade de reciclar, mostrando como são tratados os resíduos produzidos no distrito de Leiria. Tudo isto porque, não é demais lembrar, o futuro do planeta passa pelos gestos simples de cada dia.

No dia Mundial do Ambiente vale a pena recordar o protocolo de Quioto, ractificado por Portugal, que impõe ao país reduzir a emissão de dióxido de carbono. Como 2015 está ao virar da esquina, fomos descobrir o contributo que a região têm dado para alcançar essa meta, e o que ainda falta fazer.

O jornal comemora este dia com mais um caderno acerca desta temática. No ano passado contámos com a colaboração dos Jovens Repórteres do colégio Dr. Luís Pereira Costa, como a experiência foi bem sucedida, resolvemos repetir...

São eles Maria Inês, Eliana, Vanessa, Andreia e André. (in pg.2 do suplemento)"

_____________________________________________________________________

Também o Lions Clubs Insternacional adoptou em Outubro de 1972 a DECLARAÇÃO SOBRE O MEIO AMBIENTE, assim:

Declaração sobre o Meio Ambiente
A seguinte declaração sobre o Meio Ambiente foi adoptada pela Directoria Internacional da Associação em Outubro de 1972.
Lions Clubs Internacional, reconhecendo o profundo impacto das actividades do homem nas inter-relacções de todos os componentes do meio ambiente natural, em particular a urbanização em alta densidade, expansão industrial, exploração de recursos, novos e crescentes progressos tecnológicos e reconhecendo ainda a importância máxima de restaurar e manter a qualidade do meio ambiente para o bem-estar geral e desenvolvimento do homem, declara que será um ideal contínuo de Lions Clubs Internacional fomentar e promover o bem-estar geral; ajudar a criar e manter condições sob as quais o homem e a natureza possam existir em produtiva harmonia e preencher os requisitos sociais, económicos e outros, das gerações humanas, presente e futuras.
Para alcançar este objectivo do meio ambiente, será necessária a aceitação da responsabilidade pelos cidadãos e pelas comunidades e também pelas empresas e instituições de todos os níveis, todos participando equitativamente em esforços comuns. Indivíduos de todas as camadas sociais, bem como organizações em diversos campos de actividade, por seus valores e soma de suas acções, modelarão o meio ambiente mundial do futuro. Governos locais e nacionais arcarão com as maiores responsabilidades na execução de uma política de acção em prol do meio ambiente dentro de suas jurisdições. Uma crescente classe de problemas ambientais, devido à sua dimensão regional ou global, ou porque afetam o domínio internacional comum, exigirá ampla cooperação entre as nações e acção por parte de organizações internacionais em benefício do interesse comum.
O Lions é uma dessas organizações internacionais que deve reunir esforços em prol da preservação e melhoramento do meio ambiente visando o benefício de todos os povos e da posteridade.

Adotado pela Directoria de Lions Clubs Internacional
Outubro de 1972

quinta-feira, 26 de março de 2009

Rios voadores

Eu não sei (nem consegui comprovar) se o Brasil participará dos debates programados para a Feira do Desenvolvimento, a se realizar durante a Feira Internacional de Lisbôa, nos dias 28 e 29 de abril próximos.

O tema que dominará o encontro leva o título de ”Por um mundo sustentável, Desenvolvimento e Recursos”. Tenho certeza de que o nosso país poderá dar uma contribuição inestimável para o enriquecimento dos debates. Os exemplos se sucedem e aqui está um deles.

Depois de percorrerem por um ano e meio a trajetória dos vapores de água que saem da bacia amazônica e distribuem umidade para o sul e o sudeste do Brasil, o casal Gérard e Margi Moss e a equipe científica que os acompanhou comprovaram que preservar a floresta é uma questão de sobrevivência para o país

“De onde vem a nossa água?” Essa foi a pergunta que motivou o casal Gérard e Margi Moss a começar a terceira fase do projeto Brasil das Águas - depois de terem realizado um estudo completo sobre a qualidade das águas brasileiras na primeira etapa e feito um trabalho de conscientização com a população ribeirinha sobre a importância da preservação dos rios.
De agosto de 2007 a março deste ano, eles percorreram, em seu avião monomotor, juntamente com uma equipe de especialistas do CENA – Centro de Energia Nuclear e do CPTEC/INPE – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a trajetória dos vapores de água que saem do Oceano Atlântico, chegam à Amazônia, são “reciclados” e distribuídos para o restante do território brasileiro e da América Latina, até o limite da cordilheira dos Andes. Batizadas de Rios Voadores, essas correntes de vapor d’água também deram nome ao projeto.
A bordo, nas doze expedições realizadas, ia também um equipamento com tecnologia inovadora, desenvolvido pelo CENA, que coletava amostras de vapor d’água, transformando-as em gotículas, que eram posteriormente analisadas por uma equipe de cientistas e acabaram por responder à pergunta inicial.
O trabalho é pioneiro no mundo e ajudam a aumentar o entendimento sobre os processos meteorológicos, assunto ainda pouco estudado no Brasil. Com a quantidade de dados coletados nas mais de 1000 amostras de gotículas de água durante um ano e meio de trabalho, ainda é possível se chegar a muitas conclusões daqui em diante. De todo modo, os primeiros resultados são claros ao revelar os impactos que a existência da floresta amazônica exerce sobre o clima e a quantidade de chuvas no restante do país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, assim como em outros países da América do Sul.
O CAMINHO DOS RIOS VOADORES
Engana-se quem pensa que as chuvas que ocorrem no Brasil são provenientes apenas da umidade que vem do oceano Atlântico e se condensa no continente. Boa parte delas se origina da evaporação e da transpiração da floresta amazônica, que formam uma quantidade enorme de vapor de água que se desloca da região Norte até o Sul do país.
Funciona assim: os ventos alísios empurram a umidade vinda do Atlântico para a Amazônia e provocam chuvas na região. Do total de chuvas, 25% alimentam os igarapés, 25% são retidos pelas folhas e 50% são absorvidos pelas árvores – esses últimos 75% voltam para a atmosfera em forma de vapor d’água, por meio da evaporação e da transpiração.
Esses vapores são transportados pelos ventos até a cordilheira andina, que funciona como uma barreira natural e redireciona o percurso da umidade para o Norte da Argentina, o Uruguai, o Sul e o Sudeste do Brasil.
O volume de vapor d’água produzido pela floresta é imenso – cada árvore de grande porte “evapotranspira” até 300 litros de água por dia! No total, são cerca de 20 bilhões de litros de água lançados na atmosfera todos os dias pela Amazônia, mais do que a vazão do Rio Amazonas – o maior rio do planeta!
Em uma das expedições, Gerard e sua equipe conseguiram acompanhar o percurso de um rio voador desde Belém até a cidade de São Paulo. Desta vez, 3.200 m³ de água eram transportados por segundo da Amazônia até a capital paulista. Em um dia, esse rio voador levou a São Paulo um volume de vapor igual ao consumo de água dos paulistanos por 115 dias ou a 27 vezes a vazão do Rio Tietê.
Os estudos ainda não determinaram quantas vezes por ano um rio voador passa pelas cidades brasileiras, de todo modo, sempre que esses rios voadores estão na atmosfera, o volume de vapor d’água e o potencial para a ocorrência de chuvas ficam bem superiores à média dos dias em que eles não estão presentes e a umidade resulta apenas das correntes que vêm do oceano.
O MAL DO DESMATAMENTO
O projeto também constatou que a Amazônia, cujo território corresponde a 56% das florestas tropicais da Terra, ameniza o aquecimento do ar, já que 40% dos raios solares que incidem sobre ela são utilizados para a evaporação da água. Quanto menor a quantidade de árvores, mais raios solares servirão para esquentar o ar.
A existência da floresta ainda é o que proporciona uma melhor distribuição da umidade do ar ao longo do ano. Isso porque, em dias em que pouca quantidade de vapor d’água entra no continente, as raízes das árvores amazônicas buscam água subterrânea e mantêm seu nível de transpiração, garantindo que os rios voadores continuem a cumprir sua trajetória. Esse fenômeno não acontece com as árvores das regiões de pasto, que tem raízes menos profundas e sofrem com a estiagem.
Os Rios Voadores constataram que o Pantanal também é uma região que recicla os vapores de água, já que 85% das chuvas que caem ali retornam para a atmosfera por meio da “evapotranspiração” – os outros 15% alimentam o rio Paraná. Essa umidade chega a São Paulo em cerca de 24 horas e pode fazer chover na cidade.
Ainda não é possível prever exatamente o que aconteceria com o Sul e o Sudeste brasileiros com a degradação das florestas – nos últimos 30 anos, cerca de 600 mil quilômetros foram desmatados na Amazônia – , mas é certo que isso aumentará a incidência de eventos extremos, como grandes tempestades e fortes secas."

César Salazar Pimenta
Belém - Brasil

Ambiente

Este suplemento faz parte integrante da edição 1287 do JORNAL DE LEIRIA, de 12 de Março de 2009 e não pode ser vendido separadamente

terça-feira, 10 de março de 2009

Clima: Subida do nível do mar pode ser duas vezes maior que o antecipado - especialistas

10 de Março de 2009, 16:03

Copenhaga, 10 Mar (Lusa) - Especialistas em alterações climáticas advertiram hoje que os estudos mais recentes sobre o aquecimento global revelam que a subida do nível do mar até ao final deste século poderá ser duas vezes maior que o anteriormente projectado.

Em vez das previsões de uma subida do nível do mar de entre 18 a 59 centímetros até ao final do século admitidas no relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) publicado em 2007, os especialistas, reunidos a partir de hoje num congresso em Copenhaga, passaram admitir uma subida dos oceanos que poderá ultrapassar um metro e não deverá nunca ser inferior a 50 centímetros.

O alerta foi lançado na primeira sessão de trabalho do congresso "Alterações Climáticas: Riscos Globais, Desafios e Decisões", que decorre até quinta-feira na Universidade de Copenhaga como preparação para a "cimeira" do clima, que terá lugar também na capital dinamarquesa em Dezembro para tentar encontrar um acordo global sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa para suceder ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

Um comunicado da organização do congresso - que integra 10 Universidades - diz que os novos números, resultantes de estudos mais aprofundados sobre o impacto do aquecimento global, "significam que se as emissões de gases com efeito de estufa não forem reduzidas rápida e substancialmente, até no melhor cenário a subida do nível do mar atingirá zonas costeiras onde habita cerca de um décimo da população mundial".

A aceleração da fusão de gelos polares e de glaciares devido ao aquecimento global são dois dos principais factores do agravamento das previsões sobre a subida do vível do mar.

Até quinta-feira, serão apresentados no congresso de Copenhaga - que reúne climatologistas, meteorologistas e oceanógrafos, mas também epidemiologistas e economistas - cerca de 1.600 relatórios e documentos de trabalho de cientistas de 80 países.

Qual será a extensão e impacto da subida dos oceanos? A armazenagem do carbono no subsolo é uma solução realista? Como adaptar a produção agrícola ao anunciado aquecimento global? Qual será o lugar das energias renováveis num mundo com menos carbono em 2050? Como antecipar a onda dos "refugiados climáticos"? são algumas das questões em debate a partir de hoje em Copenhaga.

As conclusões do congresso - em que participa o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri - serão apresentadas em Dezembro como material de trababalho para a "cimeira do clima" que tentará definir um acordo sucessor do protocolo de Quioto.

Embora as negociações internacionais em curso para encontrar um novo acordo sobre redução das emissões de gases com efeito de estufa enfrentem dificuldades, em particular a questão do financiamento, os objectivos a médio prazo são claros: diminuição em pelo menos 50 por cento das emissões mundiais até 2050, ou seja, uma redução de pelo menos 80 por cento por parte dos países ricos.

JMR.
Lusa/Fim

quinta-feira, 5 de março de 2009

EIDAM - Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia


Questões ambientais serão discutidas no I Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia

O evento internacional acontece no Amapá no período de 04 a 06 de Março, e terá a presença de representantes de vários países.A Floresta Amazônica será durante três dias, tema de discussões durante o I Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia – Eidam, que acontece no Amapá no período de 04 a 06 de março de 2009, no Teatro das Bacabeiras. Esse evento de grande porte está sendo realizado pelo Ministério Público do Estado, em parceria com o Governo do estado do Amapá e Associação Brasileira do Ministério Público Ambiental (Abrampa). O Encontro irá tratar ainda de vários temas ligados a preocupação pela conservação da Floresta, questões ambientais, políticas e sociais, dentre elas, destaca-se o debate sobre a Amazônia, que envolve todos os posicionamentos sobre a solução para a maior floresta tropical do Planeta. Participam do Eidam os seguintes países: Argélia, Alemanha, Costa Rica, Espanha, El Salvador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, França e EUA. O Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia, será voltado para os Promotores de Justiça, Procuradores da República, Juízes, Advogados, Pesquisadores e Cientistas, Policiais, Gestores Públicos com atuação na Amazônia, Empresários que atuam na região, Estudantes de Direito e de áreas afins. Para divulgar o evento, o grupo de trabalho do Eidam criou um site oficial do encontro, onde constam informações de todo evento, bem como a programação, a equipe que está coordenando, inscrições, informações sobre o Estado, entre outros. Os interessados em participar do evento devem inscrever-se no site do Eidam (www.mp.ap.gov.br/portal), até o dia 28 de fevereiro. Os participantes do encontro terão direito a certificados.
Fernanda Picanço Serviço: Ministério Público do Estado do Amapá Assessoria de Imprensa do Evento: (96)9134-0130/ 8135-4065 Fernanda_olipi@yahoo.com.br
Autor: Fernanda Picanço
EIDAM - Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia

No mês de março, a capital amapaense será foco de discussões sobre meio ambiente e crise econômica internacional

Juliane Schlosser
O Ministério Público do Estado do Amapá inicia o ano de 2009 abraçando a causa do meio ambiente. Em parceria com o Governo do Estado e a Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente (Abrampa), realiza o “Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia: Desafios Socioambientais em Tempos de Crise Econômica - EIDAM”, que acontecerá no Teatro das Bacabeiras (Rua Cândido Mendes, s/n°, Centro, Macapá – Amapá), no período de 4 a 6 de março. O objetivo do evento é debater a relação entre a crise econômica mundial e a Amazônia, bem como propor alternativas de desenvolvimento regional com justiça socioambiental para a região.
O encontro visa discutir os problemas atuais e suas conseqüências no futuro da maior floresta tropical remanescente do planeta. Dessa forma, serão realizados sete painéis: “Meio Ambiente e Crise Econômica Mundial”, “Conflitos Socioambientais Contemporâneos”, “Compartilhando Experiências na Promoção da Justiça Socioambiental”, “O Papel do Ministério Público na Promoção da Justiça Socioambiental”, “O Sistema Jurídico e o Direito Ambiental”, “Mecanismos Jurídicos de Promoção de Benefícios de Serviços Ambientais” e “Desafios do Direito Ambiental em Tempo de Mudanças Climáticas”.

Durante as atividades, serão discutidas questões sociais, econômicas, políticas e ambientais, tais como o envolvimento do Ministério Público do Estado do Amapá com o contexto socioambiental, conflitos agrários, desmatamentos versus valorização do meio ambiente, preservação das bacias hidrográficas, atividades de mineração, entre outros temas.

O EIDAM tem como público-alvo os promotores de justiça, procuradores da República, juízes, advogados, pesquisadores, cientistas, policiais, gestores públicos e empresários com atuação na Amazônia, estudantes de Direito e de áreas afins. Vários países terão representantes no encontro, como é o caso dos Estados Unidos, Argélia, Alemanha, Costa Rica, Espanha, El Salvador, Honduras, México, Panamá, Paraguai e França.

As inscrições para o Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia poderão ser realizadas pelo site www.mp.ap.gov.br/eidam ou no local do evento caso haja disponibilidade de vagas. Os valores variam de R$60 a R$250. Estudantes e associados da ABRAMPA (Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente) e da AMPAP (Associação do Ministério Público do Estado de Amapá) têm valores diferenciados (confira tabela completa abaixo).

Motivos para a realização do EIDAM

Com a crise econômica mundial, os investimentos que são aguardados para a Amazônia em relação a projetos de preservação e desenvolvimento sustentável tendem a minguar. O mesmo se aplica em termos regionais, pois os governos e organismos de fomento da região precisam de recursos para apoiar os projetos que busquem o desenvolvimento na região. Hoje, essa situação está prejudicada em função da recessão econômica.

De acordo com a organização do EIDAM, a situação da floresta amazônica pode se tornar mais preocupante em tempos de crise. Desse modo, o encontro propõe algumas medidas que podem ser adotadas como prevenção a esse quadro. Uma atuação vigilante dos órgãos de comando e controle e, em especial, dos Ministérios Públicos na promoção da justiça socioambiental, são decisivos neste momento. Além disso, torna-se cada vez mais necessário o apoio à ciência e à tecnologia.

Nos dias 4, 5 e 6 de março, o EIDAM trará à Amazônia, na confluência da linha do Equador com o Rio Amazonas, algumas das importantes personalidades do Direito Ambiental do mundo para debater soluções que irão repercutir sobre o meio ambiente em geral e, em especial, sobre a maior floresta tropical do planeta. O evento se destaca por privilegiar o compartilhamento de experiências bem sucedidas no Brasil e no Mundo. Isso contribuirá para a ampliação da consciência global acerca dos relevantes serviços ambientais que a floresta presta para o planeta.

O Ministério Público do Estado do Amapá tem sido incansável na defesa do meio ambiente. Dentre as ações que merecem destaque, vale citar o acompanhamento dos processos de licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Estado. A realização do Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia (EIDAM) é outra demonstração de comprometimento do MP-AP com a região.

Credenciamento de imprensa
Com o objetivo de facilitar a entrada dos profissionais da imprensa durante o Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia (EIDAM), o Ministério Público do Amapá fará o credenciamento no período de 18 a 28 de fevereiro. Para se credenciar, o jornalista deve entrar no site no MP (http://www.mp.ap.gov.br/) e clicar no link do evento. Só poderão ser cadastrados quatro profissionais por veículo de comunicação.

SERVIÇO:
EIDAM - Encontro Internacional de Direito Ambiental na Amazônia
Data: 4, 5 e 6 de março
Horário: 8h30 às 20h
Local: Teatro das Bacabeiras (Rua Cândido Mendes, s/n°, Centro, Macapá – Amapá)Mais informações: www.mp.ap.gov.br/eidam

terça-feira, 3 de março de 2009

Ambiente: Carta para os alunos de uma qualquer escola...


jornal do
Centro
Fevereiro 2009

Tema do mês Ambiente
Carta para os alunos de uma qualquer escola...

Estou farto de notícias. Daquelas notícias que as televisões, os jornais e as rádios nos dão sobre o abate de árvores, sobre a poluição e sobre o excesso de carbono na atmosfera.
Estou cheio daqueles discursos muito redondinhos em que mais uma vez vêm pedir às crianças para plantarem mais árvores no dia da floresta, parecendo até que elas são as responsáveis pela situação a que chegámos, ou então que têm a obrigação de salvar o mundo.
Todos falam, falam, falam... mas depois são poucos, mesmo muito poucos, aqueles que se preocupam verdadeiramente com a defesa da nossa floresta.
Até parece que eles não sabem o que têm a fazer!
Apetecia-me, até, pedir-vos para se recusarem a qualquer colaboração com tantas e tantas entidades nacionais e internacionais que dizem que devemos começar por sensibilizar as crianças para este problema. Para salvarmos o planeta.
Vejam bem ao que chegámos!
Então, eles não sabem que se há cidadãos sensibilizados e cumpridores das suas obrigações para com a floresta são as crianças?
Quem nos sensibiliza para fazermos a separação dos lixos em nossas casas? As crianças.
Quem nos alerta para os perigos de uma fogueira na floresta no Verão? As crianças.
Quem nos diz para não atirarmos cigarros pela janela da viatura? As crianças.
Quem nos pede para não deitarmos o lixo na floresta? As crianças.
As crianças. Sempre as crianças!
Aqui para nós: sabem mesmo o que me apetece pedir-vos? Perguntem a todas as entidades públicas da vossa terra o que têm previsto fazer em defesa da floresta, não no dia 21 de Março, mas durante todos os dias do ano.
Eu não sei se eles sabem, mas as árvores e a floresta defendem-se em todos os momentos de todos os dias e de todos os lugares.
Também se defendem na América, não é só no Brasil!
Também se defendem na China, não é só no Brasil!
Também se defendem no Japão, não é só no Brasil!
Também se defendem na Alemanha, não é só no Brasil!
Também se defendem no Reino Unido, não é só no Brasil!
Também...

Bom, mas apesar deste desabafo, deixem-me pedir-vos a vossa colaboração e saudar o cumprimento da vossa missão... Talvez um dia (que não seja tarde demais!) todos percebamos o problema!


Acácio Pinto

Governador Civil do Distrito de Viseu
ed. 363, 27 de Fevereiro de 2009

Amazónia




segunda-feira, 2 de março de 2009

O que faz você pelo Ambiente?

De que forma está a contribuir para a sustentabilidade do planeta?
Vai de autocarro para o trabalho?
Compra alimentos biológicos uma vez por mês?
Escreve na parte de trás das folhas?

Diga-nos, num máximo de mil caracteres, de que forma está a contribuir para a sustentabilidade do planeta.

Envie-nos os seus textos para lcplima@gmail.com

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Brasil quer saber o que está a acontecer às zonas desflorestadas da Amazónia - Comentário

Pimenta disse...
Caríssima dona Maria Tereza,
No meu e-mail de 13 deste mês tive oportunidade de passar à senhora trecho de um artigo de autoria do biólogo e ambientalista João Paulo Capobianco, no qual ele fala justamente nos melhoramentos introduzidos no arsenal de medidas à disposição das autoridades para exercerem um controle melhor sobre a floresta amazónica. Mas, como disse naquela oportunidade, a tarefa é ciclópica. Ciclópica porque os obstáculos a serem transpostos envolvem um sem número de poderosíssimos interesses contraditórios que, no fundo, querem ter como verdade a ótica de cada um dos actores. E ciclópica porque a prática do que precisa ser feito esbarra na limitada capacidade de o país dispor do dinheiro suficiente para a gigantesca tarefa de policiar o território da Amazónia brasileira. Ao que se saiba, os países ricos que, por via transversa, poderiam ser beneficiados com a manutenção da floresta, porque ela é que os está fazendo respirar, conservam-se mudos e calados. Ao que sei, apenas a Noruega mostrou boa vontade em destacar recursos para tal empreendimento. O caso da saída de Marina Silva é emblemático para exibir essa luta de interesses. Segundo o portal Eco Debate, de responsabilidade do ambientalista Henrique Cortez, Marina se desentendeu com vários escalões do governo o mesmo tempo. Diz o portal: "um dos motivos que podem ter levado Marina Silva a ter decidido pedir demissão foi o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter destinado a Roberto Mangabeira Unger, ministro da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, a coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS). A nomeação teria sido a gota d'água. Marina vinha entrando em conflitos com outros ministérios, como a Casa Civil e a Agricultura. O mal-estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em Julho do ano passado, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). O impasse teve início com a cobrança do presidente Lula por mais agilidade nas licenças ambientais concedidas pelo Ministério do Ambiente. Após desentendimentos, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) concedeu licença prévia para as hidrelétricas serem construídas, mas estabeleceu uma série de regras. Para Dilma, o argumento era económico e técnico: as usinas produzirão 6.450 MW - a maior obra de energia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina argumentava, por outro lado, que as hidrelétricas só poderiam sair do papel se ficasse constatado que não iriam trazer prejuízos ambientais à região. Com o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), o desentendimento girava em torno do plantio de cana. Para Marina, Stephanes incentivava o plantio de cana na Amazônia, Pantanal e da mata Atlântica. Stephanes afirmou que foi mal interpretado. Marina também enfrentou problemas com os servidores do Ibama, insatisfeitos com a divisão do órgão e com a criação do Instituto Chico Mendes. A greve foi criticada por Lula."E a polêmica continua, desta vez com o novo Ministro do meio ambiente. Segundo diz o portal Eco Debate, em comentário de 11 deste mês, agora existem três frentes de luta:
l. "A pressa do governo para definir as novas regras para a produção de cana-de-açúcar na Amazónia e a instalação de 82 usinas termelétricas na região até 2017 transformaram-se na mais nova polémica envolvendo ministros de diferentes áreas do governo. O titular da pasta do Meio Ambiente, Carlos Minc, é contra a ampliação do número de usinas térmicas, principalmente as movidas a carvão e óleo diesel, por serem muito poluidoras. Ele também resiste à ampliação do número de áreas na Região Norte para o plantio de cana destinada à produção de álcool combustível por considerar a região imprópria para a atividade - por exigir grandes áreas desmatadas, além da queima do plantio na época da colheita. Matéria de Leonel Rocha, do Correio Braziliense, 10/02/2009. A produção de cana-de-açúcar na Amazónia e a instalação de usinas de álcool combustível na região vêm criando arestas entre os ministros do Meio Ambiente e da Agricultura, Reinhold Stephanes. Minc defende o que ele chama de etanol verde, o álcool combustível produzido dentro de regras ambientalmente correctas, como a colheita da cana sem a utilização de queimadas e o aproveitamento do vinhoto, o subproduto do etanol, como fertilizante, para evitar que seja jogado nos rios. "Nós teremos 5,5 milhões de hectares de cana, de áreas sem queimadas e aproveitando o vinhoto - que era jogado no rio - para fazer fertilizante", prometeu o ministro. Desde que assumiu o cargo, Stephanes defende uma maior destinação de áreas na Amazónia para o plantio de cana-de-açúcar. Ele argumenta que grandes áreas já desmatadas na região podem ser aproveitadas nesse tipo de plantio para a produção de álcool. Fontes do Ministério da Agricultura temem que as fortes restrições defendidas por Minc na aprovação do Zoneamento Económico Ecológico (ZEE) para a Região Norte possam conter ainda mais o crescimento da produção agrícola na região. Para todo o país, a previsão do Ministério da Agricultura é de uma queda de 8,4% no volume a ser colhido até o fim do ano - em comparação ao ano passado.
2. A outra frente de polémica do ministro Minc é com o seu colega de Minas e Energia, Edison Lobão. As novas termelétricas programadas para serem instaladas na Amazónia estão previstas no Plano Decenal de Expansão de Energia lançado pelo governo em Dezembro. Lobão defende a instalação das térmicas alegando que o país não pode correr o risco de ficar sem energia suficiente para manter o crescimento económico. Minc teme que, com tantas usinas poluidoras, o país possa adoptar uma política para o sector de energia contraditória ao Plano de Mudanças Climáticas anunciado pelo governo no ano passado.
3. Uma proposta de redução de prazos no rito para a emissão de licenças ambientais de grandes obras na Amazónia, em estudo pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, criou uma terceira frente de polémica. Redigido em forma de minuta de decreto para ser assinado pelo presidente Lula, o texto altera o decreto original que estabelece as regras para a emissão de licenças de instalação e funcionamento das obras de infra-estrutura e desagradou ao ministro da área, que considera a mudança "desastrosa". Afinal, a floresta pode ou não pode conviver com todos esses interesses, cada um de per si? Será que a verdade de cada um actores será superior a uma verdade que contemple a verdade de um todo? Essa é a grande indagação.
SDS Pimenta (Belém Pará – BR)
23 de Fevereiro de 2009 0:27

Agradecimento do Lions Clube de Ponte de Lima
Obrigado, Caríssimo César Pimenta pelos seus sábios, oportunos e sempre interessantes testemunhos. O blog do Lions Clube de Ponte de Lima muito tem ganho com a informação que nos tem feito chegar. A Companheira Maria Teresa Correia tem tido muito interesse e entusiasmo por todas estas questões tão actuais quanto necessárias e pertinentes. Um obrigado grande.
Sérgio Araújo (Lions Clube de Ponte de Lima)
23 de Fevereiro de 2009 12:49

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Brasil quer saber o que está a acontecer às zonas desflorestadas da Amazónia

Foto: Rickey Rogers/Reuters

A desflorestação na Amazónia brasileira foi de 11.968 quilómetros quadrados em 2007/2008

Projecto vai recorrer a imagens de satélite
20.02.2009 - 15h45 Helena Geraldes

Depois de 20 anos a monitorizar o abate florestal na Amazónia, com a ajuda de imagens de satélite, o Brasil prepara-se agora para descobrir o que está a acontecer às zonas que já foram desflorestadas. Dados preliminares mostram que cerca de 20 por cento está em processo de regeneração.
Desde 1988, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) publica anualmente as taxas de desflorestação da Amazónia, com base em imagens de satélite relativas a floresta primária. Os dados mais recentes, relativos a 2007/2008, mostram que a taxa de desflorestação na Amazónia brasileira foi de 11.968 quilómetros quadrados.
Actualmente, o instituto tem em funcionamento dois sistemas complementares: o PRODES e o DETER. Mas estes só levam em conta as áreas desmatadas, colocando uma "máscara digital" em cima das áreas desflorestadas nos anos anteriores para impedir que sejam recontadas.
"A diferença deste novo projecto é que será possível saber o que aconteceu numa área desmatada, por exemplo, há 20 anos", explicou ao PÚBLICO Ana Paula Soares, assessora de imprensa do INPE, com sede em São Paulo. "O PRODES não considera áreas reflorestadas, ou seja, uma vez que houve um desmate, aquela área será sempre considerada desmatada pelo PRODES, ainda que posteriormente surja uma outra vegetação ali", acrescentou. "O novo sistema vai olhar para essas áreas que um dia foram desmatadas para saber como estão hoje", retirando-lhes essa "máscara virtual".Vinte por cento da área desflorestada está em regeneração
Segundo o jornal brasileiro "Estado de São Paulo", dados preliminares baseados numa amostra de 26 imagens de satélite indicam que 19,4 por cento da área total desmatada (700 mil quilómetros quadrados) tem florestas secundárias em processo de regeneração.
Mas esta resposta da Amazónia é temporária, uma vez que estas novas florestas têm uma "esperança de vida" de apenas cinco anos, até serem novamente derrubadas. "A floresta secundária reabsorve carbono mas isso não significa que o carbono esteja imobilizado para sempre", disse ao "Estado de São Paulo" Cláudio Almeida, chefe do Centro Regional da Amazónia do INPE, em Belém. Este engenheiro agrónomo fez o estudo para a sua tese de mestrado, com dados de 2006. Nesse ano, a área total desmatada na Amazónia era de 680 mil quilómetros quadrados. Nessa altura, as florestas secundárias cobriam 132 mil quilómetros quadrados, ou seja, uma área correspondente à superfície total da Grécia.
Especialistas brasileiros alertam que o avanço das florestas secundárias está a alterar a biodiversidade da floresta da Amazónia que dificilmente regressará ao seu estado original.
Projecto vai olhar para usos do solo
Esta pesquisa será ampliada a toda a Amazónia, com maior detalhe. Na semana passada, o ministro do Ambiente brasileiro, Carlos Minc, anunciou um acordo com o presidente do INPE, Gilberto Câmara, para começar a monitorização da reflorestação nas áreas desmatadas e a recuperação progressiva da floresta. Segundo o jornal online "24 Horas News", o INPE vai realizar estudos preliminares e em Março reúne-se com o ministério do Ambiente para definir como viabilizar o projecto.A nova metodologia contará com a colaboração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma vez que será estudado o uso do solo nas áreas desmatadas a nível da agricultura, pecuária, floresta secundária e outros usos.Esta semana, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) publicou um relatório segundo o qual a desflorestação na Amazónia – que cobre a Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela – atingiu em 2005 mais de 857 mil quilómetros quadrados. As causas são o desenvolvimento das actividades económicas, a construção de infra-estruturas industriais e de transporte e o aumento da população. No conjunto da região, da população de 38,7 milhões de habitantes (mais de três vezes a população de Portugal), 21,3 milhões, ou seja, 63,6 por cento, habitam já em zonas urbanizadas.
Actualmente a desflorestação atinge 17 por cento do coberto vegetal. Quando chegar aos 30 por cento, vai começar a chover menos na região, implicando um ciclo vicioso que causará fogos florestais e o aumento das emissões de gases poluentes para a atmosfera, alerta o PNUA.

COMENTÁRIOS:

Ora, ora...

Por Emigrante - Brasil

Sem dúvida que a Marina Silva se bateu bem pelo Ambiente. O grande problema aqui é a grande extensão da Amazónia e os poucos efectivos e meios para a fiscalizar. Não esqueçamos que a Amazónia não é só brasileira (60% Br.) e se espalha por nove países, incluindo a Guiana Francesa (Eur.). Ó anónimo de Algés você já cá viveu para falar com tão pouca propriedade sobre o Brasil, ou é apenas aquilo que leu? Na Guerra da Tríplice Aliança houveram muitos interesse, alheios aos países beligerantes, nomeadamente europeus.

a ex-ministra

Por Curiosa - Longe

A ex-ministra Marina Silva bem grita. Mas ninguém a ouve. Mas ela saiu de ministra, porque razão? Decerto por muitos interesses escondidos.

Algés

Por Anónimo - Algés

O Brasil é uma das vergonhas da colonização europeia. O objectivo era enriquecer o mais possível, no mais curto espaço de tempo. Os índios, inúteis ao enriquecimento, foram dizimados. Os sobrantes foram-se extinguindo a pouco e pouco, por falta de território. As primeiras terras férteis colonizadas ficaram desertificadas. Agora é atacado o Amazonas sem piedade. Na sua ânsia imperialista, o Brasil quase exterminou o Paraguai e o Uruguai. Dizia um escritor inglês: se os soldados do imperador do Brasil fossem tão valentes como feios, em breve seria imperador do mundo. Evidentemente que estes fenómenos passam ao lado do brasileiro da rua, que também é vítima, a quem de modo algum pretendo ofender.

Declaração sobre o Meio Ambiente

A seguinte declaração sobre o Meio Ambiente foi adoptada pela Directoria Internacional da Associação em outubro de 1972.
Lions Clubs Internacional, reconhecendo o profundo impacto das actividades do homem nas inter-relacções de todos os componentes do meio ambiente natural, em particular a urbanização em alta densidade, expansão industrial, exploração de recursos, novos e crescentes progressos tecnológicos e reconhecendo ainda a importância máxima de restaurar e manter a qualidade do meio ambiente para o bem-estar geral e desenvolvimento do homem, declara que será um ideal contínuo de Lions Clubs Internacional fomentar e promover o bem-estar geral; ajudar a criar e manter condições sob as quais o homem e a natureza possam existir em produtiva harmonia e preencher os requisitos sociais, económicos e outros, das gerações humanas, presente e futuras.
Para alcançar este objectivo do meio ambiente, será necessária a aceitação da responsabilidade pelos cidadãos e pelas comunidades e também pelas empresas e instituições de todos os níveis, todos participando equitativamente em esforços comuns. Indivíduos de todas as camadas sociais, bem como organizações em diversos campos de actividade, por seus valores e soma de suas acções, modelarão o meio ambiente mundial do futuro. Governos locais e nacionais arcarão com as maiores responsabilidades na execução de uma política de acção em prol do meio ambiente dentro de suas jurisdições. Uma crescente classe de problemas ambientais, devido à sua dimensão regional ou global, ou porque afetam o domínio internacional comum, exigirá ampla cooperação entre as nações e acção por parte de organizações internacionais em benefício do interesse comum.
O Lions é uma dessas organizações internacionais que deve reunir esforços em prol da preservação e melhoramento do meio ambiente visando o benefício de todos os povos e da posteridade.

Adotado pela Directoria de Lions Clubs International
Outubro de 1972

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Canadá quer chegar a acordo climático com administração Obama

Foto: PÚBLICO (arquivo)


12.02.2009 - 20h36 Reuters

O Governo conservador canadiano afirmou hoje que pretende chegar a acordo relativamente às alterações climáticas com a administração Obama, nas vésperas de uma cimeira em Otava entre o Presidente norte-americano e o primeiro-ministro canadiano Stephen Harper.
"Penso que a eleição do Presidente Obama representa uma grande oportunidade para trabalharmos juntos", disse o ministro do Ambiente Jim Prentice aos jornalistas
.Os Conservadores acordaram, com a administração de George W. Bush, que não seria praticável cumprir as metas do Protocolo de Quioto de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Mas Prentice considera que agora o cenário mudou, devido à administração Obama mais "aberta" relativamente às alterações climáticas "Na verdade, é a altura certa para explorar as possibilidades que possam existir com uma administração norte-americana mais aberta, com a esperança de que cheguemos a alguma espécie de acordo relativamente a um sistema de comércio e tecto de emissões norte-americano", declarou o ministro canadiano do Ambiente no Comité de Ambiente da Casa dos Comuns.
De início, os Conservadores resistiram a este conceito mas prometeram na sua campanha de reeleição, em Outubro, que iriam apoiar um sistema que abrangesse a América do Norte.
Prentice reconheceu, aos jornalistas, que esse sistema iria impor custos significativos à indústria. "Mas penso que a nossa economia e o nosso ambiente estão tão integrados que não podemos ter políticas energéticas e ambientais divergentes no Canadá e nos Estados Unidos".

Setúbal: abate de sobreiros tinha como contrapartida a plantação de 20 mil árvores

Quercus interpôs providência cautelar para interromper corte

13.02.2009 - 20h18 Lusa

O Ministério da Agricultura justificou hoje a autorização dada pela Autoridade Florestal Nacional (AFN) para o abate de 1300 sobreiros em Setúbal com a contrapartida de plantação de mais de vinte mil árvores dada pelo promotor.Em comunicado, o ministério afirma ainda que o abate, iniciado na manhã da passada quarta-feira, foi interrompido cerca do meio-dia quando o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa notificou para parar o corte dos sobreiros, na sequência de uma providência cautelar interposta pela associação ambientalista Quercus.A Quercus tinha hoje considerado que "há motivos para investigar a actuação dos responsáveis da AFN" por terem permitido o abate dos sobreiros apesar de terem sido informados pela associação de que corria uma providência cautelar, levando a que fosse cortada "grande parte" das árvores até ter chegado ao Ministério da Agricultura a notificação do tribunal.O ministério de Jaime Silva afirma por seu turno que "a AFN autorizou o abate de sobreiros tendo como contrapartida um Plano de Compensações que ultrapassa largamente os mínimos exigidos por lei", obrigando o promotor a plantar "20.850 sobreiros numa área de 50 hectares em Vendas Novas".Ainda segundo o ministério, a decisão da AFN de autorizar o abate de 1331 sobreiros na Quinta do Vale da Rosa surgiu só depois de consagrado o Plano de Compensações e de a Câmara de Setúbal ter aprovado um plano de pormenor para a zona.A Quercus recorda que o Plano de Pormenor do Vale da Rosa viabiliza os loteamentos privados na área da denominada "Nova Setúbal", bem como a construção de um centro comercial na área de maior concentração de árvores.Em contrapartida, além da plantação de mais de vinte mil árvores noutro local, o promotor cortou "um eucaliptal que permitiu pôr a descoberto cerca de mil sobreiros, permitindo um melhor desenvolvimento destas árvores", é referido no comunicado do Ministério da Agricultura."Ao contrário dos sobreiros de Setúbal, situados numa zona urbana, os novos sobreiros estão numa zona rural" com melhores condições de clima e solos, acrescenta o ministério.O projecto contempla também a construção faseada de 7500 fogos e de um Complexo Desportivo, onde se inclui o futuro estádio municipal, que a autarquia sadina se comprometeu a ceder ao Vitória de Setúbal, e que poderá estar em causa devido à providência cautelar.O Bloco de Esquerda tinha acusado quinta-feira em comunicado o projecto do Vale da Rosa de "encobrir um negócio obscuro, em que são protagonistas os interesses imobiliários, os dirigentes políticos locais e os dirigentes do Vitória de Setúbal".

COMENTÁRIOS:

15.02.2009 - 12h17 - helena costa, Porto
1º - Neste País, as contrapartidas dos empreiteiros não se cumprem. 2º - Mesmo que supostamente o fizessem, 20 mil ou 100 mil árvores a plantar demorarão 100 anos a ter a mesma estrutura e compleição, daquelas que agora se abatem. 3º - Só os políticos é que pensam que os portugueses são burros, não pensam, esquecem-se depressa. 4º - Quão enganados estão 5º - Vão provar-lhes isso mesmo em Outubro deste ano.

15.02.2009 - 02h10 - Flip, Philadelphia
Não se entende... os americanos já perceberam que os subúrbios da "casinha com relvado e garagem" só causam problemas económicos, pois são ineficazes ao nível energético. Porque é que em Portugal, a fórmula dos "baby-boomers" iria funcionar melhor?... Ainda para mais com esta crise. Estão a destruir das poucas coisas que ainda se pode dizer que fazem parte da riqueza natural do País. Resta o sol, mas isso não faz parte das nossas exportações... Centro comercial em S.Bento, já!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Em defesa da mata nacional de Coimbra


Lusa
Foto: Carla Carvalho Tomás (arquivo)

O Choupal é o principal pulmão de Coimbra

Perto de 1.300 pessoas formaram hoje um cordão no Choupal, em Coimbra, num abraço simbólico de defesa da mata nacional e protestando contra a passagem de um viaduto sobre o espaço verde e de lazer.

Organizado pelo movimento cívico Plataforma do Choupal - constituído para impedir a passagem do viaduto na mata, conforme previsto no novo traçado do IC2 -, o cordão humano foi formado por cidadãos anónimos e figuras da cidade, tendo também a participação das deputadas do Bloco de Esquerda e do PS Alda Macedo e Teresa Portugal, respectivamente.

Sob aplausos dos participantes, o cordão formou-se em torno de "uma área importante do Choupal", referiu Luís Sousa, do movimento cívico, ao manifestar a sua satisfação com a adesão à iniciativa e ao avançar com a estimativa das 1.300 pessoas.

Construção de viaduto vs ambiente
"O traçado do IC2 vai matar aquelas árvores e ter um grande impacte ambiental no Choupal. Cresci aqui, os meus filhos praticam desporto aqui",
disse Ana Caldeira, uma bibliotecária de Coimbra que vive no Monte Formoso, em frente à mata nacional, e que se integrou hoje na multidão de crianças e adultos, a pé, de triciclo e de bicicleta, que acorreram à acção organizada pelo movimento cívico.

Esta acção teve por objectivo "impedir que a Mata Nacional do Choupal seja irremediavelmente afectada pela construção de um viaduto rodoviário com 40 metros de largura e que a atravessa numa extensão de 150 metros", segundo uma nota da Plataforma.

Apelo aos "decisores públicos"
"Gostávamos de ter mais pessoas, mas estou muito satisfeito. Apelo aos decisores públicos para que tenham o bom senso de travar esta decisão irracional do ponto de vista rodoviário e atentatória para Coimbra",
defendeu o arquitecto.

O biólogo Jorge Paiva, o antigo director da Polícia Judiciária Santos Cabral, o director dos Serviços Sociais da Universidade de Coimbra, Luzio Vaz, os deputados municipais do Bloco de Esquerda Catarina Martins e Serafim Duarte, os membros do Movimento de Intervenção e Cidadania Maria do Rosário Gama e Elísio Estanque, o candidato da CDU à Câmara de Coimbra, Francisco Queirós, o presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, Francisco Andrade, sindicalistas, professores e advogados, foram alguns dos participantes na acção.

"Venho como cidadã, é o Choupal que me traz aqui. Não há bom conimbricence que não queira defender o Choupal. As razões que levaram a esta obra são do consenso geral, a ponte do açude está sobrecarregada. Mas porque há-de ser aqui?", declarou a deputada socialista eleita por Coimbra Teresa Alegre Portugal.
Segundo a parlamentar, "o Governo socialista procurou responder a uma necessidade que lhe foi posta - não quer dizer que tenha encontrado a solução ideal".


O Choupal

A deputada do Bloco de Esquerda Alda Macedo lembrou os dois requerimentos apresentados ao governo pelo seu grupo sobre esta matéria e defendeu que o Choupal "é um espaço privilegiado, que tem de ser defendido e preservado".

"Não deve ser perturbado, porque há alternativas", disse a deputada, ao enaltecer a "iniciativa cidadã" de hoje.
Para o presidente do Conselho da Cidade de Coimbra, José Dias, "não houve uma discussão atempada nem aprofundada" da questão.
Lusa

Comentários:

Choupal
Por Zenabo – Leiria
Ainda hei-de ver o jardim da Sereia transformado em condomínio fechado, estes autarcas de Norte a Sul do Sítio só querem é destruir tudo quanto cheire a espaços verdes, já tenho dito e continuo a martelar, Coimbra, Leira, Porto, Lisboa, etc. etc. etc. se não fossem os homens que havia á 40/50 anos não tinha-mos nem sequer um jardim digno desse nome, porque esta gente só pensa mesmo é em destruir tudo, e quem ganha com esses negócios? Não me digam que é o Sócrates, e o resto são todos bons rapazes, nem os chaparros como se diz no Alentejo profundo, escapam á verocidade desta será gente ou seita? Não tenho palavras para classificar o que tem sido feito no nosso Sítio desde há 35 anos para cá.
BASTA!
Por Ana Cristina – Coimbra
Participei neste cordão humano e eram seguramente 2000 pessoas. Sou absolutamente contra a construção do viaduto sobre o Choupal. O Choupal já perdeu nos últimos 30 anos cerca de 20% da sua área, chegou o momento de dizer: BASTA! Procurem alternativas, mas por ali certamente não.

DO CHOUPAL ATÉ À LAPA
Por Eduardo santa cruz – Sintra
… Como é que um possível atropelo a um património de Coimbra, cantado por Zeca e que é referência da população da cidade, seja tratado com tanta indiferença? Onde ficou o Sr. Governador Civil? E o Presidente da Câmara? E os outros? A bota não bate com perdigota. E o Choupal vai continuar até à lapa, mas com qualquer coisa por cima! Pode ser que não seja uma lápide!!! Desculpa lá qualquer coisinha, Zeca!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Fórum Social Mundial 2009 - Balanço I

Mais de 130 mil quiseram um outro mundo
Em seis dias participaram em mais de três mil actividades. Acabou a "confusão alegre"
Os números impressionam pela dimensão: o Fórum Social Mundial (FSM) que, este domingo, terminou em Belém do Pará, Brasil, reuniu 133 mil participantes de 142 países, incluindo 1900 indígenas de 120 nações, para um total de 3210 actividades inscritas – apesar de nem todas se terem realizado. Outro número curioso: participaram ainda três mil crianças e adolescentes, num espaço especialmente preparado para o efeito.
A organização do evento envolveu também mais 17500 pessoas no trabalho voluntário de apoio, expositores, artistas, jornalistas e outras sete mil na segurança, incluindo a Força Nacional de Polícia.
Estes dados foram apresentados por Cândido Grzybowski, do comité organizador do FSM, numa conferência de imprensa final, onde este fundador do fórum, explicou aos jornalistas o facto de não existir uma declaração final: "Não queremos fazer velha política, cada um tem de assumir a sua responsabilidade, a partir do lugar onde está".
Para Grzybowski, o futuro passa por aqui, e não por Davos: "Tem que se olhar para aqui para se ver mais o futuro, não para o velório do Fórum Económico Mundial" (FEM) [de Davos]. Afinal, insistiu o responsável, "conseguiu-se desde o FSM de 2002 mudar a agenda do FEM": primeiro, a pobreza, depois a violência, agora a questão palestiniana.
As actividades finais concentraram-se este domingo na Universidade Federal Rural da Amazónia (UFRA), onde pela manhã se realizaram 16 das 22 assembleias de temas específicos (as outras seis tiveram lugar na Universidade Federal do Pará – Ufpa) e, à tarde, a grande "assembleia das assembleias", onde se fez a síntese das reuniões da manhã. Acabado o fórum, foi a debandada. A chuva apareceu antes, certinha, pela tarde.

Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 02-02-2009

" Fórum não tem mais tanta importância"
Belém, Domingo, 01/02/2009
Fonte Informativa (notícia abaixo): ORM - Brasil
Edição de 01/02/2009
Opinião - É o que diz geógrafo norte-americano sobre os efeitos concretos do evento
Só mesmo um nome tão importante no ativismo social como o geógrafo David Harvey para atestar que o Fórum Social Mundial (FSM) já não tem mais a mesma importância de antes. Se a famosa máxima de Socrátes 'mais sábio é aquele que sabe que não sabe' for mesmo verdadeira, ela não se aplicaria a ninguém melhor do que a ele. Em uma mesa de discussão sobre a reforma urbana e em entrevista a O LIBERAL, Harvey respondeu muitos 'não sei', sem vergonha e sem culpa, e criticou a forma como tentamos importar modelos de luta e mobilização.
O senhor idoso, de 80 anos, com cara de bom avô, passou despercebido durante a semana pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde caminhava, no sol escaldante de 13 horas, atrás de um almoço. Os representantes de movimentos sociais e de sem-teto aclamavam suas palavras anti-capitalistas e poucos deles sabiam a importância de Harvey para os estudos sobre mudanças na construção econômica e social contemporânea.
A pouca movimentação de imprensa que estava no local, talvez por desconhecimento, desviou todas as atenções da tenda quando o famoso téologo Leonardo Boff passeava nas redondezas. Harvey foi um grande 'ilustre desconhecido', que os participantes do Fórum Social Mundial não quiseram ou não souberam aproveitar. Ignorância sobre uma biografia extensa, que não pode ser resumida facilmente, até por que David Harvey tem importâncias distintas em cada um dos continentes.
Professor aposentado da Universidade de New York, ele é referência no campo dos estudos urbanos. Direito à moradia e espaço territorial são dois de seus grandes temas de estudo, mas o autor de livros como 'A produção capitalista do espaço' e 'Condição pós-moderna' é estudado no Pará, por exemplo, nos cursos de Comunicação Social.

OPINIÃO
'Acho que quando o fórum começou ele era muito mais importante em muitas áreas, mas agora, com o tempo, ficou mais disperso. Realmente, os fóruns locais são mais importantes que esse. Deixam os interesses mais próximos, com maior discussão', sentencia o geógrafo acerca do evento no qual palestrou. Harvey foi convidado para vir a Belém pela organização não-governamental (ONG) internacional Action-Aid, que luta em favor dos direitos humanos e contra a pobreza.
Para Harvey, esta edição do Fórum Social tem duas importantes contribuições: 'aproximar os grupos que vivem na Amazônia' e 'apresentar mais ainda a Amazônia para o mundo'. 'A importância desse Fórum é muito mais nacional, para facilitar a comunicação dos povos que vivem aqui e estão distantes e ainda ensinar sobre a Amazônia, sobre as pessoas que a defendem. Aprendi aqui sobre eventos como o assassinato do Chico Mendes, a luta que ele tinha', declara.
'Minha resposta é: eu não sei!'. Foi assim que Harvey respondeu quando questionado sobre qual seria o futuro de povos tradicionais em meio às mudanças econômicas e social e a tentativa de homogeneização cultural. 'Compreender esse futuro é muito difícil. De um lado eles querem alguns benefícios da globalização, bom atendimento de saúde, educação de qualidade, mas não querem ser integrados ao sistema. É uma posição contraditória. Simpatizo muito com as diferenças culturais, mas serão vocês quem precisam responder, como resolver esse problema', afirma.

IMPORTAÇÃO
Harvey critica a excessiva exposição da imagem de político democrático e inovador criada sobre Barack Obama e diz que é necessário aprender com o que é criado dentro do próprio País e não esperar modelos de como fazer vindo de fora. 'Vocês são democráticos, têm leis que jamais existiriam nos Estados Unidos. Têm leis que garantem o direito à cidade, as exigências que ela deve cumprir. Essas leis existem aqui', destaca o pesquisador, completando, com um sorriso, que 'o problema é que sabemos que elas não são cumpridas'.
O geógrafo elogia o modelo de luta pela reforma urbana no País, feita por entidades como o Movimento Nacional de Luta pela Moradia. 'Vocês são muito mais organizados, mais articulados. Conseguem uma abordagem integrada, com transporte, moradia, saúde. Eu é que vou importar o modelo do Brasil para os Estados Unidos', ironiza. Sobre a crise, David Harvey diz que mais do que qualquer expectativa, tem uma grande esperança. 'O projeto neoliberal foi um sucesso, com sua formação centrada no individualismo. Agora, espero que a crise possa recriar novas formas de solidariedade'.

Muito barulho e pouca inspiração são as marcas que vão permanecer
CARLOS MENDES

Muito barulho. Pouco resultado. Mais transpiração e pouca inspiração. As vozes do Fórum Social Mundial (FSM), preocupadas com seus problemas específicos - aliás, os mesmos problemas de todas as tribos do planeta -, provavelmente continuarão roucas, porque não serão ouvidas pelos governantes. Como expressão ideológica, os slogans e discursos de esquerda, ouvidos nas conferências, tendas e acampamentos, soam como aquelas músicas que tocam insistentemente no rádio até que ninguém mais aguenta ouvi-las. Os globalizados contra a globalização. É o rabo mordendo o cachorro.
No outro Fórum simultâneo, o de Davos, na Suíça, os donos do mundo homenagearam a crise global, cortando caviar e salmão da pauta de debates. Um deboche típico de quem vive em mundo diferente da maioria dos mortais. Em Davos é assim: os ricos se divertem à sua maneira, decidindo como os pobres irão pagar o pato da recessão. Barack Obama, que não foi a Davos, mergulhado até o pescoço na crise, deu o toque de indignação com meia dúzia de banqueiros que, indiferentes à quebradeira, embolsaram bônus de US$ 18 bilhões.
Ninguém chiou por aqui. Bem feito para os americanos, diriam alguns participantes do FSM. Em Belém, eles queriam somente demarcar terreno e, mais uma vez, botar a boca no mundo contra as injustiças praticadas pelos cínicos que cortam o caviar da ostentação, mas alimentam banqueiros vorazes com juros imorais em suas políticas econômicas. A utopia de um mundo melhor possível precisa continuar. Porque sem ela a vida não tem sentido.
O problema é que, debaixo da linha do Equador, mais duro que suportar o discurso repetitivo e messiânico de presidentes como Lula, Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo, sempre batendo em capitalistas e banqueiros aos quais proporcionam vida mansa, é ver que no FSM as velhas teclas de outros fóruns foram reavivadas. As propostas são sempre as mesmas. Não mudam sequer uma vírgula.

PIQUENIQUE
O cientista social e mestre em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub), Paulo Roberto de Almeida, foi direto na mosca ao escrever sobre os objetivos do FSM. Irônico, ele diz em artigo: 'Os participantes podem congratular-se por serem os mais globalizados do planeta, porque desfrutam, provavelmente, de 100% de inclusão digital por meio da internet (sem considerar celulares e outros gadgets do mundo moderno), ou seja, fazem uma utilização plena das possibilidades abertas pela atual sociedade da informação'.
E mais: 'Todo o processo de informação preliminar sobre o FSM, de convocação e de mobilização preventivas, assim como o registro simultâneo e instantaneamente disseminado de suas ruidosas reuniões, colocadas (escusado dizer) sob o signo da antiglobalização, todo ele terá sido assegurado e efetivamente realizado 100% online, isto é, sob o signo do mundo virtual, que é praticamente um sinônimo da globalização'.
Para Almeida, os alegres participantes do piquenique anual da antiglobalização estão combatendo os próprios mecanismos que possibilitaram, viabilizaram e permitiram 'todas essas facilidades de informação, de comunicação e de interação recíproca'. E pergunta: 'Não é contraditório? Aliás, não parece completamente estapafúrdia essa revolta irracional contra os seus meios de expressão? Eu - como não pretendo usufruir de minha cota permitida
de ilogismo e de irracionalidade - respondo imediatamente que sim'. Faz sentido."


Fórum Social Mundial 2009: Povos sem Estado pedem criação de agenda democrática internacional

Povos sem Estado pedem criação de agenda democrática internacional 01/02/2009 - 9h44m

Palestinos, bascos e outros representantes de povos e nações sem Estado defenderam, no Fórum Social Mundial, em Belém, a criação de uma agenda democrática social com objectivo de acabar com os conflitos armados envolvendo os territórios onde vivem. Eles estiveram reunidos ao longo de toda programação do FSM para debater alternativas capazes de reverter o actual cenário de guerras e confrontos, como os protagonistas Israel e o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza.
Yousef Habash, que faz parte do Comité pela Saúde na Palestina, disse que a criação da agenda poderá garantir a paz aos povos sem Estado. Habash criticou o apoio dado por governos internacionais a Israel, porque, na sua avaliação, isso contribui para a luta armada na região Palestina. 'Israel tem muitos líderes criminosos que devem ser levados à Justiça. Em 2005, Israel bombardeou Gaza com apoio de outros países. Não é Israel contra Gaza, mas contra parte da humanidade. Os israelenses estão matando não só nossos soldados, mas crianças e mulheres de Gaza', disse Habash.
As discussões realizadas no FSM pelos representantes de povos sem Estado tiveram como foco central a defesa do direito a autodeterminação dos povos. Na opinião do presidente do Centro Tamil pelos Direitos Humanos, Kiruba, a luta dos povos não reconhecidos (nações sem Estado) é fundamentalmente por se tratar de uma questão política e cultural.
' O direito democrático dessas pessoas, com capacidade de decidir o que querem, não está sendo respeitado. Um modelo político justo tem que permitir o direito de escolher, seja por meio de referendo, constituições ou mesmo de luta populares. Esses povos só terão sua própria identidade se tiverem suas tradições e costumes preservados ', comentou.
Kiruba disse que essas populações devem ter apoio internacional. ' Os processos de emancipação desses povos precisam da solidariedade internacional, sem injustiças e sem opressão ', declarou. 'A opressão de direitos colectivos e o não reconhecimento de povos e nações sem Estado contribuem para desencadear grandes lutas ', enfatizou Mohammed Fidati, membro da Frente Polisário (Saara Ocidental). ' Já os os processos de luta vitoriosos vão contribuir para a futura cultura de paz no mundo '.
Para Fidati, a agenda democrática deve conter uma estratégia de emancipação dos povos sem estado. Ele também criticou o trabalho da ONU. ' Precisamos de um verdadeiro instrumento de justiça e legalidade para sermos verdadeiramente nações e povos unidos no planeta '.

Índios discutem inserção através do ciberespaço 01/02/2009 - 9h25m

'Sou índia online, web jornalista, ciber activista e pesquisadora', diz a índia Aracé na roda de diálogo que ocorreu na tarde de sexta-feira (30) no Campus da UFPA. Intitulada ' Índios no ciberespaço: a experiência inovadora com meio alternativo de comunicação ', a actividade foi coordenada pelo sociólogo da UFPA, Alexandre Dias; pela antropóloga da UFRJ, Eneida Assis; e pelos índios Alex Pankararu e Ivana Potyra Té.
Por meio do GESAC, programa do Governo Federal coordenado pelo Ministério das Comunicações, a conexão de banda larga chega às comunidades via satélite e permite a interacção entre elas usando o portal ' Índios Online', que desde 2005 vem sendo a experiência dos índios com a Internet. O portal foi caracterizado como um movimento social indígena onde os nativos das comunidades indígenas podem denunciar, pesquisar, mostrar suas dificuldades, adquirir conhecimentos, lutar por seus direitos, além de prestar serviços para a comunidade contribuindo assim para o desenvolvimento da mesma.
O site funciona como uma rede interligada por algumas tribos brasileiras que representam os povos indígenas, já que, segundo Aracé, a imprensa tradicional geralmente distorce a verdadeira realidade dos índios. ' Só o índio pode falar de si mesmo, só ele sabe o que se passa em sua comunidade ', diz a índia. Uma das opções do ' índios online ' é o chat, uma sala de bate papo onde os índios cadastrados podem trocar experiências e, como a ferramenta é mais utilizada por jovens, ela os aproxima da realidade indígena, os faz sentir curiosidade sobre sua origem, além de valorizar sua própria cultura e tradições.
Os índios se cadastram no site, criam login e senha para depois estarem aptos a postar textos a respeito da sua realidade. Não há limite mínimo nem máximo de idade para os índios terem seus textos, arquivos de áudio, fotos e vídeos publicados no site e como não há edição nem selecção dos materiais, as regras sobre o conteúdo que pode ser divulgado depende de cada etnia participante (Pankararu, Xucuru Cariri, Cariri Xocó, Tumbalalá, Kiriri, Tupunambá e Pataxó-Hahãhãe) que estão distribuídas em 20 municípios e seis estados do Brasil.
Os índios acessam a Internet de suas próprias aldeias nas ocas virtuais ou centros digitais. O portal também oferece fóruns temáticos, uma área para o estudo (e-learning) e ferramentas para envio de e-mail's, apropriando-se assim de tecnologias para se unirem e juntos buscarem um futuro melhor para sua etnia.

Fórum discute racismo e intolerância religiosa 01/02/2009 - 9h0m

A diversidade afro-brasileira esteve na pauta do Fórum Social Mundial nesta sexta-feira (30) na palestra ' Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra ', proposta pela Associação dos Filhos e Amigos de Ilê Axé em parceria com o Grupo de Estudos Afro-amazónicos da UFPA (Geam). A actividade contou com a participação de professores convidados e sacerdotes do Candomblé. Segundo um dos palestrastes, professor Renato Soares, militante do Movimento Negro, o racismo é muito subtil e só se cristaliza nas disputas de poder. ' Negro não é grupo minoritário. É minoria apenas nos espaços de tomada de decisão ', diz. Ele falou ainda sobre a discriminação que atinge todas as pessoas e persiste principalmente no campo religioso no que diz respeito às religiões de matriz africana, estigmatizadas secularmente.
De acordo com o professor, as religiões afro são um meio de preservação da cultura negra, de resistência desde os primeiros anos do Brasil, ' o Candomblé foi diabolizado pelo europeu que o estigmatizou como feitiçaria. Feitiço é uma palavra europeia que não existe no Candomblé ', afirma o palestraste. Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra veio discutir e desmistificar concepções erradas em relação à cultura afro, extremamente rica e acolhedora. 'No Candomblé o mal e o bem não existem, são relativos. Não é uma religião dogmática, cada um tem sua própria verdade', enfatiza Renato.
O professor revela que muito do imaginário comum que se tem a respeito do Candomblé deve-se a cultura ocidental que não admite o diferente. ' Durante muito tempo o povo negro foi aniquilado, sentenciado à morte. Inclusive os padrões de beleza europeus construídos aqui contribuíram para a rejeição do povo negro ', conta Renato. Nesse sentido, o militante explica que o conflito, muitas vezes, é necessário para que se estabeleça harmonia e o primeiro passo para a resolução das questões externas é a aceitação interna. ' Se você não tiver consciência de quem é, será seu maior inimigo ', ratifica. Renato finalizou propondo o respeito entre as religiões e a tolerância entre os diferentes pensamentos. ' Segundo conceito, intolerância é a vontade de assegurar aquilo o que sou pela negação do outro como humano ', fala. Ele explica que quando não toleramos, consequentemente discriminamos e reduzimos a condição humana do outro. 'O respeito e a tolerância só podem existir a partir de uma relação de autoridade ', conclui.

Fonte Informativa (notícias acima): ORM - Brasil








Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)

Fórum Social Mundial 2009: Índios denunciam mortes

Índios denunciam mortes
Em 10 ou 20 anos, cinco tribos indígenas podem estar dizimadas. Os seus caciques improvisaram ontem um protesto invadindo o centro de imprensa

Quinze por cento das crianças das tribos Marubo, Mayorma, Matis, Kanamary e Kulina, no estado do Pará estão infectadas com hepatite B e esta percentagem sobe para 85 por cento, no caso de adultos dos 13 aos 40 anos. Na passada quinta-feira, Edilson Kanamary morreu de hepatite delta. Em 2008, houve seis mortes por este tipo de hepatite, mas também por sarampo e malária, numa população de 3700 indivíduos das cinco etnias. E os caciques, chefes das aldeias, temem que dentro de 10 ou 20 anos as suas famílias possam estar dizimadas.
Por tudo isto, um grupo de índios, com trajes tradicionais e setas empunhadas, invadiu ontem o centro de imprensa do Fórum Social Mundial (FSM), promovendo ali uma conferência de imprensa improvisada, para denunciar estas mortes no vale amazónico de Javari, nas fronteiras do Brasil, Colômbia e Peru.
Para estes representantes, a Funasa – Fundação Nacional de Saúde, uma instituição do Ministério da Saúde brasileiro para promover e proteger "a saúde dos povos indígenas" não faz nada. Estão sem receber medicamentos e arcas frigoríficas para os manterem. "A Funasa não está a tratar, tem de ter posto de saúde, médico, dentista, me preocupa muito", disse um cacique marubo.

Mais de um milhar passou pelo stand da Consolata
Já se começa a fazer o balanço. O movimento no fórum diminuiu talvez por causa da chuva ou porque se aproxima o fim. Embora cansados, os jovens não desarmam

A um dia do encerramento do Fórum Social Mundial 2009, já se nota uma diminuição do número de participantes a circular pelos espaços do fórum. As avenidas não estão tão repletas, até porque a chuva foi caindo de mansinho durante o penúltimo dia. Por outro lado, os movimentos e organizações intensificaram as suas manifestações.O stand da Consolata suscitou muito interesse e foram mais de um milhar de pessoas a pedir literatura e a conversar com missionários e missionárias sobre as actividades que desenvolvem nas missões, designadamente sobre os projectos apresentados no fórum: o projecto da água em Mokululu, no Quénia, a luta dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol, de Roraima, Brasil, o Centro de Cultura Makua, em Moçambique, e o projecto da tribo Nasa, na Colômbia.No campus da Universidade Federal Agrária, é visível o dinamismo dos jovens, apesar do cansaço. São às centenas as tendas montadas no meio da relva encharcada de água e lama. Por todo o lado há cordas, esticadas entre duas árvores, carregadas de roupa ensopada de água. A 1 de Fevereiro termina o fórum. Estão preparados os últimos debates e comunicações. No final esperam-se as conclusões. E a festa chega ao fim. Valeu a pena, não obstante alguma desorganização e o incómodo do calor e da chuva.

«A prática é mais transformadora que a teoria»
Boaventura de Sousa Santos
é um português que arrasta pequenas multidões no Fórum. Para defender que é preciso "actuar hoje, amanhã pode ser tarde"

"Há uma necessidade de urgência de actuar hoje, porque amanhã pode ser tarde demais", alertou ontem o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, numa das suas intervenções no Fórum Social Mundial, em Belém do Pará.
Perante umas três centenas de pessoas, muitas em pé e fora da tenda onde decorria o debate sobre "Diversidades e mudanças civilizacionais – a utopia do século XXI?", Sousa Santos defendeu a necessidade de combater "o nosso inimigo interno, a cabeça". Segundo o sociólogo, "a prática é mais transformadora que a teoria, a teoria tem de ir atrás", uma sugestão que motivou fortes aplausos, de uma assistência rendida desde o primeiro minuto.
Boaventura de Sousa Santos entende que "as utopias constroem-se no concreto" e que os movimentos progressistas devem adoptar "as línguas que não sejam colonialistas". Mas para concretizar estas utopias, o caminho tem de ser mais realista. "Antes tínhamos um instrumento, a revolução. Esse modelo falhou, fez mudanças rápidas, mas não fez a mudança civilizacional." E o Fórum tem de tornar mais visíveis as suas propostas, para que o mundo as conheça, defendeu.

Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 31-01-2009



Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)

Fórum Social Mundial 2009: O continente mais cristão é aquele que menos partilha o pão

O continente mais cristão é aquele que menos partilha o pão
João Paulo II foi citado numa noite em que a palavra socialismo rimou com eficiência e contra o imperialismo. Cinco presidentes latino-americanos estiveram no Fórum

A América Latina vive um "paradoxo", para o Presidente equatoriano Rafael Correa: "Ser o continente mais cristão e ter a maior exploração [de trabalhadores] no mundo." E ilustrou: "Jesus Cristo partilhou o pão, mas este continente não partilha o pão."
A noite de quinta-feira (já madrugada de sexta-feira em Portugal) era de festa, muita festa, um comício travestido de conferência. No Hangar – Centro de Convenções de Belém, no Pará, os participantes do Fórum Social Mundial acolheram em euforia cinco presidentes latino-americanos: Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, e o anfitrião Lula da Silva.
A palavra socialismo foi das mais ouvidas na noite e rimou com justiça e "muito mais eficiência", como disse o mesmo Correa. Que explicou então as suas ideias com as palavras de João Paulo II: "O trabalho humano tem de estar acima da economia", como defendeu o Papa polaco. "A economia tem de ser centrada no trabalho humano e não o trabalho humano centrado na economia", sublinhou.
Já Lula da Silva acabaria por recordar o teólogo Leonardo Boff, para dizer que "está provado que Deus escreve crise por linhas tortas. Agora, a crise é deles, não é nossa", é dos países ricos, disse o Presidente brasileiro. "Durante 20 anos venderam-nos a ideia que o Estado não prestava, o deus-mercado resolvia tudo. Agora ele quebrou." Mas Lula entende que esta crise "é também uma oportunidade para mudar a política". Há 100 mil participantes do Fórum que entendem o mesmo.
Semelhanças entre África e Américas
Missionários da Consolata levam "retratos da sabedoria" de povos da Colômbia, Brasil e Moçambique ao fórum, "como garantia de sobrevivência do planeta e da humanidade"

"Ainda não encontrei nada neste fórum que não esteja enunciado neste livro, «Biosofia e Bioesfera Xirima»", Afirmou José Frizzi a mais de meia centena de participantes no painel que os Missionários da Consolata promoveram no fórum. Há 38 anos em Maúa, Niassa, Moçambique o missionário apresentou diversos volumes sobre costumes, cultura e religião do povo makua.
José Frizzi sublinhou a importância do conhecimento da língua e interrogou: "Com quem está a dialogar quem transmite a cultura numa língua estrangeira?". Para acrescentar: "É necessário transmiti-la na língua materna". O missionário criou o Centro de Cultura Makua, começando pelo estudo aprofundado da língua xirima. "Sente-se a necessidade de democratizar a palavra", em vista de "um futuro eco e eticamente mais consistente".
Os dois termos escolhidos para título da obra que apresentou: "biosofia e biosesfera", sublinham "o valor cardeal da vida na etnia makua", uma das poucas tribos em que predomina o maternalismo. O mito central da cultura makua ensina que "tudo vem do útero materno de Deus", explicou o missionário.
Em seguida o missionário mostrou como o makua aponta "critérios de diálogo cultural, para valorizar a alteridade". E explicou com o exemplo do camaleão, como paradigma da alteridade. Este animal tem uma simbologia diferente da nossa na cultura makua. E explicou: "O camaleão sai de casa lenta e cautamente para a descoberta do outro". Em seguida "vira os olhos em todas as direcções para conhecer o mundo. Precisa de espaço".
Pouco a pouco o camaleão "muda de cor e assume a cor do ambiente que o rodeia". E explica: "Adapta-se ao ambiente, mas garante a sua identidade". E continuou a apresentar a lição que a cultura consegue colher da maneira de estar deste pequeno animal. A terminar reproduziu algumas perguntas que a cultura makua faz, tendo sempre a água como resposta. "A verdadeira riqueza de Deus é a água".
O painel debateu ainda a cultura e vida dos povos da Raposa Serra do Sol, de Roraima, Brasil, assim como o povo Nasa da Colômbia. Tratou-se de um painel muito concorrido, numa sala da Universidade Federal, e que suscitou muito interesse na assembleia, composta por ouvintes de várias idades e proveniências.
Chavez foi vedeta entre presidentes
Sindicalistas convidam quatro presidentes para o fórum

Teceram louvores ao socialismo contra o imperialismo Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, Evo Morales, da Bolívia, e Hugo Chavez, da Venezuela. A presença dos quatro presidentes latino-americanos no fórum de Belém, pela primeira vez, foi um espectáculo de música e cor. Aliás o próprio discurso de cada um foi nessa linha, em que Hugo Chavez é mestre.
O fórum é um evento vedado aos políticos como tal, mas onde podem estar presentes como qualquer outro cidadão. Convidados pelo movimento sindical brasileiro, os quatro presidentes aproveitaram bem a circunstância que lhes foi oferecida, para desenvolver o seu pensamento sobre a integração popular no caminho da América Latina.
No uso da palavra todos os presidentes se apoderaram, de algum modo, dos temas e lutas próprios do fórum social, como a luta contra a escravidão, neocolonialismo, contra a pobreza, a luta das mulheres latino-americanas. De certo modo verifica-se uma luta pela apropriação de temas que são património dos nove fóruns já realizados.
Aliás, o governo brasileiro está a aproveitar o fórum para transmitir aos participantes uma imagem positiva do seu trabalho, procurando justificar causas que são polémicas e Contestadas pró diversos grupos. Não faltam cartazes bem elucidativos desta política.
No final do dia, 29 de Janeiro, o presidente Lula juntou à sua volta os outros quatro presidentes, num encontro com o público, para mais uma vez apregoar a solidariedade internacional dos povos latino-americanos.
Outra economia é possível
Três pavilhões e vários standes na margem esquerda do rio que atravessa o recinto do fórum albergam dezenas de lojas de comércio équo, sob a designação de economia solidária

Francisco Cardoso, de 73 anos, com a Beatriz estão à frente do stande de uma associação da ilha de São Mateus e Cafezal, no Pará, junto da ilha de Marajó. Os associados fabricam objectos de barro, que têm "as sementes de árvores deixadas pela maré. "A Amazónia está em grande sofrimento", explica Francisco. "Os barcos estão a destruir, com a força das ondas, árvores e terreno, sobretudo a argila".A associação Agro-Extrativista Natureza e Arte foi fundada há três anos, para promover a inclusão social. Está voltada para as pessoas idosas e, sobretudo, para adolescentes. "São jovens que se encontram pelas esquinas e damos-lhe ocupação", explica Francisco, reeleito coordenador da associação. "Assim evitamos que vão para a criminalidade".A associação não tem fins lucrativos. Fazem peças de barro a partir de "sementes de jupati, pikiá, maniuera, pitaica e andiroba". O trabalho não é pago. Em cada cinco peças que confeccionam, os artistas levam três para vender. As outras duas ficam para a associação, que as coloca no mercado e no museu Emílio Guedes. A associação conta 240 famílias associadas, que pagam uma jóia mensal de três reais.
Consolata apresenta actividades no fórum
Mais de cem mil participantes percorrem os espaços das Universidades Federal e Agrária de Belém. São milhares de stands com as mais variadas propostas de causas e lutas
Na área 17, na Universidade Federal da Amazónia, um punhado de missionários e missionárias da Consolata aborda os passantes, responde a interpelações e distribui desdobráveis e cdês. O projecto da água, no Quénia, e a escola de artes, em Moçambique são as actividades que "maior interesse despertam", explica António Fernandes, missionário da Consolata, o promotor da participação no fórum. São seis dezenas entre missionários, missionárias e leigos.António Fernandes, conselheiro da Consolata para as Américas, explica que esta participação pretende "dar a conhecer o trabalho dos missionários e missionárias com os diversos povos". As visitas ao stand têm sido muitas, com um bom acolhimento. Os missionários estão a "mostrar um caminho de interacção com os povos". São projectos interessantes e solidários. "Ainda há pouco estive com três ou quatro professores que ficaram encantados e desejam levar os projectos às suas escolas".Além disso os missionários pretendem "dar a conhecer o Instituto e os povos com quem trabalham". Assim a 30 de Janeiro terão uma mesa-redonda para apresentar as experiências desta interação". Para isso estarão presentes missionários que estiverem no desenvolvimento dos projectos, tanto de África como da Colômbia.Seis dezenas de missionários, missionárias e leigos da Consolata que participam nas actividades do fórum. É uma boa oportunidade para "tomar consciência de que o Reino de Deus se constrói com muitas outras experiências de vários âmbitos, de fora e de dentro da Igreja", explica António Fernandes. "Aprender com essas experiências e, quem sabe, apropriar-se de algumas delas no âmbito religioso, ecológico e social". Por outro lado o conselheiro geral da Consolata espera que os participantes "levam essa experiência para os seus grupos de trabalho". Sonha que, um dia, a proporção dos participantes se possa inverter: "um missionário acompanhado de quatro ou cinco leigos com quem trabalhamos".

Cinco quilómetros de marcha e muita chuva
A marcha de abertura do Fórum Social Mundial de 2009 paralisou o trânsito no centro histórico de Belém. A chuva torrencial, que se abateu sobre a cidade, mais pareceu uma bênção do que um estorvo

Nuvens negras toldavam o céu. "Vai chover, amigo?", perguntei ao guarda da casa onde moro estes dias, em Icoarací, antes de entrar para o autocarro que me haveria de conduzir ao cais do porto, junto ao mercado Ver-o-Peso. O indivíduo levanta o braço e olha para o relógio: "Lá para as quatro", responde num tom seguro. Os manifestantes dirigem-se aos milhares com as suas bandeiras e faixas, que dão um tom colorido e alegre à cidade. O trânsito torna-se cada vez mais difícil à medida que nos vamos aproximando do local onde terá início, às 16 horas, a marcha em direcção à Praça do Operário, em frente do Centro Rodoviário. O céu ameaça abrir-se. As colunas de som alternam cânticos com slogans. A longa coluna humana começa a mover-se e a chuva começa a cair torrencialmente durante cerca de uma hora.Bandeiras e faixas coloridas desfilam pelas ruas da cidade, mostrando lutas vivas do povo: de organizações e grupos que estarão presentes no fórum com os mais diversos meios para dar a conhecer as suas causas. Distribuem-se folhetos onde se explicam as razões e objectivos de tantas lutas e sacrifícios. Em vez de fazer esmorecer o entusiasmo, a chuva parece fazer aumentar o entusiasmo e a alegria. De vez em quando os organizadores da marcha cortam o cortejo para deixar passar o trânsito que entretanto se tornou caótico. Nas ruas que conduzem ao percurso da marcha acumula-se a polícia que de uma maneira discreta e distante, mas atenta, segue o desenrolar dos acontecimentos.Passadas cerca de duas horas, a manifestação está na Praça do Operário e começa o espectáculo. Os numerosos povos índios, do Brasil e dos países vizinhos sobem ao palco para exibirem as suas danças e fazerem as suas revindicações: "Hoje é dia de alegria, mas todos os dias são dias dos índios", clama o apresentador. O tempo torna-se curto e os grupos passam apenas a dizer o seu nome e donde são. Pouco a pouco cai a noite e os manifestantes começam a abandonar o local. Começou o Fórum Social Mundial 2009, em Belém, no Pará, Brasil.

A chuva desabou na cidade mas não esmoreceu a festa
Na abertura do evento, a festa fez-se numa "grande caminhada" pelas ruas da capital paraense. Mas ninguém arredou pé

O céu desabou sobre Belém do Pará na abertura do Fórum Social Mundial, quando os quase 100 mil participantes desfilaram pelas ruas do Cais do Porto à Praça do Operário, onde os povos indígenas dirigiram a festa final. Sob uma bandeira enorme contra o trabalho escravo, muitos ajudaram a subir o pano para abrigar todos os que procuravam proteger-se da água que caía aos magotes. Ali debaixo nascia uma confraternização informal. Outros, muitos outros, optaram por seguir caminho com a festa a acontecer à chuva – dança, cantigas, palavras de ordem, cartazes que iam da pequena reivindicação de um bairro ou de uma cidade até à quase utopia da "aldeia da paz". Partidos políticos, comissões locais, sindicatos, movimentos internacionais, organizações religiosas, representantes de povos indígenas, grupos de animação cultural ou manifestantes isolados com pedidos particulares, velhos e novos, a polícia à margem, todos cabiam no desfile, todos cabem no Fórum.Esta quarta-feira arrancam os debates e as sessões temáticas nos dois espaços nobres do Fórum – a Universidade Federal e a Universidade Rural. Mas, como se orgulham as autoridades, todo o Pará "é território do Fórum Social Mundial". A chuva há-de voltar, à tarde.

Fonte Informativa: FÁTIMA MISSIONÁRIA 28-01-2009
Informação recebida de César Salazar Pimenta (Belém do Pará - PA) e CL Maria Teresa Correia (Viseu - PT)